Zoologia

O cão descende de lobos extintos, mas quando e onde a domesticação começou segue em debate

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

O cão não vem do lobo-cinzento de hoje: o DNA antigo indica uma população de lobos do Pleistoceno, já extinta, como ancestral. Quando e onde isso ocorreu é debatido. Uma estimativa genética propõe cerca de 23 mil anos, na Sibéria; o cão mais antigo com genoma sequenciado tem 14,2 mil anos e viveu na Suíça.

Cães e lobos-cinzentos são hoje geneticamente distintos, e todos os cães sequenciados até agora compartilham uma ancestralidade que não coincide com a de nenhum lobo moderno. Os fósseis dão datas mínimas: o cão de Bonn-Oberkassel, na Alemanha, enterrado com pessoas há cerca de 14 mil anos, é tido como o mais antigo amplamente aceito. A genética sugere uma origem mais antiga, mas com margem grande. Alegações de cães com mais de 30 mil anos, baseadas no formato de crânios, não são aceitas de modo geral, e análises recentes mostraram que vários supostos cães paleolíticos eram lobos.

Os "cães" que eram lobos

Em sítios europeus como Goyet (Bélgica) e Předmostí (Tchéquia), vários ossos identificados como de cães pelo formato mostraram ao DNA ancestralidade de lobo. Só o genoma separa com segurança um cão primitivo de um lobo.

Um ancestral que não existe mais

O cão não descende do lobo-cinzento atual. Os genomas antigos indicam que cães e lobos modernos compartilham um ancestral mais velho, de uma população de lobos do Pleistoceno que desapareceu. Essa população pode ter sido uma só ou um grupo de populações muito próximas, e ainda não foi encontrada em nenhum fóssil sequenciado.

O leste da Eurásia como pista

Em 2022, comparações com 72 genomas de lobos antigos mostraram os cães mais próximos de lobos do leste da Eurásia que do oeste. É um indício sobre onde começou, não uma localização exata: a região é enorme e há poucos lobos antigos amostrados nela. Cães do Oriente Médio e da África carregam ainda uma segunda ancestralidade, ligada a lobos do sudoeste da Eurásia.

Por que as datas divergem

Os ossos aceitos mais antigos têm cerca de 14 a 15 mil anos. Estimativas genéticas, como a de cerca de 23 mil anos para a Sibéria, recuam bastante, mas se apoiam em um único marcador e em suposições sobre mutação e migrações humanas. Uma data genética mede a separação entre linhagens, que não é necessariamente o momento em que alguém passou a conviver com um cão.

O que falta saber

Faltam cães e lobos antigos bem datados da Ásia, entre 14 e 10 mil anos. O estudo de 2026, com o cão suíço de 14,2 mil anos, mostra que a diversificação dos cães começou antes disso e que a domesticação precede esses fósseis em vários milênios, mas diz não poder resolver nem o local nem o número de domesticações.

Como sabemos

O fato central (ancestral lobo extinto) é bem sustentado, mas data e local da domesticação são reconhecidamente debatidos e foram tratados como tal.

Em debate: Quando começou a domesticação

Em debate: Onde e quantas vezes

Fontes

  1. Science (Bergström et al., 2020), via PubMed Central — Origins and genetic legacy of prehistoric dogs
    consultada em 11/10/2026
  2. Nature (Bergström et al., 2022); resumo no Europe PMC — Grey wolf genomic history reveals a dual ancestry of dogs
    consultada em 11/10/2026
  3. PNAS (Perri et al., 2021), via PubMed Central — Dog domestication and the dual dispersal of people and dogs into the Americas
    consultada em 11/10/2026
  4. Nature (2026), via PubMed Central — Genomic history of early dogs in Europe
    consultada em 11/10/2026
  5. Science (Frantz et al., 2016); resumo no Europe PMC — Genomic and archaeological evidence suggest a dual origin of domestic dogs
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos