Astronomia

Titã tem rios, lagos e mares, mas o líquido é metano e etano a cerca de −179 °C

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Titã, a maior lua de Saturno, é o único mundo além da Terra com líquido estável na superfície. Os mares e lagos, concentrados perto do polo norte, são feitos sobretudo de metano e etano. A sonda Huygens fotografou canais de drenagem em 2005, e a Cassini mediu o fundo do mar Ligeia: até 160 metros de profundidade.

Na Terra, a água evapora, forma nuvens, cai como chuva e escorre pelos rios até o mar. Titã repete o roteiro com outro material. A superfície está a cerca de −179 °C, temperatura em que o gelo de água se comporta como rocha e o metano pode ser gás ou líquido. A atmosfera é densa: a pressão no chão é cerca de 60% maior que a terrestre. O metano condensa em nuvens, às vezes cai em tempestades, escorre pela paisagem e volta a evaporar. A Cassini mapeou por radar os mares e lagos, e a Huygens desceu até o solo em 14 de janeiro de 2005.

Um ano com estações de sete anos

Titã acompanha a órbita de Saturno: um ano dela dura cerca de 29 anos terrestres, e cada estação passa de sete anos. Por isso os cientistas acompanham os lagos ao longo do tempo, para ver se encolhem, crescem ou ficam iguais.

O mesmo roteiro, outro material

Na Terra, a água evapora, vira nuvem, cai e escorre até o mar. Em Titã, a mesma sequência é feita por metano. Segundo a NASA, ele condensa em nuvens, às vezes provoca tempestades que encharcam a superfície, corre pela paisagem e evapora de novo. É um ciclo completo, só que a uma temperatura de cerca de −179 °C.

Mares perto do polo

Os lagos e mares de Titã se concentram numa região de cerca de 900 por 1.800 km perto do polo norte; fora dela fica só 3% do líquido. Kraken Mare é o maior mar e Ligeia Mare o segundo. O volume total estimado pela Cassini é de cerca de 9.000 km³, número de 2013 que pode mudar com novas análises.

Medir o fundo de um mar extraterrestre

Em maio de 2013, a Cassini fez uma medição de rádio sobre o Ligeia Mare e detectou ecos vindos do fundo, a primeira detecção do leito de um mar fora da Terra. A profundidade máxima ao longo da trilha foi de 160 m. O líquido é predominantemente metano, e não etano como se esperava.

Os canais vistos pela Huygens

Em 14 de janeiro de 2005, a Huygens desceu por Titã e fotografou uma rede de canais de drenagem descendo de terras claras para áreas baixas e escuras. No chão havia seixos arredondados de gelo de água sujo, num leito seco. A ESA aponta que alguns canais podem vir de nascentes de metano, não só de chuva.

Como sabemos

Dados de NASA e ESA, com graus de incerteza marcados nas estimativas.

Fontes

  1. ESA — Profile of a methane sea on Titan
    consultada em 06/10/2026
  2. ESA — Seeing, touching and smelling the extraordinarily Earth-like world of Titan
    consultada em 06/10/2026
  3. NASA/JPL — NASA's Cassini Spacecraft Reveals Clues About Saturn Moon
    consultada em 06/10/2026
  4. NASA Science — Titan: Facts
    consultada em 06/10/2026
  5. ESA — Islands, rivers and methane springs - latest images of Titan
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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