Astronomia

Em 1995, o Hubble apontou para um trecho aparentemente vazio do céu e encontrou milhares de galáxias

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em dezembro de 1995, o Telescópio Espacial Hubble ficou dez dias seguidos voltado para um ponto escuro da constelação da Ursa Maior, perto do cabo da Grande Concha. A região tem o tamanho de um alfinete visto à distância de um braço, cerca de um décimo terceiro do diâmetro da Lua cheia. O resultado, o Hubble Deep Field, juntou 342 exposições e mostrou cerca de 3 mil galáxias, a maioria nunca vista antes.

O campo foi escolhido justamente por parecer vazio: sem estrelas próximas nem objetos brilhantes que ofuscassem galáxias muito fracas e numa zona do céu que o Hubble consegue observar continuamente. A ideia foi de Robert Williams, então diretor do Instituto do Telescópio Espacial (STScI), que usou parte do tempo discricionário do diretor e reuniu uma equipe por quase um ano de preparação. As exposições, feitas entre 18 e 28 de dezembro de 1995 com a câmera WFPC2, em luz azul, vermelha e infravermelha, foram combinadas em uma só imagem. Muitas galáxias estavam quase 30ª magnitude, cerca de 4 bilhões de vezes mais fracas do que o olho humano consegue ver. A contagem inicial foi de pelo menos 1.500 galáxias; estimativas posteriores, mais cuidadosas, chegam a cerca de 3 mil.

A imagem que ganhou sucessoras

O mesmo método voltou em campos ainda mais profundos. O Hubble Ultra Deep Field, de 2004, na constelação do Forno, reúne cerca de 10 mil galáxias, e o eXtreme Deep Field, de 2012, soma dez anos de observações e mostra cerca de 5.500. Nelas se veem galáxias como eram meio bilhão de anos após o Big Bang.

A aposta

Williams controlava uma parcela do tempo do Hubble, o tempo discricionário do diretor, e decidiu gastá-lo numa exposição longa em um ponto sem nada aparente. Montou uma equipe e passou quase um ano preparando a observação.

Por que aquele ponto

Era preciso um trecho sem estrelas próximas nem objetos brilhantes e em uma zona do céu que o telescópio pudesse observar continuamente, sem interferência de Terra, Sol ou Lua. A Ursa Maior, perto do cabo da Grande Concha, atendia a tudo isso.

O que apareceu

A imagem reúne galáxias espirais, elípticas e muitas formas irregulares, em vários estágios de evolução. Williams disse à época que os dados poderiam ser a dupla hélice da formação de galáxias. Algumas das galáxias vistas existiam há mais de 10 bilhões de anos, e a luz levou esse tempo para chegar.

Os campos que vieram depois

O Ultra Deep Field, de 2004, usou a Câmera Avançada para Levantamentos e apontou para a constelação do Forno, com uma exposição de um milhão de segundos. O eXtreme Deep Field, de 2012, combinou dez anos de dados. Nesses campos aparecem galáxias vistas cerca de meio bilhão de anos depois do Big Bang.

Como sabemos

Dados da observação confirmados na divulgação original e em duas páginas institucionais; só a contagem de galáxias varia por critério.

Fontes

  1. NASA Science — Hubble's Deep Fields
    consultada em 04/10/2026
  2. NASA / STScI (comunicado de 1996) — Hubble's Deepest View of the Universe Unveils Bewildering Galaxies across Billions of Years
    consultada em 04/10/2026
  3. ESA/Hubble — The Hubble Deep Fields
    consultada em 04/10/2026
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