Geografia
Köppen e o mapa dos climas do Brasil: o grupo tropical cobre cerca de 81% do país
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Assuntos: Tempo e clima
A classificação de Köppen enquadra cada lugar por limiares de temperatura e chuva mensais: A é tropical (mês mais frio com 18 °C ou mais), B é árido, C é temperado. No mapa de Alvares e colegas (2013), feito com 2.950 estações, o grupo A cobre cerca de 81% do Brasil, o C cerca de 14% e o B cerca de 5%. As letras seguintes dizem se há estação seca e quão quente é o verão.
O sistema de Köppen, mantido por seus sucessores como Köppen-Geiger, usa só números que uma estação meteorológica mede: temperatura e chuva mês a mês. A primeira letra fixa o grupo (A tropical, B árido, C temperado, D frio, E polar). A segunda descreve a chuva: f (sem estação seca), m (monçônico, com uma estação seca curta) ou w (inverno seco), e, no grupo B, W (deserto) ou S (estepe). A terceira, no grupo C, descreve o verão: a (quente), b (ameno) ou c (frio). Cada letra é uma regra com limiar, e por isso o mapa muda se os dados mudarem. No Brasil, a referência mais citada é o mapa de Alvares et al. (2013).
Um país inteiro em pixels de 1 hectare
O mapa de Alvares e colegas cobre 851.487.700 ha com resolução de 1 ha, o que permite ver variações de clima na escala da paisagem. É o equivalente a cerca de 8,5 milhões de km² (conta nossa: 1 ha = 0,01 km²).
Ler a sigla é aplicar três perguntas
Primeiro, faz frio? O grupo A exige mês mais frio com 18 °C ou mais, e o C aceita entre 0 e 18 °C. Segundo, falta chuva? O grupo B é checado antes de todos, por um limiar de chuva anual que depende da temperatura. Terceiro, existe estação seca? Em A e C, a segunda letra separa f (sem estação seca), m (monção) e w ou s (inverno ou verão seco). Em C, a terceira letra mede o calor do verão.
Como sabemos: de estações a um mapa contínuo
Alvares e colegas partiram de dados mensais de 2.950 estações. A temperatura foi modelada por equações com coordenadas e altitude, o que permite estimá-la onde não há estação; a chuva foi interpolada por krigagem. O resultado tem resolução de 1 ha. Limite: entre estações o valor é estimado, então manchas pequenas do mapa podem refletir poucos pontos de medição.
Por que a chuva muda tanto de uma região para outra
Segundo a revisão de Reboita e colegas, a Amazônia passa de 2.450 mm por ano, o sertão do Nordeste recebe 200 a 500 mm, o Centro-Oeste e o Sudeste têm chuva de verão ligada ao sistema de monção sul-americano e o Sul tem chuva distribuída o ano todo. Na lógica do sistema de Köppen, é isso que decide f, m ou w; esse encaixe entre regime de chuva e letra é leitura nossa.
O que o mapa mostra e o que não mostra
O mapa resume um clima médio: não é previsão, não registra variação de um ano para outro e não diz como o clima mudou. Nele, A, B e C somam 100% do país, com cerca de 81%, 5% e 14%. Outras classificações dividem o território de outro jeito, e biomas como Cerrado ou Caatinga são outro recorte, que não coincide com os tipos de Köppen.
Como sabemos
Regras e método vêm de fontes abertas lidas; os percentuais do mapa de Alvares vêm só do resumo, sem acesso ao texto integral.
- Consenso científico: A classificação de Köppen é, segundo Alvares et al., o sistema mais usado por sociedades geográficas e climatológicas no mundo, e também o mais utilizado no Brasil entre os muitos métodos propostos. [1] Resumo
Contexto: Afirmação dos autores do mapa, no resumo do artigo. · Limitações: Superlativo atribuído aos autores; não foi medido por nós. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: O sistema de Köppen-Geiger divide o clima em cinco classes principais e 30 subtipos, com base em limiares e na sazonalidade da temperatura e da chuva mensais. [2] Background & Summary
Contexto: Sistema global. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O grupo A (tropical) exige mês mais frio com 18 °C ou mais; dentro dele, f (floresta) pede chuva do mês mais seco de 60 mm ou mais, e m (monção) e w (savana) dependem de a chuva do mês mais seco ficar acima ou abaixo de um limite ligado à chuva anual. [2] Tabela 2
Contexto: Limiares da Tabela 2 de Beck et al. (2018), adaptada de Peel et al. · Limitações: Versões do sistema diferem em detalhes; a tabela é a de Beck/Peel, não necessariamente a regra exata aplicada por Alvares et al. A relação entre m e w é leitura nossa da tabela: m exige Pdry >= 100 - MAP/25 e w, abaixo disso. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O grupo B (árido) vem antes dos demais na regra: chuva anual abaixo de 10 vezes um limiar que depende da temperatura e da estação chuvosa o define; deserto (W) abaixo de 5 vezes o limiar, estepe (S) acima disso. [2] Métodos
Contexto: Limiares de Beck et al. (2018). · Limitações: Tradução e resumo nossos da tabela. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O grupo C (temperado) pede mês mais quente acima de 10 °C e mês mais frio entre 0 e 18 °C; a segunda letra indica verão seco (s), inverno seco (w) ou ausência de estação seca (f). [2] Tabela 2
Contexto: Limiares de Beck et al. (2018). · Limitações: Alvares et al. podem usar limiares ligeiramente diferentes para a fronteira entre A, C e D. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O mapa de Alvares et al. identifica os tipos de Köppen no Brasil a partir de dados mensais de temperatura e chuva de 2.950 estações meteorológicas. [1] Resumo
Contexto: Brasil, mapa publicado em 2013. · Limitações: Os pontos entre estações são estimados, não medidos. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: A temperatura foi espacializada por equações multivariadas que levam em conta coordenadas geográficas e altitude, e a chuva foi interpolada por krigagem. [1] Resumo
Contexto: Método do mapa de Alvares et al. · Limitações: Entre estações o mapa é modelo, e a qualidade depende da densidade de estações em cada região. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Estimativa: Segundo o mapa, os grupos A, B e C representam cerca de 81%, 5% e 14% do país, respectivamente. [1] Resumo
Contexto: Área do Brasil mapeada pelos autores. · Limitações: Valores aproximados, dependentes dos dados e dos limiares usados. Os três somam 100% (soma nossa). · Resultado de um estudo, não constante. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: O mapa cobre 851.487.700 ha com resolução de 1 ha, o que permite observar variações climáticas na escala da paisagem. [1] Resumo
Contexto: Mapa de Alvares et al. (2013). · Limitações: A resolução do mapa não é a resolução dos dados: entre estações o valor é interpolado. Conversão para km² é cálculo nosso (1 ha = 0,01 km²). · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: O mapa permitiu identificar tipos de Köppen nunca antes registrados no Brasil. [1] Resumo
Contexto: Afirmação dos autores. · Limitações: Não verificamos no texto integral quais são esses tipos. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Fato estabelecido: A região mais chuvosa da América do Sul fica no noroeste do Brasil, incluindo grande parte da bacia Amazônica, com média acima de 2.450 mm por ano; o nordeste do Brasil é relativamente seco, com menos de 700 mm. [3] Seção 2
Contexto: Climatologia de chuva da América do Sul, revisão de 2010. · Limitações: Valores médios regionais; variam com o período e com a base de dados. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: No sertão do Nordeste a chuva é de 200 a 500 mm por ano, e a revisão atribui isso a movimentos de ar descendente (subsidência) na região. [3] Região R7
Contexto: Sertão nordestino. · Limitações: A explicação é a citada pela revisão (Molion e colegas), não medida pelos autores desta pauta. · Explicação da literatura revisada. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: No Centro-Oeste a chuva é máxima no verão, por influência do sistema de monção sul-americano; no Sudeste a região é úmida no verão e seca no inverno. [3] Região Sudeste
Contexto: Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. · Limitações: Ligar isso à letra w do sistema de Köppen (inverno seco) é leitura nossa, não afirmação da fonte. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: No Sul do Brasil a chuva é bem distribuída ao longo do ano, com totais elevados de 1.050 a 1.750 mm por ano. [3] Região R4
Contexto: Sul do Brasil, sul do Paraguai e Uruguai. · Limitações: Dizer que isso corresponde à letra f (sem estação seca) é leitura nossa. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A classificação de Köppen tem mais de 100 anos e segue em uso amplo, inclusive no ensino e na avaliação de modelos climáticos globais. [4] Resumo
Contexto: Resumo de Peel et al. (2007). · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada
Fontes
- Meteorologische Zeitschrift — Köppen's climate classification map for Brazil
Alvares, C. A.; Stape, J. L.; Sentelhas, P. C.; Gonçalves, J. L. M.; Sparovek, G. · 2013 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1127/0941-2948/2013/0507 - Scientific Data — Present and future Köppen-Geiger climate classification maps at 1-km resolution
Beck, H. E.; Zimmermann, N. E.; McVicar, T. R.; Vergopolan, N.; Berg, A.; Wood, E. F. · 2018 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/sdata.2018.214 - Revista Brasileira de Meteorologia (USP e INPE) — Regimes de precipitação na América do Sul: uma revisão bibliográfica
Reboita, M. S.; Gan, M. A.; Rocha, R. P.; Ambrizzi, T. · 2010 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1590/S0102-77862010000200004 - Hydrology and Earth System Sciences — Updated world map of the Köppen-Geiger climate classification
Peel, M. C.; Finlayson, B. L.; McMahon, T. A. · 2007 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.5194/hess-11-1633-2007
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)