Grandes descobertas
A linha de Wallace: por que um estreito de poucas dezenas de quilômetros separa duas faunas
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Entre Bali e Lombok, na Indonésia, o Estreito de Lombok tem pouco mais de 20 km no ponto mais estreito. Mesmo assim, marca a fronteira entre a fauna de origem asiática, a oeste, e a de afinidade australiana, a leste. Alfred Russel Wallace notou a mudança nas aves ao cruzar o estreito, nos anos 1850. A explicação moderna combina o fundo profundo do estreito, que nunca virou ponte de terra, com a colisão entre placas tectônicas.
Bali pertence à plataforma continental de Sunda, a extensão submersa do sudeste da Ásia. Lombok fica fora dela, do outro lado de um estreito profundo. Nas glaciações do Pleistoceno, o nível do mar caiu 70 a 100 m ou mais, e as plataformas de Sunda e de Sahul (Austrália e Nova Guiné) emergiram. Animais circularam por terra em cada lado, mas o estreito continuou sendo água, porque é fundo demais para ter secado. Ernst Mayr atribuiu a diferença entre as faunas de Bali e Lombok a essa história do nível do mar, não só a movimentos antigos da crosta. A linha que Wallace desenhou ganhou esse nome depois, por Thomas Henry Huxley.
Uma fronteira que não é uma linha só
Além da linha de Wallace, que acompanha a borda da plataforma asiática, outros naturalistas propuseram as linhas de Weber e de Lydekker. A faixa entre elas é a Wallacea, uma zona de transição.
Uma fronteira real, mas gradual
A linha de Wallace é uma simplificação útil. Para aves, a mudança é gradual: as espécies orientais diminuem de oeste para leste, e não desaparecem de uma vez. Por isso outros naturalistas propuseram linhas alternativas, como a de Weber e a de Lydekker, e a faixa intermediária é tratada como zona de transição, a Wallacea.
O papel do mar fundo
Plataformas rasas, como a de Sunda, viram terra quando o mar baixa. Estreitos profundos, não. O Estreito de Lombok manteve água corrente entre as ilhas mesmo nas glaciações, e isso limitou a travessia de animais que dependem de terra firme.
Duas explicações que se completam
Wallace conhecia a distribuição, mas não a tectônica de placas, formulada décadas depois. Mayr deu peso ao nível do mar. Hoje se entende que o movimento das placas criou a geografia profunda da região, e as flutuações do nível do mar decidiram onde havia ou não ponte de terra.
Um trabalho de campo gigantesco
A expedição de Wallace pelo arquipélago, entre 1854 e 1862, cobriu cerca de 14 mil milhas e rendeu mais de 125 mil espécimes. A fronteira nasceu dessa comparação sistemática entre ilhas, e não de um único achado.
Como sabemos
Fatos centrais consistentes entre três fontes, mas sem fonte primária de revista científica e com distância do estreito variando entre fontes.
Em debate: Wallace pensava em movimentos antigos da crosta; Mayr destacou o nível do mar no Pleistoceno. A visão atual combina os dois: a tectônica criou o estreito profundo, e o nível do mar explica por que ele continuou sendo barreira.
- Estimativa: O Estreito de Lombok tem cerca de 20 km no ponto mais estreito. [1]
As fontes variam entre 20 e 35 km conforme onde se mede; usado o valor mais estreito, com 'pouco mais de'. - Consenso científico: A linha de Wallace passa pelo Estreito de Lombok, entre Bali e Lombok, e separa as faunas oriental e australásica. [2] [3]
- Consenso científico: Wallace observou a diferença de aves ao cruzar o Estreito de Lombok, durante sua viagem de 1854 a 1862. [2] [3]
- Fato estabelecido: Thomas Henry Huxley deu à fronteira o nome de linha de Wallace. [2]
- Fato estabelecido: Bali está na plataforma de Sunda; Lombok fica separada dela por um estreito comparativamente profundo. [3]
- Consenso científico: Nas glaciações do Pleistoceno o nível do mar caiu 70 a 100 m ou mais, mas o Estreito de Lombok, profundo, não ficou ligado por terra. [1] [2]
- Interpretação: Mayr atribuiu a diferença entre as faunas de Bali e Lombok às mudanças do nível do mar no Pleistoceno, não só a movimentos da crosta. [2]
Interpretação histórica de Mayr, citada pelo artigo consultado. - Evidência forte: A interação entre as placas Indo-Australiana e Eurasiática, incluindo a falha do Estreito de Lombok, remodelou o fundo marinho ao longo de milhões de anos. [1]
- Consenso científico: A linha entre Bali e Lombok marca o fim de uma avifauna continental e o começo de uma avifauna insular, com redução gradual de espécies orientais para leste. [3]
- Fato estabelecido: A expedição de Wallace de 1854 a 1862 reuniu mais de 125 mil espécimes. [1]
Fontes
- EarthDate (Instituto Americano de Geociências) — Mystery of the Wallace Line
consultada em 06/10/2026 - Repositório acadêmico NII (Japão) — Reevaluation of Wallace's Line in Biogeographical History
consultada em 06/10/2026 - Charles Darwin University — Wallace, Darwin and Evolution (Wallace Line)
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão