Astronomia
O hexágono de Saturno: uma corrente de jato de seis lados, vista há mais de 40 anos
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Em torno do polo norte de Saturno corre uma corrente de jato que desenha um hexágono com cerca de 30 mil km de largura e ventos de cerca de 320 km/h. Foi vista pelas sondas Voyager em 1980–1981 e a Cassini a observou de perto décadas depois. Não é uma tempestade comum: é uma onda na própria corrente, e os seis lados podem nascer só da dinâmica de fluidos em rotação.
O hexágono foi identificado em imagens das sondas Voyager 1 e 2, entre 1980 e 1981. Décadas depois, a Cassini mostrou que ele continua lá. Segundo a NASA, o desenho é uma corrente de jato ondulante com cerca de 30 mil km de largura, ventos de cerca de 322 km/h e uma tempestade giratória no centro. Os vértices completaram uma volta em 10 h 39 min 23 s, medido em 2008–2014. Para a NASA, nenhum outro fenômeno meteorológico do Sistema Solar é exatamente igual. Um furacão terrestre dura cerca de uma semana; o hexágono dura décadas, talvez séculos. Saturno não tem relevo sólido para perturbar o escoamento, o que pode ajudar a forma a se manter.
Seis lados em um tanque de água
Em 2010, Ana Aguiar e Peter Read, em Oxford, usaram um tanque giratório de 60 cm de largura com água e glicerina. Ao variar a diferença de rotação entre as partes, obtiveram hexágonos, mas também triângulos, quadrados e ovais.
Uma corrente de jato, não uma nuvem
O hexágono é o desenho de uma corrente de jato que ondula em torno do polo norte, com ventos de cerca de 322 km/h. No centro há uma tempestade giratória. Chamá-lo de tempestade de seis lados é um atalho: o que tem seis lados é o caminho do jato, não uma massa de nuvens. A NASA o descreve como jato ondulante com cerca de 30 mil km de largura.
Uma onda que quase não anda
Medidas de 1980 a 2014 mostram que os vértices completam uma volta em 10 h 39 min 23 s no período de 2008–2014. Nos anos 1980 e 1990 o giro era cerca de 3,5 s mais rápido. A interpretação publicada é a de uma onda de Rossby aprisionada na corrente de jato, com origem profunda na atmosfera.
O tanque de Oxford
Aguiar e Read usaram um tanque de 60 cm de largura e 10 cm de profundidade, com água e glicerina e partes giratórias. Quando a diferença de rotação cresceu, surgiram ondulações na fronteira e, numa faixa de parâmetros, seis lados. Com outras diferenças, vieram ovais, triângulos e quadrados.
O que ainda falta
O experimento mostra que seis lados podem surgir sozinhos, mas não prova que Saturno funcione assim. O próprio Peter Read diz que o resultado demonstra a possibilidade. Modelos de convecção profunda também geram polígonos, mas com número de lados diferente em simulações publicadas.
Como sabemos
Os fatos observacionais vêm da NASA e de artigos revisados; a origem física é apresentada como explicação em debate.
Em debate:
- Fato estabelecido: O hexágono foi visto pela primeira vez em imagens das sondas Voyager 1 e 2, em 1980 e 1981. [2] [4]
- Fato estabelecido: O hexágono é uma corrente de jato ondulante com cerca de 30 mil km (20 mil milhas) de largura e ventos de cerca de 322 km/h, com uma tempestade giratória no centro. [1]
- Fato estabelecido: Segundo a NASA, nenhum fenômeno meteorológico exatamente igual é conhecido em outro lugar do Sistema Solar. [1]
- Fato estabelecido: Os vértices do hexágono completaram uma volta em 10 h 39 min 23,01 s (±0,01 s) em 2008–2014; nos anos 1980 e 1990 o período foi cerca de 3,5 s menor. [4]
- Evidência forte: O hexágono persiste há pelo menos 40 anos, com deriva muito pequena em relação ao referencial de rotação de Saturno. [4] [5]
- Fato estabelecido: O hexágono está perto de 78°N, onde há um dos gradientes de velocidade do vento mais fortes do planeta. [2]
Outras fontes citam 76°N a 78°N, conforme se meça o jato ou a borda do hexágono. - Teoria científica: O hexágono é interpretado como uma onda de Rossby aprisionada verticalmente na corrente de jato polar. [4]
- Interpretação: A estabilidade ao longo das estações sugere que o hexágono tem raízes profundas na atmosfera. [4]
Inferência dos autores; profundidade não medida diretamente. - Fato estabelecido: Em 2010, Aguiar e Read, em Oxford, produziram polígonos, incluindo um hexágono, num tanque giratório de 60 cm de largura e 10 cm de profundidade, com água e glicerina e partes girando em velocidades diferentes. [2] [3]
- Fato estabelecido: No experimento, variar a diferença de rotação gerou outras formas, como ovais, triângulos e quadrados; os autores dizem que o trabalho não prova que Saturno forme o hexágono pelo mesmo processo, só que poderia. [2] [3]
- Fato estabelecido: A hipótese antiga de que uma tempestade solitária mantinha o hexágono como onda estacionária perdeu força porque a Cassini não viu tal tempestade. [2]
- Fato estabelecido: Dentro do hexágono há menos partículas de névoa grandes e mais partículas pequenas do que fora dele. [1]
- Hipótese: Um modelo numérico de convecção profunda reproduziu polígonos quando vórtices gigantes apertam a corrente de jato. [5]
Simulação; o modelo produziu polígonos de 9 lados, não de 6.
Fontes
- NASA/JPL — NASA's Cassini Spacecraft Obtains Best Views of Saturn Hexagon
consultada em 06/10/2026 - The Planetary Society — Emily Lakdawalla: a laboratory recreation of Saturn's hexagon
consultada em 06/10/2026 - Phys.org (comunicado da Universidade de Oxford) — Fluid clue to Saturn's hexagon
consultada em 06/10/2026 - Sánchez-Lavega et al., Universidad del País Vasco — The long-term steady motion of Saturn's hexagon and the stability of its enclosed jet stream under seasonal changes
consultada em 06/10/2026 - PubMed Central — Simulação de convecção profunda e formação do hexágono de Saturno
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão