História do Brasil

O mineralogista José Bonifácio descreveu minerais novos e, como ministro em 1822, articulou a Independência

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Antes de ser o Patrono da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, nascido em Santos em 1763, foi cientista. Estudou mineralogia em Paris e em Freiberg e, em viagens pela Europa, identificou ao menos quatro minerais até então desconhecidos, entre eles a petalita, que levaria à descoberta do lítio. Voltou ao Brasil em 1819 e, em 1822, como ministro do Reino e dos Estrangeiros de Pedro I, ajudou a articular a Independência. Em 1823 preparou uma representação contra o tráfico e a escravidão.

Depois de estudar em Coimbra, José Bonifácio passou cerca de uma década na Europa, entre 1790 e 1800, aprendendo com cientistas como Fourcroy, em Paris, e Werner, na Escola de Minas de Freiberg. Em 1801 foi nomeado professor de metalurgia em Coimbra e intendente-geral das Minas e Metais do Reino. Em 1819, depois de 39 anos em Portugal, voltou ao Brasil. Em 1822 assumiu o ministério e coordenou o manifesto pedindo que Pedro permanecesse no país. Em novembro de 1823, com a dissolução da Assembleia Constituinte, foi preso e deportado para a França, onde ficou seis anos. Voltou em 1829, foi tutor do menino Pedro II por dois anos e morreu em 1838. Em 2018, uma lei o declarou Patrono da Independência do Brasil.

Uma granada com seu nome

Em 1868, o mineralogista norte-americano J. Dana batizou de andradita, em homenagem a José Bonifácio, uma granada de cálcio e ferro. Outros minerais que ele descreveu na Escandinávia foram o espodumênio, a petalita, a criolita e a escapolita.

O naturalista

Entre 1790 e 1800, José Bonifácio percorreu a Europa para estudar. Teve aulas com Fourcroy, em Paris, e com Abraham Gottlob Werner, na Escola de Minas de Freiberg, na Saxônia. Nas viagens pelo norte europeu, identificou quatro minerais desconhecidos: espodumênio, petalita, criolita e escapolita. Foi professor de metalurgia em Coimbra, em 1801, e intendente-geral das Minas e Metais. Em 1868, o americano J. Dana deu o nome de andradita a uma granada, em sua homenagem.

O ministro de 1822

Voltou ao Brasil em 1819, depois de 39 anos em Portugal. Em 1822 tornou-se ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo do qual, segundo o Arquivo Nacional, foi nomeado em janeiro. Coordenou o manifesto que pedia a Pedro que ficasse no Brasil e atuou na busca de apoio das províncias e de reconhecimento internacional da Independência. Em novembro de 1823, discordando da orientação constitucional de Pedro I, foi demitido e expulso do país.

Escravidão: o que propôs

Em 1823, José Bonifácio preparou para a Assembleia Constituinte uma representação sobre a escravatura. O texto denunciava os efeitos do tráfico sobre a África e criticava sua associação com a riqueza nacional. Propunha emancipação gradual e regras para limitar o poder dos senhores sobre castigos, trabalho e família dos escravizados. A Constituinte foi dissolvida antes da apresentação; o texto saiu em Paris em 1825 e teve poucas reimpressões no Império, em 1840, 1851 e 1884.

Exílio, tutoria e memória

Exilado na França por seis anos, voltou em 1829. Em agosto de 1831 jurou no Senado como tutor de Pedro II, então com 5 anos. Em 1832 foi acusado de cumplicidade numa tentativa de invadir o palácio, e o governo o destituiu no fim de 1833. Morreu em abril de 1838. Em 2018, a Lei 13.615 o declarou Patrono da Independência. Parte da historiografia destaca seu paternalismo em relação a indígenas e africanos, um limite de seu pensamento.

Como sabemos

Cronologia e ciência conferem entre Senado, Arquivo Nacional, SciELO e Brasiliana; o número de minerais e o local da morte divergem e foram tratados com nota.

Em debate: O papel de José Bonifácio é avaliado de modos diferentes. É chamado de patrono por ter articulado a Independência e por ter proposto, em 1823, o fim do tráfico e a abolição gradual. Mas sua visão sobre indígenas e africanos era paternalista, e sua proposta de abolição era gradual, e não imediata. Também há discrepância sobre o número de minerais que descobriu e sobre o local de sua morte.

Fontes

  1. Senado Notícias, Arquivo S — Ascensão e queda do Patriarca da Independência
    consultada em 04/10/2026
  2. História, Ciências, Saúde-Manguinhos (SciELO) — As atividades do naturalista José Bonifácio de Andrada e Silva em sua 'fase portuguesa' (1780-1819)
    consultada em 04/10/2026
  3. Arquivo Nacional, MAPA — José Bonifácio de Andrada e Silva
    consultada em 04/10/2026
  4. Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo — Influente, visionário e controverso: como José Bonifácio se tornou o 'patrono da Independência'
    consultada em 04/10/2026
  5. Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, USP — Representação à Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Império do Brasil sobre a escravatura
    consultada em 04/10/2026
  6. Presidência da República — Lei nº 13.615, de 11 de janeiro de 2018
    consultada em 04/10/2026
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