Astronomia
Terremotos de Marte revelaram um núcleo líquido; seu raio, entre 1.675 e 1.830 km, ainda é refinado
Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026
Terremotos registrados pela sonda InSight mostraram que Marte tem um núcleo líquido. A primeira medição, com ondas refletidas no limite núcleo-manto, deu raio de 1.830 ± 40 km; análises posteriores propuseram 1.780 a 1.810 km e, com uma camada de silicato fundido sobre o núcleo, 1.675 ± 30 km. O valor exato segue em debate.
Terremotos geram ondas sísmicas que se refletem e mudam de tipo ao cruzar a fronteira entre camadas; medindo quando elas chegam a um sismômetro, calcula-se a profundidade de cada fronteira. A sonda InSight colocou um sismômetro em Marte no fim de 2018 e registrou marsquakes (terremotos de Marte) de uma única estação. Sem rede de estações, os pesquisadores mediram crosta, manto e núcleo de modo indireto, ajustando modelos aos tempos de chegada das ondas e a dados geodésicos, como a resposta de maré do planeta.
A sombra do núcleo
O núcleo líquido bloqueia ondas S e cria uma "sombra" sísmica que, segundo um estudo de 2021, cobre metade da superfície de Marte e inclui a maior parte das regiões possivelmente ativas, como Tharsis.
Como sabemos: ondas refletidas e ondas que atravessam o núcleo
Em 2021, a equipe detectou reflexões de ondas sísmicas no limite núcleo-manto e as combinou com dados geodésicos [a2]. Em 2023, outra equipe achou a fase SKS, que atravessa o núcleo como onda de compressão, em dois eventos do lado oposto do planeta [a3]. Com um só sismômetro e fontes pequenas, isso foi mais difícil que na Terra [a4], e a localização dos eventos é incerta, pois depende de modelos da crosta e do manto [a15].
Crosta, manto e litosfera
Sob a InSight, a crosta tem 20 ± 5 km ou 39 ± 8 km, conforme a interface sísmica escolhida como base; os dados admitem os dois modelos [a7]. Para o manto, oito marsquakes e ondas refletidas na superfície permitiram modelar até 800 km, com litosfera térmica bem mais espessa que a da Terra [a8][a9]. Um núcleo do tamanho medido em 2021 implica um manto sem a bridgmanita que domina o manto inferior da Terra [a10].
O raio do núcleo ainda muda
Em 2021, 1.830 ± 40 km, com densidade de 5,7 a 6,3 g/cm³ [a2]. Em 2023, ondas que atravessaram o núcleo indicaram 1.780 a 1.810 km [a5], e outro estudo propôs um núcleo menor, de 1.675 ± 30 km, sob uma camada de silicato fundido de cerca de 150 km [a6]. Em 2025, uma análise interpretou sinais como núcleo interno sólido de cerca de 613 ± 67 km [a12]; é descoberta recente, sem confirmação independente nas fontes lidas.
Comparação com a Terra
Os dados sugerem um núcleo muito rico em elementos leves: se fosse ferro puro líquido, seria cerca de 27% mais denso que o observado, déficit quase três vezes o do núcleo externo terrestre [a13]. O manto marciano lembra o manto superior e a zona de transição da Terra [a10]. Já a sombra do núcleo cobre metade da superfície de Marte e pode limitar quantos marsquakes a InSight consegue ouvir [a11].
Como sabemos
A existência do núcleo líquido é bem sustentada; o raio exato e o núcleo interno seguem em debate.
Em debate: Tamanho do núcleo de Marte
- Evidência forte: O núcleo de Marte é líquido, ao menos em sua maior parte: a resposta de maré do planeta exclui um núcleo inteiramente sólido. [4] Introduction
Contexto: Síntese feita por Irving et al. (2023) de estudos geodésicos e sísmicos da InSight. · Limitações: A formulação da fonte ("mostly, if not totally") deixa em aberto a existência de um núcleo interno sólido (a12). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: A primeira medição por ondas sísmicas refletidas no limite núcleo-manto estimou o raio do núcleo líquido de Marte em 1.830 ± 40 km e a densidade média entre 5,7 e 6,3 g/cm³, o que exige muitos elementos leves dissolvidos no ferro-níquel. [1] Abstract
Contexto: Inversão conjunta de tempos de chegada de ondas sísmicas e dados geodésicos (Stähler et al., 2021). · Limitações: Estudos posteriores com outros dados e modelos obtiveram valores menores (a5, a6). · Estimativa com incerteza declarada; depende do modelo de manto adotado. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: O núcleo foi detectado de dois modos: por reflexões de ondas sísmicas no limite núcleo-manto (2021) e, em 2023, por uma fase (SKS) que atravessa o núcleo como onda de compressão, vista em dois eventos do lado oposto do planeta. [1] Abstract [4] Abstract
Contexto: Stähler et al. (2021) e Irving et al. (2023), com dados da InSight. · Limitações: Poucos eventos e sinais fracos; só dois eventos do lado oposto do planeta. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Com um único sismômetro e fontes menores que os terremotos rotineiramente detectados na Terra, observar ondas que atravessam o núcleo foi mais difícil em Marte do que na Terra. [4] Introduction
Contexto: Irving et al. (2023). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: As observações da fase SKS favoreceram um núcleo um pouco menor e mais denso que as estimativas anteriores: raio mediano de 1.780 a 1.810 km e densidade de 6,2 a 6,3 g/cm³. [4] Abstract
Contexto: Irving et al. (2023), a partir de dois eventos sísmicos no hemisfério oposto ao da sonda. · Limitações: A composição e a estrutura do manto são a principal fonte de incerteza, segundo os autores. · Duas observações apenas; resultado sujeito a revisão. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Outra análise propôs que parte do que se tomava por núcleo seria uma camada de silicato fundido de cerca de 150 km sobre um núcleo menor e mais denso, com raio de 1.675 ± 30 km. [5] Abstract
Contexto: Khan et al. (2023), que combina ondas P difratadas no limite núcleo-manto com simulações de propriedades de ligas de ferro líquidas. · Limitações: Interpretação de 2023, em contraste com os 1.830 km de 2021; sem consenso registrado nas fontes lidas. · Modelo alternativo; a camada de silicato fundido é inferida, não observada diretamente. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: No local de pouso, a crosta de Marte tem 20 ± 5 km de espessura se a segunda interface sísmica for a base da crosta, ou 39 ± 8 km se for a terceira; extrapolada com mapas de gravidade e relevo, a espessura média global fica entre 24 e 72 km. [2] Abstract
Contexto: Knapmeyer-Endrun et al. (2021): marsquakes e campo de ondas ambiente sob o ponto de pouso da InSight, com ondas refletidas e convertidas em interfaces. · Limitações: Os dados admitem dois modelos (crosta fina ou espessa); a extrapolação global usa mapas de gravidade e relevo. · Dois modelos compatíveis; não há valor único. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: Ondas P, S e ondas refletidas na superfície (PP, PPP, SS, SSS) de oito marsquakes de baixa frequência permitiram reconstruir a estrutura do interior até 800 km de profundidade. [3] Abstract
Contexto: Khan et al. (2021). · Limitações: A estrutura abaixo de 800 km depende de outras observações (a2). · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: A estrutura obtida é compatível com uma litosfera térmica muito mais espessa que a da Terra. [3] Abstract
Contexto: Khan et al. (2021), sobre a estrutura média sondada pelas ondas. · Limitações: A fonte diz "compatível com"; é inferência de modelo. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Evidência forte: O núcleo grande medido em 2021 implica um manto semelhante ao manto superior e à zona de transição da Terra, mas sem o manto inferior dominado por bridgmanita que a Terra tem. [1] Abstract
Contexto: Stähler et al. (2021). · Limitações: A conclusão depende do tamanho do núcleo; com um núcleo menor (a6), o quadro do manto inferior poderia mudar. · Conclusão condicionada ao raio de 1.830 km. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Hipótese: A "sombra" sísmica do núcleo, vista do local da InSight, cobre metade da superfície de Marte, incluindo a maior parte das regiões possivelmente ativas, como Tharsis, o que pode limitar o número de marsquakes detectáveis. [1] Abstract
Contexto: Stähler et al. (2021). · Limitações: O texto fonte formula a consequência como possibilidade ("possibly"). · A parte geométrica (sombra) é cálculo; a consequência sobre a contagem de eventos é hipótese. · Conferida na fonte (resumo), conferência automatizada - Interpretação: Uma análise de 2025 interpreta fases sísmicas (PKKP e PKiKP) como indicação de um núcleo interno sólido em Marte, de raio de cerca de 613 ± 67 km. [6] Abstract
Contexto: Estudo único e recente, com dados da InSight. · Limitações: Sem confirmação independente nas fontes lidas; a interpretação depende da identificação de fases sísmicas fracas. · Descoberta recente: não tratar como consenso. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Se o núcleo de Marte fosse de ferro puro líquido, a densidade seria cerca de 27% maior que a observada, um déficit quase três vezes o inferido para o núcleo externo líquido da Terra, o que sugere muitos elementos leves. [5] Main, "Density deficit of the Martian core"
Contexto: Khan et al. (2023), partindo do raio de 1.780 a 1.840 km e densidade em torno de 6 g/cm³. · Limitações: O déficit depende do raio e da densidade adotados; com o núcleo menor proposto pelo mesmo estudo, o déficit diminui. · Comparação feita pelos autores do estudo. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A InSight colocou um sismômetro de banda muito larga na superfície de Marte no fim de 2018. [4] Observations and Analysis
Contexto: Irving et al. (2023). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A incerteza na localização dos marsquakes é considerável, porque depende dos modelos sísmicos da crosta e do manto de Marte. [4] Observations and Analysis
Contexto: Irving et al. (2023); os dois eventos do lado oposto tiveram distâncias estimadas de 146° ± 7° e 128° ± 19°. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Science (resumo no PubMed) — Seismic detection of the martian core
Stähler, S. C. et al. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.abi7730 - Science (resumo no PubMed) — Thickness and structure of the martian crust from InSight seismic data
Knapmeyer-Endrun, B. et al. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.abf8966 - Science (resumo no PubMed) — Upper mantle structure of Mars from InSight seismic data
Khan, A. et al. · 2021 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.abf2966 - Proceedings of the National Academy of Sciences (PMC) — First observations of core-transiting seismic phases on Mars
Irving, J. C. E. et al. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2217090120 - Nature (PMC) — Evidence for a liquid silicate layer atop the Martian core
Khan, A. et al. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-023-06586-4 - Nature (PMC) — Seismic detection of a 600-km solid inner core in Mars
Bi, H. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41586-025-09361-9
Histórico de alterações
- Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 3; conferência de trechos automatizada)