História do Brasil

A Cidade de Goiás nasceu em 1727 como Arraial de Sant'Anna, foi capital até 1937 e é Patrimônio Mundial desde 2001

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Fundada em 1727 por Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o Anhanguera, como Arraial de Sant'Anna, a atual Cidade de Goiás nasceu do ciclo do ouro e foi a capital do estado até 1937. Seu centro histórico, protegido pelo Iphan em 1978, foi inscrito pela UNESCO em 2001: um traçado orgânico de cidade mineradora, ajustado ao vale do Rio Vermelho, com arquitetura simples e coerente.

O centro histórico se estende entre duas séries de colinas, ao longo do Rio Vermelho. Na margem direita, de caráter popular, fica a igreja do Rosário, tradicionalmente reservada aos escravizados. Na esquerda ficam a matriz de Santana, hoje catedral, o Palácio do Governador, o quartel e a Casa de Fundição. Para a UNESCO, o conjunto é exemplo de cidade europeia adaptada ao clima, à geografia e à cultura da América do Sul central, feita com materiais e técnicas locais. Depois da mineração, a cidade passou por uma longa estagnação a partir do século XIX, e isso preservou a paisagem urbana quase sem alterações até tempos recentes. Em 2003 o perímetro protegido ganhou 300 imóveis e seis chácaras, que formam um cinturão verde.

A doceira que virou poeta

Cora Coralina nasceu em Goiás em 1889, saiu da cidade em 1911 e voltou em 1956, para viver como doceira. Publicou o primeiro livro, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, em 1965, aos 76 anos. Sua casa virou museu em 20 de agosto de 1989, o dia em que ela completaria 100 anos.

O arraial do ouro

A origem de Goiás liga-se às bandeiras, expedições mais ou menos oficiais que saíam de São Paulo para explorar o interior. A Prefeitura registra a fundação em 1727, por Bartolomeu Bueno da Silva Filho, como Arraial de Sant'Anna. Segundo a UNESCO, foi o primeiro núcleo urbano oficialmente reconhecido e o primeiro planejado a oeste da linha de Tordesilhas. A cidade foi capital do estado até 1937 e mantém um conjunto colonial de grande relevância histórica.

Duas margens, duas funções

O Rio Vermelho divide o centro em dois mundos. Na margem direita, encostada nas colinas do noroeste, ficam as áreas populares e a igreja do Rosário, que a tradição reservava aos escravizados. Na esquerda ficam os grupos de edifícios mais representativos: a matriz de Santana, o Palácio do Governador, o quartel e a Casa de Fundição, até a Praça do Chafariz. O traçado, diz a UNESCO, é exemplo do desenvolvimento orgânico de uma cidade mineradora.

Proteção e título

A proteção federal do centro histórico veio em 1978, embora edifícios isolados já fossem protegidos desde os anos 1950. Em 2001 a UNESCO o inscreveu como Patrimônio Mundial pelos critérios ii e iv, numa área de 40,3 hectares. Por recomendação do Icomos, o perímetro foi ampliado em 2003 com 300 imóveis e seis chácaras, formando um cinturão verde. A UNESCO observa que o turismo modesto ajudou a preservar manifestações como música, poesia e gastronomia locais.

Cora e a cidade

Cora Coralina estudou em casa, com pouca escolaridade formal, e aos 14 anos já publicava sob pseudônimo. Viveu longe de Goiás e voltou em 1956, quando passou a fazer doces para viver. Foi o reconhecimento de Carlos Drummond de Andrade, em 1979, que a levou ao público nacional; em 1983 recebeu o título de doutora honoris causa da UFG e o prêmio Juca Pato, sendo a primeira mulher a vencê-lo. A cidade e a infância nela são temas recorrentes de sua obra.

Como sabemos

Datas de fundação, capital e inscrição conferem entre a UNESCO e a Prefeitura; a biografia de Cora Coralina vem da Enciclopédia Itaú Cultural e da Agência Brasil.

Fontes

  1. UNESCO, Centro do Patrimônio Mundial — Historic Centre of the Town of Goiás
    consultada em 04/10/2026
  2. Prefeitura Municipal da Cidade de Goiás — Projeto 300 Anos: Cidade de Goiás (1727-2027)
    consultada em 04/10/2026
  3. Enciclopédia Itaú Cultural — Cora Coralina
    consultada em 04/10/2026
  4. Agência Brasil (EBC) — Patrimônio Mundial, Cidade de Goiás evoca poesia de Cora Coralina
    consultada em 04/10/2026
  5. Google Arts & Culture, parceiro Museu Casa de Cora Coralina — Museu Casa de Cora Coralina
    consultada em 04/10/2026
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