Ciências da Terra

Islândia: a dorsal Meso-Atlântica fora d’água sobre uma pluma, e o que a erupção de 2021 mostrou do manto

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Tectônica de placas

A Islândia é o trecho da dorsal Meso-Atlântica que fica acima do mar, e ela está sobre uma pluma do manto. Os estudos ligam plumas a mais fusão sob a dorsal e a soerguimento, e a crosta islandesa é mais espessa que a oceânica típica. A erupção de Fagradalsfjall, em 2021, a primeira em 781 anos na península de Reykjanes, trouxe lava de pelo menos três componentes do manto e mudou de composição em poucas semanas.

A dorsal Meso-Atlântica é a cadeia onde as placas Norte-Americana e Eurasiana se afastam; o post sobre dorsais oceânicas mostra a cadeia inteira, quase toda submersa. Nela, o manto sobe, derrete em parte e forma crosta nova, de cerca de 6,4 km em média no mundo. Uma pluma é uma subida localizada de rocha quente do manto, que se supõe vir de grande profundidade. Sob a Islândia, a pluma encontra a dorsal. A lava guarda a assinatura da fonte: razões entre elementos-traço, como Nb/Zr, e a proporção entre os isótopos de oxigênio, o δ18O, funcionam como impressão digital do manto de onde o magma saiu. O post sobre a cadeia do Havaí trata de uma pluma longe de qualquer dorsal; aqui a pergunta é como pluma e dorsal interagem.

Uma pausa de 781 anos

Nos últimos 4.000 anos, a península de Reykjanes teve três períodos de erupções, de 200 a 400 anos cada, separados por cerca de 800 anos de calmaria. A erupção de 2021 é lida como o início do próximo período.

Por que a dorsal aparece fora d’água

Longe da pluma, a dorsal fica sob o oceano: perto de 52°N a crosta mede 6,5 ± 0,7 km, dentro da média global de 6,38 ± 1,12 km. Perto da Islândia ela engrossa: 10 ± 1 km a 62°N, na dorsal de Reykjanes, e 15 a 20 km até o Moho na península de Reykjanes. Os trabalhos associam plumas a mais fusão sob a dorsal e a soerguimento da superfície. A relação entre espessura da crosta e altura do terreno é a leitura mais simples, mas as fontes não a medem uma a uma.

Como sabemos: lendo o manto numa lava

No estudo de 2022 foram analisadas 30 amostras de lava e tefra (cinza vulcânica) para elementos maiores e traço, e 47 amostras de vidro para δ18O, coletadas ao longo de 160 dias, de março a agosto de 2021. Razões como Nb/Zr indicam fontes enriquecidas ou empobrecidas; o δ18O, medido com precisão analítica melhor que 0,1‰, separa manto de crosta alterada pela água. Limite: a conclusão sobre os três componentes vem de diagramas de mistura calibrados com estudos anteriores, não de uma medição direta da fonte.

O que Fagradalsfjall mostrou, e o que deixou em aberto

A lava de 2021 mudou de composição mais depressa que o descrito em outras erupções basálticas: nas três primeiras semanas passou de fusões do manto mais raso para magmas de maior profundidade, vindos de uma zona de armazenamento perto do Moho. O δ18O de 5,4‰ ficou igual ao do manto "normal", ao contrário de outras erupções islandesas. Isso dá uma referência para a península de Reykjanes, mas não explica a diversidade de δ18O vista em outras partes da Islândia, que segue incerta.

A pluma não é constante

Basaltos perfurados ao sul da Islândia, em locais com 2,8 a 32,4 milhões de anos, sugerem que a influência da pluma diminuiu depois da abertura do Atlântico, colapsou há cerca de 38 milhões de anos e foi sendo restabelecida. É uma hipótese de 2026 baseada em cinco poços; explicações alternativas, como a migração da dorsal em direção à pluma, também são discutidas pelos autores.

Como sabemos

Os dados da erupção de 2021 vêm de artigos lidos por inteiro, mas a história da pluma (colapso há 38 Ma) é de um estudo de 2026 e vale como hipótese.

Em debate:

Em debate:

Fontes

  1. Nature Communications — Diverse mantle components with invariant oxygen isotopes in the 2021 Fagradalsfjall eruption, Iceland
    Autoria conforme o artigo (Nature Communications, 2022) · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41467-022-31348-7
  2. Nature Communications — Collapse and resurgence of the Iceland mantle plume
    Autoria conforme o artigo (Nature Communications, 2026) · 2026 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41467-026-71618-2
  3. Nature — Rapid shifting of a deep magmatic source at Fagradalsfjall volcano, Iceland
    Autoria conforme o artigo (Nature, 2022) · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41586-022-04981-x
  4. U.S. Geological Survey — Hotspots (This Dynamic Earth)
    U.S. Geological Survey · 1996 (página modificada em 2025) · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  5. Nature Communications — Volcanism and long-term seismicity controlled by plume-induced plate thinning
    Autoria conforme o artigo (Nature Communications, 2025) · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41467-025-62967-5
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 12; conferência de trechos automatizada)

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