Ciências da Terra
Os polos magnéticos da Terra já trocaram de lugar 183 vezes só nos últimos 83 milhões de anos
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O campo magnético da Terra não é fixo: de tempos em tempos, sua polaridade se inverte. Segundo a NASA, foram 183 inversões em 83 milhões de anos, a última há cerca de 780 mil anos. Não existe calendário: os intervalos variam muito e não há como prever a próxima. O registro está nas próprias rochas, que guardam a direção do campo da época em que se formaram.
Uma inversão não é um evento de um dia. A NASA descreve o processo como algo que se desenrola ao longo de centenas a milhares de anos, e os intervalos entre uma inversão e outra são muito desiguais: as estimativas de média vão de algumas centenas de milhares de anos a cerca de um milhão. As evidências vêm de rochas vulcânicas, que registram a orientação do campo, e do fundo do mar, onde as faixas magnéticas alternadas, estudadas desde os anos 1960, mostraram que o campo se inverteu repetidas vezes. Quanto ao efeito sobre a vida, o Serviço Geológico dos EUA não encontra correlação entre inversões e extinções em massa, e os fósseis de inversões passadas não mostram nada de extraordinário.
Uma inversão que durou só uns 500 anos
Há cerca de 41.500 anos, no evento de Laschamp, o campo enfraqueceu muito e os polos se inverteram, para voltar à posição original cerca de 500 anos depois. Por isso é chamado de excursão, não de inversão completa. Os testemunhos de gelo da Antártida e da Groenlândia não mostram mudanças importantes nesse período, segundo a NASA.
O que é uma inversão
O campo magnético da Terra é gerado no interior do planeta e tem uma polaridade, que hoje chamamos de normal. Em uma inversão, essa polaridade troca de sinal. A NASA conta 183 inversões em 83 milhões de anos, e a mais recente, chamada de Brunhes-Matuyama, ocorreu há cerca de 780 mil anos. Desde então o campo permanece na polaridade atual. As contagens vêm de registros paleomagnéticos e podem ser refinadas com novos dados.
Como as rochas guardam o campo
Rochas vulcânicas guardam uma orientação magnética que pode ser medida em laboratório, e com isso os cientistas descobrem a direção do campo na época em que a rocha se formou. Sequências de lavas e de sedimentos, em terra e no mar, mostraram polaridades opostas em camadas de idades diferentes. Com datação por potássio-argônio, foi possível reconstruir o histórico das inversões dos últimos 4 milhões de anos.
O fundo do mar em listras
No assoalho oceânico, as rochas formam faixas magnéticas alternadas, como listras de zebra. A explicação aceita é que elas registram as inversões repetidas do campo, e não variações de intensidade. As faixas foram datadas em quase todo o fundo dos oceanos, cujas partes mais antigas chegam a cerca de 180 milhões de anos, o que estende o histórico de inversões muito além do que as rochas continentais conseguem mostrar.
Quanto dura e o que muda para a vida
Uma inversão leva de centenas a milhares de anos, segundo a NASA, e a duração aparente varia conforme o local de medição. Para a vida, o Serviço Geológico dos EUA não vê correlação entre inversões e extinções em massa, e os fósseis de inversões passadas não mostram nada extraordinário. O que ninguém sabe ao certo é se um campo fraco durante a transição deixaria passar radiação suficiente para causar efeitos biológicos. Esse ponto segue em aberto.
Como sabemos
A existência e a data da última inversão estão bem estabelecidas em USGS e NASA; contagens, intervalos e durações são estimativas que variam entre fontes.
Em debate: A duração de uma inversão é debatida: a NASA fala em centenas a milhares de anos, e estudos mais recentes da última inversão sugerem períodos mais longos; o tempo aparente também varia com o local de medição.
Em debate: O intervalo médio entre inversões varia conforme a fonte e o período considerado (cerca de 300 mil a cerca de 1 milhão de anos).
Em debate: Se um campo enfraquecido durante a transição poderia afetar a vida é questão em aberto, embora não haja correlação com extinções em massa.
- Estimativa: O campo magnético da Terra se inverteu 183 vezes nos últimos 83 milhões de anos. [3]
Contagem baseada em registros paleomagnéticos; pode mudar com novos dados. - Consenso científico: A inversão mais recente (Brunhes-Matuyama) ocorreu há cerca de 780 mil anos. [3]
- Estimativa: O intervalo médio entre inversões é da ordem de centenas de milhares de anos, com grande irregularidade; o USGS fala em 'a cada milhão de anos ou mais'. [2] [3]
A NASA cita média de cerca de 300 mil anos; a divisão simples 83 milhões por 183 dá cerca de 450 mil; o USGS diz 'every million years or so'. Por isso o texto não crava um número. - Estimativa: Uma inversão acontece ao longo de centenas a milhares de anos, não de forma súbita. [3]
A duração varia com o evento e com o local de medição; estudos recentes da inversão Brunhes-Matuyama apontam durações maiores, e o assunto é debatido. - Fato estabelecido: Rochas vulcânicas registram a orientação do campo magnético da época em que se formaram. [1]
- Consenso científico: As rochas do fundo do mar formam faixas magnéticas, como listras de zebra, ligadas ao histórico de inversões do campo. [1]
- Fato estabelecido: Com datação por potássio-40 (meia-vida de 1.310 milhões de anos), reconstruiu-se o histórico das inversões dos últimos 4 milhões de anos. [1]
- Fato estabelecido: O padrão de faixas magnéticas foi datado em quase todo o fundo oceânico, com partes de até 180 milhões de anos. [1]
- Consenso científico: Não há evidência de correlação entre extinções em massa e inversões magnéticas. [2]
- Incerto: Não está claro se um campo fraco durante uma transição deixaria passar radiação solar suficiente para causar extinções. [2]
O USGS afirma que a questão está em aberto; o texto não afirma nem descarta efeitos. - Evidência forte: Fósseis de plantas e animais do período da última inversão grande não mostram mudanças importantes. [3]
- Evidência forte: Há cerca de 41.500 anos, no evento de Laschamp, o campo enfraqueceu e os polos se inverteram, voltando cerca de 500 anos depois; os testemunhos de gelo não mostram grandes mudanças. [3]
Fontes
- U.S. Geological Survey — Magnetic stripes and seafloor spreading, This Dynamic Earth
consultada em 05/10/2026 - U.S. Geological Survey — Do any mass extinctions correlate with magnetic reversals?
consultada em 05/10/2026 - NASA Science — Flip Flop: Why Variations in Earth's Magnetic Field Aren't Causing Today's Climate Change
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 3 imagem(ns) real(is) do Commons
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão