Matemática

Hipátia de Alexandria: matemática e astrônoma, morta por uma multidão em 415

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Hipátia ensinou matemática, astronomia e filosofia em Alexandria e foi morta por uma multidão cristã em março de 415. O que se sabe de sua ciência é pouco: editou textos de outros, como o livro III do comentário de seu pai Teon ao Almagesto, e a tradição lhe atribui comentários a Diofanto e a Apolônio. Nenhum deles chegou até nós como obra dela. Sua morte não tem relação com a Biblioteca: o Serapeu fora demolido 24 anos antes.

Hipátia nasceu em Alexandria, entre 350 e 370, filha do matemático Teon, o último membro conhecido do Museu da cidade. Aprendeu com ele e se tornou professora de matemática e de filosofia neoplatônica; alunos vinham de longe, e o historiador Sócrates Escolástico diz que ela falava em público diante dos magistrados. Das obras, só restam títulos e referências. Sua fama vem sobretudo do ensino e da edição de textos, e não de resultados novos. Em março de 415, no meio da disputa entre o prefeito Orestes e o bispo Cirilo, uma multidão liderada por um leitor da igreja chamado Pedro a arrastou até o Cesáreo e a matou. A versão em que ela morre defendendo a Biblioteca é invenção posterior.

O pedido do hidroscópio

Entre as cartas de seu aluno Sínesio de Cirene, a de número 15 pede que ela mande fazer um "hidroscópio", com especificações detalhadas. O instrumento mede o peso da água; os estudiosos o leem como um densímetro (hidrômetro), embora o termo costume significar relógio de água.

Uma matemática de ensino e edição

Na Antiguidade tardia a pesquisa original dera lugar à conservação. Teon, o pai, é lembrado como editor e autor de livros-texto, e foi justamente a obra dele que sobreviveu em grande parte. Hipátia seguiu o mesmo caminho: editou, comentou e ensinou. Deakin argumenta que o que se preservou foi o que servia de manual, e que ela se destaca de Teon sobretudo como professora, não como autora de resultados novos. Isso não a diminui: sem editores como eles, muita matemática grega não teria chegado até hoje.

O astrolábio e o hidroscópio

Sínesio de Cirene escreve que projetou um astrolábio com a ajuda da sua mestra, e pede a ela, na carta 15, um hidroscópio. As duas passagens mostram que ela era procurada para construir instrumentos. Mas não a tornam inventora: a teoria da projeção estereográfica, que sustenta o astrolábio plano, já aparece em Ptolomeu, e o próprio Teon escreveu sobre o pequeno astrolábio. O papel dela foi transmitir e aplicar esse conhecimento.

A morte e a política da cidade

A narrativa mais completa é a de Sócrates Escolástico: em março de 415, uma multidão liderada por Pedro, o leitor, a tirou do caminho de casa, a levou ao Cesáreo e a matou. O contexto era a disputa entre Orestes, prefeito de Alexandria, e Cirilo, o bispo. Sócrates diz que o crime trouxe descrédito a Cirilo e à Igreja local. Se o bispo mandou ou não matá-la é debatido. Para Rist, ela foi pega por ser figura pública do outro lado de uma divisão religiosa.

Hipátia e a Biblioteca: o mito

Em versões populares, Hipátia morre defendendo a Biblioteca de Alexandria. As fontes não dizem isso. O Serapeu, templo que abrigava uma biblioteca-filha, foi demolido por uma multidão cristã por volta de 391, 24 anos antes. A grande Biblioteca do Museu já decaíra bem antes, e o destino dela é assunto à parte. Hipátia ensinava numa escola neoplatônica, instituição diferente do Museu, e Sócrates não menciona livros ao contar a sua morte.

Como sabemos

Morte, ensino e a ligação com Teon e Sínesio estão em fontes antigas; o texto marca como controverso o que ela escreveu e quem a mandou matar.

Em debate: Quanto do livro III do comentário ao Almagesto é de Hipátia

Em debate: Quem responde pela morte

Em debate: O comentário a Diofanto sobreviveu?

Fontes

  1. Michael A. B. Deakin, The American Mathematical Monthly 101(3), março de 1994, p. 234-243 — Hypatia and Her Mathematics
    consultada em 06/10/2026
  2. Sócrates Escolástico (século V), tradução em New Advent — Church History, Book VII, cap. 15: Of Hypatia the Female Philosopher
    consultada em 06/10/2026
  3. MacTutor History of Mathematics, Universidade de St Andrews — Hypatia
    consultada em 06/10/2026
  4. Encyclopedia.com — Hypatia, em Complete Dictionary of Scientific Biography
    consultada em 06/10/2026
  5. Encyclopaedia Romana, Universidade de Chicago (Penelope) — The Library in the Serapeum
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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