Fenômenos naturais
A erupção do Krakatoa em 1883 foi ouvida a cerca de 4.800 km e esfriou o planeta em até 0,5 °C
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Em 26 e 27 de agosto de 1883, o vulcão Krakatoa, no estreito de Sunda, entrou em erupção. A mais forte das quatro grandes explosões da manhã do dia 27 ocorreu por volta das 10h02, hora local, e foi ouvida na ilha Rodrigues, a cerca de 4.800 km de distância, o som audível que viajou mais longe de que se tem registro. Tsunamis mataram a maior parte das cerca de 36 mil vítimas, e as cinzas esfriaram o planeta em até 0,5 °C no ano seguinte.
O Krakatoa é um complexo vulcânico no estreito de Sunda, entre Java e Sumatra. Depois de erupções moderadas desde maio de 1883, as explosões graves começaram em 26 de agosto. Na manhã seguinte, quatro grandes explosões se sucederam, às 5h30, 6h44, 10h02 e 10h52, e cerca de dois terços da ilha desapareceram. O som foi ouvido em quase um décimo terceiro da superfície da Terra. A onda de pressão no ar foi registrada por todos os barógrafos em funcionamento, algumas vezes sete passagens. Partículas finas na alta atmosfera produziram pores do sol intensos em vários continentes, e a Royal Society reuniu, em relatório de 1888, as observações de todo o mundo.
O primeiro desastre global noticiado em tempo real
Autoridades relataram a erupção por cabos telegráficos submarinos, e a atenção do mundo começou em poucas horas. Segundo Richard Hamblyn, citado no ensaio da revista Branch, surgia uma nova categoria de desastre, o evento noticioso universal, seguido por mais da metade da população mundial.
Um vulcão que acordou aos poucos
O Krakatoa tivera erupções violentas entre 1680 e 1681 e depois ficou quieto por dois séculos. Em 20 de maio de 1883, voltou a se agitar com erupções moderadas, a ponto de virar passeio turístico a partir de Batávia, a atual Jacarta. Em 26 de agosto, as explosões mais sérias começaram, algumas com tsunamis. Na manhã seguinte, quatro explosões sucessivas, a terceira a mais forte, destruíram cerca de dois terços da ilha.
O som e o ar
A explosão das 10h02 foi ouvida a cerca de 4.800 km, na ilha Rodrigues, no oceano Índico, e em quase um décimo terceiro da superfície do planeta. A onda de pressão no ar contornou a Terra e foi registrada por todos os barógrafos: alguns a detectaram sete vezes, quatro na ida e três na volta, passando pelo ponto oposto ao vulcão, perto de Bogotá. Os cálculos do comitê da Royal Society deram velocidades de 674 a 726 milhas por hora, quase a do som.
Cinzas, céus e clima
Partículas finas chegaram à alta atmosfera e deram a volta ao mundo na 'corrente de fumaça equatorial', em cerca de 13 dias por volta, de leste para oeste. Elas causaram pores do sol vermelhos e sóis azulados e esverdeados, e o relatório de 1888 as usou como a primeira evidência de padrões de circulação na estratosfera. Segundo a NOAA, as temperaturas globais caíram até 0,5 °C no ano seguinte e voltaram ao normal por volta de 1888.
Mortes e o debate sobre a causa
A contagem oficial é de 36.417 mortos em vilas costeiras de Java e Sumatra, mas pode ter sido maior. A maioria morreu pelos tsunamis, cuja altura é incerta: o relatório da Royal Society assumiu cerca de 15 m antes da chegada à costa, e testemunhas falaram em até 41 m. Especialistas ainda discutem se a terceira grande explosão foi para cima ou um colapso das paredes do vulcão; Simkin e Fiske veem o debate como encerrado, a favor do colapso.
Como sabemos
Eventos, horários e efeitos conferidos num ensaio acadêmico baseado no relatório da Royal Society (1888), na NOAA e na Britannica; números de mortos, tsunami e resfriamento são estimativas.
Em debate: O mecanismo da maior explosão e do tsunami segue em discussão: uma linha defende uma explosão para cima, quando água do mar atingiu o magma; outra, o colapso do vulcão sobre uma câmara esvaziada de pedra-pomes (a favor de Verbeek). Simkin e Fiske consideram o debate resolvido a favor do colapso, mas Thornton acredita que vários processos ocorreram em uma erupção tão complexa.
Em debate: A altura das ondas e o total de mortos são estimativas: o relatório da Royal Society usou cerca de 15 m, mas relatos de testemunhas chegam a 41 m; a contagem oficial de 36.417 mortos pode estar subestimada.
- Fato estabelecido: O Krakatoa entrou em erupção catastrófica em 26 e 27 de agosto de 1883; o complexo fica no estreito de Sunda, entre Java e Sumatra. [1] [3]
- Fato estabelecido: Na manhã de 27 de agosto, quatro grandes explosões ocorreram às 5h30, 6h44, 10h02 e 10h52 (hora local), a terceira sendo a mais forte. [1]
- Fato estabelecido: Cerca de dois terços da ilha de Krakatoa desapareceram. [1]
- Fato estabelecido: A explosão das 10h02 produziu o som audível que viajou mais longe de que se tem registro, ouvido na ilha Rodrigues, a cerca de 3.000 milhas (cerca de 4.800 km), e em quase um décimo terceiro da superfície da Terra. [1]
- Estimativa: O número oficial de mortos foi de 36.417, em sua maioria por tsunamis, embora talvez tenham sido mais. [1] [2] [3]
Contagem oficial colonial; a Britannica fala em 'mais de 36 mil' e o NCEI em 'cerca de 36 mil'. - Estimativa: As ondas do tsunami foram estimadas entre 15 e 41 metros: o relatório da Royal Society assumiu cerca de 50 pés (15 m) antes de chegar à costa; testemunhas na costa de Java estimaram de 100 a 135 pés (de 30 a 41 m). [1] [2]
Pesquisadores posteriores deram crédito às estimativas maiores; a altura exata é incerta. - Fato estabelecido: Todos os barógrafos em funcionamento registraram a onda de ar; alguns a registraram sete vezes, quatro na ida e três na volta, com velocidade próxima à do som (674 a 726 milhas por hora). [1]
- Fato estabelecido: Partículas finas lançadas à alta atmosfera circularam o planeta (a 'corrente de fumaça equatorial' dava a volta em cerca de 13 dias) e produziram pores do sol intensos em todo o mundo. [1]
- Consenso científico: O relatório da Royal Society de 1888 apresentou a primeira evidência de padrões de circulação na estratosfera. [1]
Avaliação de Ian Thornton citada no ensaio da revista Branch. - Estimativa: As temperaturas globais caíram até 0,5 °C no ano seguinte e se normalizaram por volta de 1888. [2]
Estimativa de reconstruções do clima; a magnitude exata do resfriamento é incerta. - Em debate: Pesquisadores discordam sobre a causa da terceira grande explosão e do tsunami: explosão para cima, por contato da água do mar com o magma, ou colapso das paredes do vulcão (caldeira). [1]
Simkin e Fiske dão o debate como resolvido a favor do colapso (Verbeek); Thornton acha provável que os dois processos tenham ocorrido. - Interpretação: Autoridades relataram a erupção por cabos telegráficos submarinos e o mundo passou a acompanhá-la em horas; para Richard Hamblyn, foi um 'evento noticioso universal' seguido por mais da metade da população mundial. [1]
A parte sobre 'mais da metade da população mundial' é avaliação de Hamblyn citada no ensaio, não contagem.
Fontes
- BRANCH: Britain, Representation and Nineteenth-Century History — The Eruption of Krakatoa (also known as Krakatau) in 1883
consultada em 04/10/2026 - NOAA National Centers for Environmental Information — On this day: Historic Krakatau eruption of 1883
consultada em 04/10/2026 - Encyclopaedia Britannica — Krakatoa
consultada em 04/10/2026
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