Ecologia

Surtsey e Krakatau: como a vida recomeça em ilhas vulcânicas sem nada

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Surtsey, na Islândia, surgiu do mar entre 1963 e 1967 como rocha nua. A primeira planta com flor apareceu em 1965, os musgos em 1967 e os primeiros líquens em 1970. Até 2015 foram registradas 74 espécies de plantas vasculares. O ritmo não foi constante: a colonização deu um salto depois que, em 1986, uma colônia de gaivotas se instalou e passou a adubar o solo.

Quando uma erupção deixa a terra sem solo e sem seres vivos, a ecologia chama o que vem depois de sucessão primária: pioneiros chegam a um substrato nu, e só depois se formam solo e comunidades. Surtsey, 32 km ao largo do sul da Islândia, é um registro quase contínuo disso: nasceu em uma erupção submarina de 1963 a 1967, foi protegida por lei em 1965 e acompanhada desde então. Em Krakatau, na Indonésia, a erupção de 1883 esterilizou as ilhas, e a recolonização é estudada há mais de um século; a ilha Anak Krakatau, que emergiu em 1930, permite ver o processo desde o começo. Os dois casos mostram o mesmo padrão geral, com detalhes próprios de cada lugar.

Gaivotas como jardineiras

Em Surtsey, a vegetação foi muito mais rica ao redor da colônia de gaivotas que se formou em 1986 do que no resto da ilha. O adubo das aves e o pisoteio, que provavelmente espalhou líquens, aceleraram a chegada de novas espécies.

Pioneiros e substrato

Em Surtsey, os primeiros ocupantes foram plantas de praia comuns na Islândia, como a arenária-do-mar e o capim-das-dunas, que crescem em areia e rocha esparsas. Os líquens chegaram depois e, no começo, preferiram locais incomuns: a lava ainda aquecida por vapor, grutas e saliências. A rocha nua não é igual em toda parte, e cada tipo de superfície foi colonizado em ritmo próprio.

A virada das gaivotas

Durante cerca de duas décadas, a colonização das plantas foi lenta e o solo, pobre. Em 1986 uma colônia de gaivotas se formou nos campos de lava do sul. O adubo das aves, que alimentou o solo, e o pisoteio, que provavelmente espalhou líquens, mudaram o cenário: o pico de novas espécies veio entre 1992 e 1995, e a vegetação mais densa ficou concentrada perto da colônia.

Krakatau: costa primeiro, floresta depois

Nas ilhas de Krakatau, o estudo de Whittaker e colegas aponta que as comunidades costeiras se formaram cedo e mudaram pouco, enquanto a floresta do interior levou décadas e permaneceu pobre em espécies. A contribuição de plantas dispersas por animais continuou crescendo por 50 anos, mostrando que a chegada de espécies não termina quando a floresta se fecha.

Um processo que não termina

Em Anak Krakatau, uma pesquisa de 1990 registrou 41 espécies de borboletas, 18 delas chegadas desde 1986, e prevê que a sucessão da vegetação deve extinguir algumas, que dependem de gramados e vegetação costeira baixa. Em Surtsey, 74 espécies de plantas foram vistas em 50 anos, e só 64 estavam vivas em 2015: chegar e persistir são coisas diferentes.

Como sabemos

Surtsey tem fontes primárias abertas e consistentes; a parte de Krakatau se apoia em um resumo e em um artigo sobre borboletas.

Em debate: Whittaker e colegas concluem que os pressupostos da biogeografia de ilhas clássica não se aplicam bem às plantas de Krakatau: tipo de habitat e modo de dispersão explicam mais do que a distância e o tamanho.

Fontes

  1. Surtsey Research 15 (Instituto Islandês de História Natural) — Vascular plant colonisation, distribution and vegetation development on Surtsey during 1965-2015
    consultada em 06/10/2026
  2. Surtsey Research 12 (Kristinsson e Heidmarsson) — Colonization of lichens on Surtsey 1970-2006
    consultada em 06/10/2026
  3. Surtsey Research Society — Colonization of the land (Surtsey)
    consultada em 06/10/2026
  4. Ecological Monographs 59(2), 1989 (Whittaker, Bush e Richards) — Plant Recolonization and Vegetation Succession on the Krakatau Islands, Indonesia
    consultada em 06/10/2026
  5. Journal of the Lepidopterists' Society 46(2), 1992 (New e Thornton) — The butterflies of Anak Krakatau, Indonesia: faunal development in early succession
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos