Tecnologia
Gutenberg criou a imprensa de tipos móveis na Europa, mas a técnica já existia na China e na Coreia
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
Entre 1452 e 1455, em Mainz, na Alemanha, Johannes Gutenberg e seus auxiliares imprimiram a Bíblia de 42 linhas, o primeiro livro impresso na Europa com tipos móveis. A técnica de compor o texto com peças soltas já existia na Ásia: na China, com caracteres de argila no século XI; na Coreia, com tipos de metal fundido, e o Jikji, de 1377, é o livro mais antigo conhecido impresso assim. Não há prova de ligação entre elas e a invenção de Gutenberg.
A Bíblia de Gutenberg tem 1.282 páginas em dois volumes. Estima-se uma tiragem de cerca de 180 exemplares, uns 150 em papel e 30 em pergaminho. Hoje se conhecem 49 exemplares, e só quatro dos de pergaminho estão completos. Como cada comprador mandou fazer à mão a decoração e a encadernação, nenhum exemplar é igual a outro. O Jikji, impresso em 1377 no templo de Heungdeok-sa, em Cheongju, na Coreia, antecede a Bíblia em 78 anos e consta do Registro Memória do Mundo da UNESCO. Os historiadores não acharam prova de que o saber asiático tenha chegado à Europa, embora não excluam essa possibilidade.
O livro coreano que foi parar em Paris
Do Jikji, de 1377, sobrevive só o segundo volume. O cônsul francês em Seul, Victor Collin de Plancy, comprou vários livros coreanos no reinado de Gojong (1863–1907). O Jikji passou a colecionadores e entrou, em 1952, na Biblioteca Nacional da França, onde pode ser consultado on-line.
A Bíblia de 42 linhas
O Museu Gutenberg, em Mainz, considera a Bíblia de 42 linhas o ápice da obra de Gutenberg. Foi feita entre 1452 e 1455 com a ajuda de muitos auxiliares, em dois volumes de 1.282 páginas. Depois de tentativas com impressão em vermelho, só o texto passou a ser impresso, e as cores ficaram por conta de rubricadores e iluminadores contratados pelos compradores. Assim, o livro impresso se igualava, em beleza, aos manuscritos que o precederam.
O que veio antes na Ásia
No século XI, o artesão Bi Sheng fez tipos móveis de argila cozida, que eram frágeis. Por volta de 1297, Wang Zhen introduziu tipos de madeira. Na Coreia, tipos de metal fundido passaram a ser usados no início do século XIII, e a primeira fonte teria sido fundida na década de 1230. O Jikji, de 1377, impresso em Cheongju, é o mais antigo livro conhecido feito com esse método, e consta da lista Memória do Mundo da UNESCO.
Houve ligação?
Os textos consultados dizem que ninguém encontrou prova de ligação entre os tipos móveis asiáticos e os de Gutenberg, embora ela seja possível. A impressão em blocos de madeira já circulava na Europa: o exemplo datado mais antigo é uma imagem de São Cristóvão, de 1423. Para o autor da fonte, Derk Bodde, saber que já existia um processo para duplicar livros depressa e barato deve ter servido de estímulo ao passo seguinte, na Europa como na China. É uma interpretação, não um fato comprovado.
O alcance da invenção
A UNESCO observa que, a partir de Mainz, a nova tecnologia se espalhou pela Europa e pelo mundo. O museu de Mainz a descreve como um marco da história humana, que levou a uma revolução na ciência, na economia e na cultura. Quanto ao Jikji, a Biblioteca Nacional da França conserva só o segundo volume; o cônsul Collin de Plancy o levou para a França, e hoje ele está digitalizado e pode ser consultado na internet.
Como sabemos
Datas e números principais vêm de museu de Mainz, UNESCO e Biblioteca Nacional da França; a transmissão da técnica entre Ásia e Europa fica marcada como incerta.
Em debate: Há debate sobre se a técnica de Gutenberg teve algum contato com as invenções asiáticas. Os textos consultados dizem que não há prova de ligação, e que a possibilidade não é descartada.
Em debate: O título de 'primeiro' depende da definição: o Jikji (1377) é o livro mais antigo conhecido impresso com tipos de metal; a Bíblia de Gutenberg (c. 1455) é o primeiro livro impresso com tipos móveis na Europa.
- Fato estabelecido: A Bíblia de 42 linhas foi produzida em Mainz por Johannes Gutenberg, com colaboradores, entre 1452 e 1455. [1] [2]
- Consenso científico: A Bíblia de 42 linhas foi o primeiro livro impresso na Europa com tipos móveis. [2]
- Fato estabelecido: A obra tem 1.282 páginas em dois volumes. [1]
- Estimativa: Estima-se uma tiragem de cerca de 180 exemplares, 150 em papel e 30 em pergaminho. [1] [2]
Os números vêm de estimativas do museu de Mainz e do projeto da UNESCO; outras fontes falam em pelo menos 150 exemplares. - Fato estabelecido: Conhecem-se 49 exemplares da Bíblia de Gutenberg, e só quatro dos exemplares em pergaminho estão completos. [1] [2]
- Fato estabelecido: Cada comprador mandou fazer a decoração colorida e a encadernação por especialistas, por isso cada exemplar é único. [1]
- Fato estabelecido: Na China, o artesão Bi Sheng fez tipos móveis de argila cozida no século XI, e Wang Zhen introduziu tipos de madeira por volta de 1297. [4] [5]
- Estimativa: Tipos móveis de metal fundido passaram a ser usados na Coreia no início do século XIII, e a primeira fonte teria sido fundida na década de 1230. [4]
A data da primeira fonte coreana é dada como 'acredita-se'. - Fato estabelecido: O Jikji foi impresso em 1377, no templo de Heungdeok-sa, em Cheongju, com caracteres móveis de metal fundido; é o livro mais antigo conhecido impresso assim, 78 anos antes da Bíblia de Gutenberg. [3]
- Fato estabelecido: Do Jikji só o segundo volume sobrevive, e está na Biblioteca Nacional da França; o livro consta do Registro Memória do Mundo desde 4 de setembro de 2001. [3]
- Fato estabelecido: O exemplar do Jikji pertenceu ao cônsul francês Victor Collin de Plancy, passou ao colecionador Henri Vever em 1911 e entrou na Biblioteca Nacional em 1952. [3]
- Incerto: Não se achou prova de ligação entre os tipos móveis chineses e os de Gutenberg, embora a ligação não seja impossível. [5]
A fonte é um texto de divulgação reproduzido pela Universidade Columbia; historiadores discutem se houve transmissão. - Interpretação: O exemplo datado mais antigo de impressão em blocos de madeira na Europa é uma imagem de São Cristóvão, de 1423, e a existência desse processo teria servido de estímulo à invenção dos tipos móveis. [5]
A data de 1423 é fato; o papel de estímulo é a interpretação de Derk Bodde, não um consenso. - Interpretação: O desenvolvimento da impressão com tipos móveis levou a uma revolução na ciência, na economia e na cultura. [1]
É a avaliação do museu de Mainz, e a extensão desse efeito é matéria de debate historiográfico.
Fontes
- Gutenberg-Museum Mainz — The Gutenberg Bibles
consultada em 04/10/2026 - UNESCO, Memória do Mundo — 42-line Gutenberg Bible, printed on vellum, and its contemporary documentary background
consultada em 04/10/2026 - Bibliothèque nationale de France — “Jikji”, a treasure of the world of printing
consultada em 04/10/2026 - Asia for Educators, Columbia University — Printing & Movable Type, em China in 1000 CE: Song Dynasty
consultada em 04/10/2026 - Asia for Educators, Columbia University — China's Gifts to the West (Derk Bodde)
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 05/10/2026 — Galeria: 3 imagem(ns) real(is) de pessoas e lugares (Wikidata/Commons)
- Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)