Astronomia

Heliossismologia: como as ondas sonoras do Sol revelam o que há dentro dele

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

O Sol vibra como um sino. Ondas sonoras geradas pela turbulência perto da superfície ficam presas no interior e fazem a superfície subir e descer, com período típico de cerca de 5 minutos. São cerca de 10 milhões de modos de oscilação. Medindo suas frequências, astrônomos inferem a velocidade do som, a rotação e a composição de camadas que nenhuma sonda pode visitar.

O interior do Sol é opaco à luz, então a superfície não mostra o que acontece abaixo dela. A heliossismologia contorna isso: as ondas sonoras viajam para dentro, são refratadas porque a velocidade do som cresce com a temperatura e voltam à superfície. Cada modo percorre um caminho diferente e carrega a assinatura das camadas que atravessou. Instrumentos como a rede GONG, com seis estações na Terra, e o instrumento HMI, a bordo do Solar Dynamics Observatory, medem o efeito Doppler em todo o disco solar. Comparar as frequências observadas com modelos permite localizar a base da zona convectiva, em cerca de 0,713 do raio solar, e mapear como o interior gira.

O Sol muda de tom com o ciclo de atividade

As frequências das oscilações variam cerca de 1 parte em 10 mil ao longo do ciclo solar, e são mais altas no máximo de atividade. O tom do Sol acompanha o campo magnético da superfície.

Por que o Sol vibra

A turbulência das correntes de convecção perto da superfície produz ondas sonoras de forma contínua. Parte delas fica presa no interior e forma ondas estacionárias, como as de uma corda ou de um tubo de órgão. O resultado são milhões de modos simultâneos, que se somam na superfície em um movimento de poucos minutos por ciclo. A fonte foi identificada por argumentos teóricos em 1970 e confirmada por observações em 1975.

Por que as ondas voltam

Conforme descem, as ondas encontram regiões mais quentes, onde o som viaja mais depressa. Isso desvia a trajetória até ocorrer reflexão interna total, e a onda retorna à superfície. Ondas de modos diferentes chegam a profundidades diferentes, o que dá ao conjunto a capacidade de amostrar quase todo o interior, como sismógrafos fazem com a Terra.

O que já se descobriu

A base da zona convectiva fica em 0,713 ± 0,003 do raio solar. Abaixo dela o interior gira quase como corpo sólido, e a tacoclina marca a transição para a rotação diferencial. A sismologia também indicou Y = 0,248 ± 0,002 de hélio na zona convectiva, o que sustenta que o hélio se assenta lentamente no Sol, e uma idade sísmica de 4,5 ± 0,10 bilhões de anos.

Um sino que muda com o ciclo

As frequências dos modos sobem e descem cerca de 1 parte em 10 mil ao longo do ciclo de atividade, sendo mais altas no máximo solar. A variação mostra que o campo magnético afeta também as camadas onde as ondas se propagam, e transforma o monitoramento das oscilações em um acompanhamento do interior solar ao longo dos anos.

Como sabemos

Fatos centrais confirmados em fontes da NASA, NSO, PNAS e revisão técnica; valor de hélio é de 1999.

Fontes

  1. NASA Marshall Space Flight Center, Solar Physics — Solar Oscillations and Helioseismology
    consultada em 06/10/2026
  2. Proceedings of the National Academy of Sciences (PMC) — Helioseismology: Probing the interior of a star (Demarque e Guenther, 1999)
    consultada em 06/10/2026
  3. arXiv — Helioseismology over the solar cycle (revisão)
    consultada em 06/10/2026
  4. National Solar Observatory (NSO) — GONG: Global Oscillation Network Group
    consultada em 06/10/2026
  5. NASA Goddard — SDO Instruments: HMI
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 3 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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