Astronomia

A Grande Mancha Vermelha: tempestade de Júpiter com pelo menos 190 anos, hoje bem menor que em 1879

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

A Grande Mancha Vermelha é um vórtice de nuvens em Júpiter, com ventos anti-horários de cerca de 450 km/h na borda e uns 14.000 km no eixo maior, um pouco mais que o diâmetro da Terra. Em 1879 media cerca de 39.000 km. Medições da sonda Juno indicam que ela se estende até cerca de 500 km abaixo do topo das nuvens. Júpiter não tem superfície sólida para frear o movimento, e a mancha segue visível.

Júpiter é um planeta de gás e líquido, sem chão. A Grande Mancha Vermelha gira em sentido anti-horário, como um anticiclone. Durante muito tempo se disse que ela tinha mais de 300 anos, ligando-a à "Mancha Permanente" que Cassini e outros registraram entre 1665 e 1713. Um estudo de 2024, baseado em registros históricos e simulações, concluiu que a mancha atual provavelmente se formou há pelo menos 190 anos e que a antiga desapareceu entre meados do século XVIII e o XIX. Desde então a mancha encolheu e ficou mais redonda. Ninguém sabe ainda se vai se estabilizar ou se desfazer ao atingir um tamanho crítico.

Menos de metade do tamanho de 1879

Em 1879 a mancha tinha cerca de 39.000 km no eixo maior; hoje tem cerca de 14.000 km. Observações do Hubble em 2014 sugeriram que pequenos redemoinhos alimentando a tempestade poderiam estar acelerando a mudança, mas isso era uma hipótese.

Um vórtice sem chão

Júpiter é feito sobretudo de gás e líquido e não tem superfície sólida. A NASA aponta que, sem nada sólido para frear as tempestades, as manchas do planeta podem durar muitos anos. A Grande Mancha Vermelha gira em sentido anti-horário e, na periferia, os ventos chegam a 450 km/h. É um redemoinho enorme, estável por décadas, cujo limite de vida ainda não se conhece.

Quão fundo ela vai

Em duas passagens dedicadas, a sonda Juno mediu pequenas variações no campo de gravidade sobre a mancha. Os resultados, publicados em outubro de 2021, indicam que a tempestade se estende por cerca de 500 km abaixo do topo das nuvens, e permitiram estimar sua massa pela primeira vez. Estudos citam profundidades entre 300 e 500 km. É uma camada fina em relação ao raio de Júpiter, mas muito profunda para uma tempestade.

A idade em disputa

Cassini descreveu uma Mancha Permanente entre 1665 e 1713. Depois houve um longo intervalo sem registros claros. Em 1831, Schwabe desenhou uma estrutura oval na mesma latitude. O estudo de 2024 de Sánchez-Lavega e colegas concluiu que a mancha atual surgiu há pelo menos 190 anos e que a antiga desapareceu. Por isso, afirmar "mais de 300 anos" para esta mancha é, no mínimo, discutível.

Encolhendo e arredondando

A mancha tinha cerca de 39.000 km em 1879 e hoje tem cerca de 14.000 km. As medidas do Hubble mostram queda contínua, de cerca de 21.000 km em 1995 para cerca de 16.500 km em 2014, e ela ficou mais circular. Em 2014 se levantou a hipótese de que pequenos redemoinhos acelerassem o processo. Se ela vai se estabilizar ou se desfazer, ninguém sabe.

Como sabemos

Tamanho, ventos e profundidade vêm de NASA e de estudo revisado; a idade é tratada como debate, com o texto cauteloso.

Em debate:

Fontes

  1. NASA Science — Jupiter's Great Red Spot
    consultada em 06/10/2026
  2. American Geophysical Union (comunicado sobre estudo de Sánchez-Lavega et al., Geophysical Research Letters, 2024) — Jupiter's Great Red Spot is not the same one Cassini observed in 1600s
    consultada em 06/10/2026
  3. NASA — NASA's Hubble Shows Jupiter's Great Red Spot Is Smaller Than Ever Measured
    consultada em 06/10/2026
  4. Instituto Weizmann de Ciência — Jupiter's Great Red Spot Measured in Depth for the First Time
    consultada em 06/10/2026
  5. NASA Science — Jupiter Facts
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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