Química
Harrison Brown, o geoquímico que sugeriu a Patterson medir o chumbo dos meteoritos
Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026
Harrison Brown (1917-1986) separou plutônio no Projeto Manhattan e, em Chicago, passou a estudar a química dos meteoritos. Concebeu a ideia de medir o chumbo primordial em meteoritos de ferro e incentivou Clair Patterson a fazê-lo, o que levou a cerca de 4,5 bilhões de anos para o Sistema Solar e a Terra. Em 1954 publicou um livro sobre o futuro industrial da humanidade.
Brown nasceu em Sheridan, Wyoming, e formou-se em química em Berkeley (1938). Em 1942 foi chamado ao Laboratório Metalúrgico de Chicago, onde, com Orville Hill, mostrou que o plutônio podia ser separado do urânio por evaporação de fluoretos; depois trabalhou em Oak Ridge. Voltou a Chicago em 1946 como professor e passou a estimar a abundância dos elementos no Sistema Solar a partir de meteoritos. Entre seus alunos estavam Edward Goldberg, George Tilton e Clair Patterson. Em 1951 mudou-se para o Caltech como professor de geoquímica, e Patterson o seguiu. Brown conseguiu o apoio e as instalações de que o trabalho de chumbo de Patterson precisava, e esse trabalho resultou na idade da Terra.
Uma tonelada de granito contra 15 de carvão
Depois que trabalhos de Tilton sugeriram que boa parte do urânio do granito podia ser extraída com ácido diluído, Brown estimou que o urânio e o tório de uma tonelada de granito rendiam energia equivalente a cerca de 15 toneladas de carvão.
Plutônio em Chicago e Oak Ridge
Em 1942, Seaborg levou Brown ao Laboratório Metalúrgico de Chicago. Com Orville Hill, ele mostrou que o plutônio podia ser separado do urânio por evaporação gasosa de fluoretos. Em Oak Ridge, no local X-10, desenvolveu métodos para isolar gramas de plutônio, um caminho de reserva ao da separação química líquida. Ali assinou a petição por uma demonstração pública da bomba antes de seu uso. Em 1946 publicou Must Destruction Be Our Destiny?, alerta sobre armas atômicas.
Meteoritos como amostra do Sistema Solar
Em Chicago, Brown passou a estimar as abundâncias relativas dos elementos no Sistema Solar pela composição dos meteoritos. Orientou Goldberg, Tilton e Patterson, cada um com um método novo de medida em quantidades mínimas: análise por ativação de nêutrons, diluição isotópica para urânio e chumbo ultrassensível. Esses dados de abundância serviram depois a modelos de estrutura nuclear, como o modelo de camadas de Maria Mayer, segundo o memorial da Academia.
A ideia do chumbo primordial
Meteoritos de ferro têm traços de chumbo e quase nenhum urânio, então o chumbo deles deveria ter a composição do chumbo primordial. Brown concebeu esse raciocínio e incentivou Patterson a medi-lo. O desafio era a contaminação: as quantidades eram milhares de vezes menores que nos estudos anteriores. Brown obteve verbas e instalações, e Patterson o seguiu ao Caltech. O método detalhado está em outro post, sobre a medida de Patterson.
O livro de 1954 e a vida pública
Em The Challenge of Man's Future, Brown sustentou que um mundo dividido entre poucos países industrializados ricos e uma maioria agrária pobre era instável. Ou as nações agrárias se industrializavam, ou a civilização das máquinas ruiria. O sucesso exigiria população estável, agricultura e indústria sustentáveis, paz e liberdade. Brown ajudou a organizar as Conferências Pugwash e, de 1962 a 1974, foi secretário para o exterior da Academia Nacional de Ciências dos EUA.
Como sabemos
Biografia e papel na idade da Terra confirmados em memoriais da Academia Nacional de Ciências e no perfil da Atomic Heritage; conteúdo detalhado do livro de 1954 só em resumo.
- Fato estabelecido: Harrison Brown nasceu em 26 de setembro de 1917 em Sheridan, Wyoming, e morreu em 8 de dezembro de 1986. [1] [3]
- Fato estabelecido: Em 1942, Glenn Seaborg o recrutou para o Laboratório Metalúrgico da Universidade de Chicago, para separar plutônio do urânio. [1] [3]
- Fato estabelecido: Com Orville Hill, Brown mostrou que o plutônio podia ser separado do urânio por evaporação gasosa de fluoretos; depois trabalhou em Oak Ridge (X-10). [1] [3]
- Fato estabelecido: Em Oak Ridge, Brown assinou uma petição por uma demonstração pública da bomba antes de seu uso contra o Japão. [3]
- Fato estabelecido: De volta a Chicago em 1946, Brown estimou abundâncias de elementos no Sistema Solar a partir da composição de meteoritos. [1]
- Fato estabelecido: Brown concebeu a ideia de medir chumbo primordial em meteoritos de ferro, que têm traços de chumbo e quase nenhum urânio, e incentivou Patterson a fazê-lo. [1] [2]
- Fato estabelecido: Brown obteve apoio financeiro e instalações para o trabalho de Patterson, e este o seguiu para o Caltech depois do pós-doutorado em Chicago. [1] [2]
- Fato estabelecido: Patterson usou a troilita do meteorito Canyon Diablo; a separação química foi no Caltech e a espectrometria de massa no laboratório de Mark Inghram, em Chicago. [2]
- Fato estabelecido: O resultado, cerca de 4,5 bilhões de anos (depois refinado para 4,55), era muito maior que os 3,3 bilhões então citados a partir de galenas. [2]
- Fato estabelecido: Brown foi professor de geoquímica no Caltech a partir de 1951 e foi eleito para a Academia Nacional de Ciências dos EUA em 1955. [1]
- Fato estabelecido: The Challenge of Man's Future (Viking, 1954) defendia que a divisão entre uma minoria industrializada rica e uma maioria agrária pobre era instável. [1]
- Fato estabelecido: Brown escreveu que, se as nações agrárias não se industrializassem, o colapso da civilização das máquinas produziria um mundo agrário de pobreza e miséria praticamente universais. [1]
Paráfrase de frase citada no memorial da Academia. - Estimativa: Brown estimou que o urânio e o tório de uma tonelada de granito equivaliam, em energia, a cerca de 15 toneladas de carvão. [1]
Estimativa dele, relatada no memorial; não é valor de uso prático. - Fato estabelecido: Entre 1962 e 1974 Brown foi secretário para o exterior da Academia Nacional de Ciências, voltando o cargo para o desenvolvimento científico da África, Ásia e América Latina. [1]
O memorial dá 12 anos no total. - Fato estabelecido: Nos últimos anos de vida, mesmo com paralisia progressiva, foi editor-chefe do Bulletin of the Atomic Scientists e escrevia editoriais mensais sobre frear a corrida armamentista. [1] [3]
Fontes
- National Academy of Sciences — Harrison Brown, 1917-1986 (Biographical Memoirs, v. 65), por Roger Revelle
consultada em 11/10/2026 - National Academy of Sciences — Clair Cameron Patterson, 1922-1995 (Biographical Memoirs)
consultada em 11/10/2026 - Atomic Heritage Foundation / Nuclear Museum — Harrison S. Brown
consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 2 · 11/10/2026 — primeira versão
- Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão