Fenômenos naturais
Como Luke Howard deu nome às nuvens em 1803 e como seu sistema virou o Atlas Internacional de Nuvens
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Em 1803, Luke Howard, farmacêutico de profissão e meteorologista amador, publicou na Inglaterra um sistema que dava nomes em latim às nuvens a partir de três formas básicas: cirrus, cumulus e stratus. Outros observadores acrescentaram nomes e a altura como critério; os atlas internacionais, desde 1896, fixaram os dez gêneros que a OMM mantém hoje, num site desde 2017.
Antes de Howard, as formas de nuvem quase não tinham vocabulário comum. O francês Lamarck publicou uma classificação um ano antes, mas, segundo o prefácio do Atlas de 1939, seus nomes parecem não ter sido usados por ninguém. Howard escolheu palavras do latim e um critério simples: poucas formas básicas e as combinações entre elas. Desse esquema saiu, em etapas, o sistema atual, com dez gêneros agrupados por altura e subdivididos em espécies e outras características. Este artigo conta como o sistema nasceu e foi ajustado; o mecanismo físico de formação das nuvens é assunto do artigo sobre como uma nuvem se forma.
Alto não quer dizer nuvem alta
Em latim, alto significa "alto", mas altocumulus e altostratus são nuvens de nível médio. O prefixo serve para separá-las de cumulus e stratus, que são nuvens de nível baixo e feitas de gotas líquidas.
O que Howard propôs
Howard distinguiu três classes fundamentais, cirrus, cumulus e stratus, e derivou as demais por transição ou associação. Percebeu que muitas nuvens misturam traços de duas categorias e propôs combinações entre elas, origem dos nomes compostos de hoje. Montou os nomes com palavras latinas ou latinizadas. O Atlas Internacional atribui a Howard (1803), até onde se sabe, a primeira menção de cirrus, cumulus, stratus, cirrocumulus e cirrostratus.
Um antecedente e uma falha conhecida
Lamarck publicou em francês, em 1802, uma classificação anterior; o prefácio do Atlas de 1939 diz que sua nomenclatura parece não ter sido usada por ninguém. Esse mesmo prefácio aponta uma fraqueza em Howard: o stratus não é definido pelo estado físico das partículas e pode ocorrer em qualquer altitude, então não é uma classe da mesma ordem que cirrus e cumulus.
Quem completou os dez nomes
Segundo a lista de primeiras menções do Atlas, stratocumulus vem de Kaemtz (1840), altocumulus e altostratus de Renou (1870 e 1877), cumulonimbus de Weilbach (1880) e nimbostratus da Comissão Internacional para o Estudo das Nuvens (1930). Pela lista, nimbostratus foi o último dos dez a aparecer. Os dez gêneros atuais, portanto, são obra de várias gerações, e não de Howard sozinho.
Da lista de nomes ao atlas
Em 1887, Hildebrandsson e Abercromby juntaram os costumes existentes dentro do esquema de Howard e deram peso à altura, com quatro níveis. Uma conferência em Munique (1891) recomendou o esquema, e o primeiro Atlas Internacional saiu em 1896, com 28 pranchas coloridas e texto em três idiomas. Novas edições vieram em 1932, 1939 e, pela OMM, em 1956 (dois volumes).
O atlas hoje
A edição de 2017 é um site, a primeira configuração eletrônica do Atlas, feita em parte porque atlas alternativos na web ameaçavam a padronização mundial. Manteve todas as classificações e incluiu uma espécie, cinco características suplementares e uma nuvem acessória. Os dez gêneros se agrupam em níveis alto (cirrus, cirrocumulus, cirrostratus), médio e baixo, conforme a altura em que costumam estar.
Como sabemos
Os fatos históricos vêm de documentos da OMM, do Met Office e da NOAA lidos por inteiro; a atribuição de cada nome é a primeira menção conhecida pelo Atlas, não necessariamente a primeira absoluta.
- Fato estabelecido: Luke Howard, farmacêutico de profissão e meteorologista amador, publicou na Inglaterra, em 1803, uma classificação de nuvens que fez grande sucesso e é a base da classificação usada hoje. [2] Preface to the 1939 edition, 1º parágrafo [4] Texto da página
Contexto: Classificação de Howard (1803) e sua relação com o sistema da OMM. · Limitações: O prefácio de 1939 fala do sistema "existente" naquela data; a página do Met Office afirma a continuidade até hoje. A grafia "meteorolgist" é do original. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Howard distinguiu três classes fundamentais, cirrus, cumulus e stratus, das quais derivou todas as outras por transição ou associação. [2] Preface to the 1939 edition, 1º parágrafo
Contexto: Esquema de Howard segundo o prefácio do Atlas de 1939. · Limitações: É a leitura do prefácio de 1939 sobre o trabalho de 1803, não o texto original de Howard. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Howard notou que as nuvens costumam ter traços de duas ou mais categorias, como cirrus e stratus, e propôs combinações entre as formas básicas; para a NOAA, isso foi o ponto de partida dos dez tipos básicos atuais. [5] Página "Ten Basic Clouds"
Contexto: Observação de Howard resumida pela NOAA. · Limitações: A NOAA fala em "core four" (quatro formas básicas); o prefácio do Atlas de 1939 fala em três classes fundamentais. As contagens dependem de como se trata o nimbus. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Howard montou sua nomenclatura (cumulus, stratus, cirrus e outros) com palavras do latim ou latinizadas. [4] Texto da página
Contexto: Nomenclatura de Howard segundo o Met Office. · Limitações: A grafia "simbus" é do original da página. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O Atlas Internacional de Nuvens registra, até onde se sabe, a primeira menção de cirrus, cumulus, stratus, cirrocumulus e cirrostratus no trabalho de Howard, de 1803. [1] Entrada Cumulus
Contexto: Lista histórica de primeiras menções mantida pela OMM. · Limitações: Cirrus, cirrocumulus e cirrostratus também aparecem com a data "Howard 1803" nas entradas do mesmo apêndice; cirrocumulus e cirrostratus trazem ainda Renou 1855. A atribuição vale "até onde se sabe", nas palavras do Atlas. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O naturalista francês Lamarck publicou uma classificação de nuvens antes, em 1802, mas seu vocabulário não pegou; segundo o prefácio de 1939, sua nomenclatura parece não ter sido usada por ninguém. [6] Foreword to the 1987 edition, 1º parágrafo [2] Preface to the 1939 edition, 1º parágrafo
Contexto: Antecedente francês de Howard. · Limitações: O prefácio de 1939 sugere como causa os nomes franceses incomuns e a publicação num anuário que trazia previsões astrológicas; é conjectura do próprio prefácio. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O stratus de Howard não é definido pelo estado físico das partículas e pode aparecer em qualquer altitude; por isso não é uma classe da mesma ordem que cirrus e cumulus. [2] Preface to the 1939 edition, 1º parágrafo
Contexto: Crítica do prefácio de 1939 ao esquema original de Howard. · Limitações: É julgamento histórico do prefácio, escrito 136 anos depois do trabalho de Howard. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os outros nomes dos dez gêneros vieram depois: stratocumulus com Kaemtz (1840), altocumulus com Renou (1870), altostratus com Renou (1877), cumulonimbus com Weilbach (1880) e nimbostratus com a Comissão Internacional para o Estudo das Nuvens (1930). [1] Entrada Nimbostratus
Contexto: Primeiras menções conhecidas de cada gênero, segundo o Atlas. · Limitações: A data é a da primeira menção conhecida, não necessariamente a do uso corrente. Que nimbostratus (1930) seja o último dos dez a aparecer é leitura nossa da lista. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 1887, Hildebrandsson e Abercromby publicaram uma classificação que conciliava os costumes existentes dentro do esquema de Howard e dava peso à altura como critério, agrupando as nuvens em quatro níveis. [2] Preface to the 1939 edition
Contexto: Esquema de 1887, ancestral direto do sistema internacional. · Limitações: As alturas médias dos quatro níveis foram fixadas "provisoriamente" a partir de medições feitas na Suécia. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A fotografia entrou na classificação em 1879, com um atlas de 16 fotos de Hildebrandsson em Uppsala; uma conferência em Munique (1891) recomendou o esquema de 1887 e o primeiro Atlas Internacional saiu em 1896, com 28 pranchas coloridas e texto em francês, alemão e inglês. [2] Preface to the 1939 edition
Contexto: Do esquema de 1887 ao primeiro atlas internacional. · Limitações: "Primeiro a usar fotografia" é atribuição do prefácio de 1939. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Antes de propor o esquema de 1887, Abercromby deu duas voltas ao mundo para verificar que as formas de nuvem eram as mesmas em toda parte, fato que o prefácio de 1939 considera verdadeiro apenas em primeira aproximação. [2] Preface to the 1939 edition
Contexto: Verificação de universalidade das formas de nuvem no século XIX. · Limitações: O prefácio não detalha as viagens nem as observações; o resultado "só em primeira aproximação" é o julgamento do próprio Atlas. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Depois do atlas de 1896, a Comissão Internacional para o Estudo das Nuvens publicou uma nova edição em 1932, e a OMM, criada em 1951, lançou em 1956 um Atlas em dois volumes. [6] Foreword to the 1987 edition, 3º parágrafo
Contexto: Edições do Atlas Internacional entre 1896 e 1956. · Limitações: Datas e títulos seguem o prefácio de 1987; o Atlas cita ainda uma edição abreviada de 1930 (CEN). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A edição de 2017 do Atlas Internacional de Nuvens passou a existir como site, a primeira vez que o Atlas foi configurado para acesso eletrônico, em parte porque atlas alternativos na web ameaçavam a padronização global; a OMM definiu que ele deve continuar sendo a fonte primária e autorizada da classificação. [3] Foreword to the 2017 edition
Contexto: Revisão do Atlas Internacional de Nuvens pela OMM, 2013 a 2017. · Limitações: A ameaça à padronização é a justificativa dada pela própria OMM no prefácio. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A revisão de 2017 manteve todas as classificações existentes e acrescentou uma espécie (volutus), cinco características suplementares (asperitas, cauda, cavum, fluctus e murus) e uma nuvem acessória (flumen). [3] Foreword to the 2017 edition
Contexto: Mudanças formais de classificação na edição de 2017. · Limitações: Os nomes mantêm o latim; o Atlas distingue gêneros (os dez nomes principais) de espécies e de características suplementares. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os dez tipos básicos usados hoje se dividem em três níveis: cirrus, cirrocumulus e cirrostratus no alto; altocumulus, altostratus e nimbostratus no nível médio; cumulus, stratocumulus, stratus e cumulonimbus no baixo. O prefixo alto vem do latim "alto", mas marca nuvens de nível médio. [5] Seção Mid-Level Clouds
Contexto: Classificação por altura da base, a partir do Atlas Internacional de Nuvens da OMM. · Limitações: A NOAA nota que o cumulonimbus se estende bem acima do nível baixo e que altostratus e nimbostratus podem chegar ao nível alto; o nível indica onde a nuvem costuma ter a base. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- Organização Meteorológica Mundial (OMM) — Appendix 3 - History of cloud nomenclature (International Cloud Atlas)
Organização Meteorológica Mundial (OMM) · 2017 · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Organização Meteorológica Mundial (OMM) — Preface to the 1939 edition (International Cloud Atlas, History of the ICA)
Comissão Internacional para o Estudo das Nuvens; reproduzido pela OMM · 1939 · Fonte histórica primária · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Organização Meteorológica Mundial (OMM) — Foreword to the 2017 edition (International Cloud Atlas)
Organização Meteorológica Mundial (OMM) · 2017 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Met Office (serviço meteorológico do Reino Unido) — Luke Howard, On the Modification of Clouds 1803
Met Office, Biblioteca e Arquivo Nacional de Meteorologia · sem data · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - NOAA / National Weather Service — Ten Basic Clouds (JetStream)
National Weather Service, NOAA · sem data · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 - Organização Meteorológica Mundial (OMM) — Foreword to the 1987 edition of volume II (International Cloud Atlas, History of the ICA)
G. O. P. Obasi, Secretário-Geral da OMM; reproduzido pela OMM · 1987 · Fonte histórica primária · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)