Paleontologia

A Grande Mortandade: a extinção do fim do Permiano, a maior já registrada, há cerca de 252 milhões de anos

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Há cerca de 252 milhões de anos, no fim do Permiano, desapareceram mais de 96% das espécies marinhas e cerca de 70% das terrestres, segundo estimativas de pesquisadores do MIT. É a maior extinção em massa conhecida. A pista principal é o vulcanismo das Armadilhas da Sibéria, que lançou gases de efeito estufa e aqueceu o planeta.

O fim do Permiano marca a maior extinção em massa do registro fóssil. Os efeitos foram maiores nos oceanos, onde a maioria dos invertebrados marinhos da época sumiu. As datações indicam que as erupções na região das Armadilhas da Sibéria, na Rússia, começaram cerca de 300 mil anos antes da extinção, e que o magma ocorreu antes e durante o colapso. Estudos de 2017 apontam que o pulso inicial de intrusões de rocha (sills) aquecia camadas de sedimento ricas em material orgânico e carbonatos e liberava gases em grande volume. Os detalhes de quanto cada mecanismo contribuiu ainda são pesquisados, e a recuperação levou milhões de anos.

A vida levou milhões de anos para se reorganizar

Algumas linhagens, como os amonoides, se recuperaram em 1 a 3 milhões de anos, mas ecossistemas complexos e estáveis só voltaram cerca de 8 a 9 milhões de anos depois, no Triássico Médio.

A escala da perda

Estimativas apontam que mais de 96% das espécies marinhas e cerca de 70% das terrestres sumiram. Esses números vêm de contagens no registro fóssil, que é incompleto, por isso são aproximações. O que não se discute é a ordem de grandeza: nenhuma outra extinção conhecida teve efeito tão amplo, e o impacto foi maior nos oceanos.

O gatilho vulcânico

As Armadilhas da Sibéria cobrem uma vasta área da Rússia. Datações por urânio-chumbo indicam que as erupções começaram cerca de 300 mil anos antes da extinção. Segundo o MIT, dois terços do magma saíram antes e durante o colapso, o resto em 500 mil anos. Um estudo de 2017 sugere que o pulso inicial de sills foi o intervalo mais letal, por aquecer sedimentos e liberar gases.

Oceanos sem ar

Um modelo publicado na Science em 2018 indica que a superfície tropical aqueceu cerca de 10 °C e que o oceano perdeu cerca de 80% do oxigênio. Água mais quente guarda menos oxigênio, e animais aquecidos precisam de mais. Os mais afetados foram os de altas latitudes; espécies tropicais, já adaptadas a calor e pouco oxigênio, sobreviveram melhor.

Uma recuperação em etapas

A crise não terminou de uma vez. Aquecimento, acidificação e anoxia se repetiram por 5 a 6 milhões de anos. Os amonoides voltaram a se diversificar em 1 a 3 milhões de anos, mas ecossistemas complexos só se firmaram 8 a 9 milhões de anos depois da crise. Dessa reconstrução surgiram répteis marinhos, crustáceos decápodes e, mais tarde, os dinossauros.

Como sabemos

Data, escala e ligação com o vulcanismo estão bem apoiadas; percentuais exatos e o peso de cada mecanismo são estimativas.

Em debate: Há consenso de que o vulcanismo siberiano foi o gatilho, mas a importância relativa de aquecimento, perda de oxigênio, acidificação e outros efeitos ainda é debatida.

Fontes

  1. MIT News — Siberian Traps and the end-Permian extinction (notícia sobre pesquisa de Burgess e Bowring)
    consultada em 06/10/2026
  2. USGS (Burgess, Muirhead, Bowring; Nature Communications, 2017) — Initial pulse of Siberian Traps sills as the trigger of the end-Permian mass extinction
    consultada em 06/10/2026
  3. University of Washington (Penn et al., Science, 2018) — Biggest extinction in Earth's history caused by global warming leaving ocean animals gasping for breath
    consultada em 06/10/2026
  4. University of Bristol (Chen e Benton, Nature Geoscience, 2012) — The timing and pattern of biotic recovery following the end-Permian mass extinction
    consultada em 06/10/2026
  5. UCMP, Universidade da Califórnia em Berkeley — The Permian Period
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
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