Química

Victor Goldschmidt, pioneiro da geoquímica, dividiu os elementos em quatro grupos e escapou do nazismo

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

O mineralogista Victor Moritz Goldschmidt (1888–1947) é apontado como um dos fundadores da geoquímica moderna. Estudando meteoritos e o resíduo da fundição de cobre, ele concluiu que os elementos se separam conforme sua afinidade por ferro, sulfetos, silicatos ou gases, e os classificou em siderófilos, calcófilos, litófilos e atmófilos. Judeu, foi perseguido na Noruega ocupada, escapou da deportação em 1942 e fugiu para a Suécia e a Grã-Bretanha.

Goldschmidt nasceu em Zurique, em 1888, e cresceu em Oslo, onde o pai assumiu a cátedra de química. Aos 26 anos tornou-se professor de mineralogia e petrologia na universidade da cidade. Em 1917 passou a dirigir o laboratório norueguês de matérias-primas, e o trabalho de achar minerais escassos o levou à química dos cristais. Entre 1923 e 1938 publicou nove monografias, as Geochemische Verteilungsgesetze der Elemente, sobre como os elementos se distribuem na Terra. A pergunta central era por que cada elemento aparece onde aparece. A resposta combinava o tamanho dos íons, a carga e a preferência por ferro, enxofre ou oxigênio. Ele também estudou meteoritos e escórias de fundição como modelos da Terra primitiva.

Urnas de olivina

Goldschmidt mandou fazer de olivina, um mineral formado de magnésio, ferro e silício, as urnas para suas cinzas e as dos pais. Quase quarenta anos depois da sua morte, as cinzas foram parar numa sepultura sem identificação em Oslo.

Quatro grupos, quatro destinos

Goldschmidt separou os elementos pela companhia que preferem. Os siderófilos, como a platina, o paládio e o ouro, acompanham o ferro metálico. Os calcófilos preferem o enxofre e formam sulfetos. Os litófilos, como o potássio, ficam nos silicatos e se concentram na crosta. Os atmófilos formam o ar. A divisão vale como tendência: vários elementos aparecem em mais de um grupo conforme o ambiente.

A régua do tamanho do íon

Ao medir raios iônicos, Goldschmidt mostrou que um íon só substitui outro num cristal se tiver tamanho e carga parecidos. Por isso o estrôncio acompanha o cálcio e o bário é mais raro no mesmo mineral. As regras de 1937 resumem esse raciocínio, com exceções conhecidas, e explicam por que certos elementos raros ficam escondidos dentro de minerais comuns.

Da Alemanha à Noruega ocupada

Em Göttingen, Goldschmidt chegou a ter uma placa à porta do escritório avisando que judeus não eram desejados. Voltou a Oslo em 1935 e ali publicou a nona parte da série. Com a ocupação alemã, foi preso duas vezes e escapou por pouco da deportação no navio Donau, graças a colegas e a um mecânico que defenderam o valor de sua pesquisa.

Exílio e legado

Na Grã-Bretanha, trabalhou em Aberdeen e escreveu seu tratado Geochemistry. Voltou à Noruega em 1946, doente, e morreu em março de 1947. O livro ficou em rascunho e foi concluído por Alex Muir, saindo em 1954. A Geochemical Society dá hoje, em seu nome, o prêmio de maior prestígio da área.

Como sabemos

Biografia e classificação batem em fontes abertas; ficaram de fora a cápsula de cianeto, a autoria das regras de raio iônico e detalhes datados da contração dos lantanídeos.

Fontes

  1. Geochemical Society — Victor Moritz Goldschmidt
    consultada em 11/10/2026
  2. ScienceNorway.no — Why are the ashes of one of Norway's most important scientists in an unmarked grave?
    consultada em 11/10/2026
  3. Store norske leksikon — Victor Moritz Goldschmidt
    consultada em 11/10/2026
  4. University of Waterloo — Goldschmidt's Classification of the Elements
    consultada em 11/10/2026
  5. Smith College, Departamento de Geociências — Goldschmidt's Rules (Trace elements)
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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