Astronomia
Heliopausa: como as Voyager perceberam que saíram da bolha do Sol
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
A heliopausa é a fronteira onde o vento solar, quente e rarefeito, encontra o meio interestelar, frio e mais denso. A Voyager 1 a cruzou em 25 de agosto de 2012, a cerca de 121 a 122 UA do Sol, e a Voyager 2 em 5 de novembro de 2018, a cerca de 119 UA. Não há marco no espaço: o que indicou a passagem foram os instrumentos, com o vento solar sumindo, os raios cósmicos galácticos aumentando e a densidade do plasma subindo.
O Sol sopra continuamente partículas carregadas, o vento solar, que inflam ao redor dele uma bolha chamada heliosfera. A certa distância, o vento perde velocidade no choque de terminação (a Voyager 1 passou por ele em dezembro de 2004, a 94 UA; a Voyager 2, em agosto de 2007, a 84 UA) e segue pela heliobainha até a heliopausa, onde o vento solar encontra o meio entre as estrelas. Uma UA é a distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de km. Como a fronteira não tem marca visível, os cientistas a identificam por sinais medidos de dentro: partículas do Sol que somem, raios cósmicos de fora que aumentam e plasma mais denso.
A confirmação levou cerca de 13 meses
O instrumento de plasma da Voyager 1 não funcionava em 2012. Só entre abril e maio de 2013 as ondas de plasma registraram densidade de cerca de 0,08 elétron por cm³, compatível com o meio interestelar, e permitiram datar a travessia em retrospecto.
Camadas antes do limite
No choque de terminação o vento solar passa de velocidade supersônica a subsônica, porque começa a empurrar o meio interestelar. A região seguinte, a heliobainha, ainda é dominada pelo campo magnético e pelas partículas do Sol. A Voyager 1 levou cerca de oito anos entre o choque (2004) e a heliopausa (2012), e a Voyager 2 cerca de onze (2007 a 2018). A heliobainha, portanto, tem espessura diferente em cada direção.
Por que a travessia da Voyager 1 demorou a ser confirmada
Em 2012 os detectores de partículas registraram a mudança, mas o instrumento de plasma não funcionava e não havia medida direta de densidade. A prova veio com as ondas de plasma de abril e maio de 2013. Ao comparar a rampa de densidade entre outubro de 2012 e maio de 2013 com previsões, os cientistas situaram a passagem em agosto de 2012.
Voyager 2 e o instrumento que faltava
A Voyager 2 chegou à heliopausa com o instrumento de plasma funcionando, o que a NASA considerou valioso porque o da gêmea parara de operar. A queda do vento solar e o salto de densidade foram vistos de modo direto, e os instrumentos de raios cósmicos, de partículas e o magnetômetro concordaram com a conclusão da travessia.
O que a coincidência de distâncias sugere
As duas sondas cruzaram a fronteira a distâncias muito próximas, perto de 119 e 122 UA, apesar de trajetórias diferentes. Isso sugere uma bolha relativamente regular nesses dois pontos. O campo magnético interestelar medido, de cerca de 5 e 7 microgauss, é um dado que modelos de heliosfera precisam reproduzir. A forma global ainda depende de mais medidas.
Como sabemos
Datas, instrumentos e sinais vêm de NASA, Universidade de Iowa, AAAS e revisão na PNAS; distâncias variam levemente e foram dadas em faixa.
Em debate:
- Fato estabelecido: A heliopausa é o ponto onde o vento solar, quente e tênue, encontra o meio interestelar, frio e denso. [3]
- Fato estabelecido: A Voyager 1 cruzou a heliopausa em 25 de agosto de 2012, a cerca de 121 a 122 UA do Sol. [1] [2] [4]
As fontes dão 121,6, 122 e 122,6 UA; o texto usa a faixa de 121 a 122 UA. - Fato estabelecido: A Voyager 2 cruzou a heliopausa em 5 de novembro de 2018, a cerca de 119 UA do Sol. [1] [3] [5]
Valores publicados: 119,0 UA e 119,7 UA. - Fato estabelecido: Na Voyager 1, as partículas de alta energia de origem solar desapareceram e os raios cósmicos intensificaram-se na época da travessia. [1] [4]
- Fato estabelecido: Ondas de plasma medidas pela Voyager 1 em abril e maio de 2013 indicaram densidade eletrônica de cerca de 0,08 por cm³, compatível com o meio interestelar. [4]
- Evidência forte: Uma rampa de densidade entre outubro de 2012 e maio de 2013, comparada com previsões, ajudou a situar a travessia em agosto de 2012. [4]
- Fato estabelecido: O instrumento de plasma da Voyager 1 não funcionava na travessia, e a confirmação levou cerca de 13 meses. [1]
- Fato estabelecido: Na Voyager 2, o instrumento de plasma registrou queda acentuada na velocidade do vento solar em 5 de novembro de 2018 e, depois, ausência de fluxo de vento solar. [3]
- Fato estabelecido: Na Voyager 2, o aumento da densidade do plasma foi medido diretamente e coincidiu com a subida dos raios cósmicos galácticos e a queda das partículas heliosféricas. [1] [5]
- Fato estabelecido: Os instrumentos de raios cósmicos, de partículas de baixa energia e o magnetômetro da Voyager 2 concordaram com a travessia. [3]
- Fato estabelecido: O choque de terminação foi cruzado pela Voyager 1 em dezembro de 2004, a 94 UA, e pela Voyager 2 em agosto de 2007, a 84 UA. [2]
- Estimativa: O campo magnético interestelar medido foi de cerca de 5 microgauss pela Voyager 1 e cerca de 7 pela Voyager 2. [1]
Valores aproximados dados na revisão da PNAS. - Interpretação: A distância de travessia quase igual, apesar de trajetórias distintas, sugere heliosfera de forma relativamente esférica nesses pontos. [5] [1]
Inferência de dois pontos apenas; a forma global da heliosfera depende de mais medidas.
Fontes
- PNAS / PubMed Central — Voyager still breaking barriers decades after launch (News Feature)
consultada em 06/10/2026 - NASA Science — Interstellar Mission
consultada em 06/10/2026 - NASA — NASA's Voyager 2 Probe Enters Interstellar Space
consultada em 06/10/2026 - AAAS — Science: Voyager 1 Now Probing Unexplored Region of Space
consultada em 06/10/2026 - Universidade de Iowa — Voyager 2 reaches interstellar space
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 3 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +2 imagem(ns)
- Versão 2 · 06/10/2026 — Capa trocada na conferência: imagem de abertura ligada ao assunto do título
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão