Arqueologia

Göbekli Tepe: círculos de pilares de pedra erguidos há cerca de 11,5 mil anos, antes da agricultura

Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

No sudeste da Turquia, Göbekli Tepe guarda recintos circulares de pilares de calcário em forma de T, alguns com cerca de 5 m de altura e várias toneladas. Foram erguidos a partir de meados do 10º milênio a.C., por grupos que, pelas evidências, ainda não plantavam nem criavam animais. O sítio desafia a ideia de que monumentos só viriam depois das aldeias agrícolas.

Os recintos da camada mais antiga têm um par de grandes pilares no centro, cercado por pilares menores voltados para dentro. Muitos têm relevos de raposas, leões, escorpiões e abutres. Prospecções geofísicas indicam pelo menos 16 outros círculos ainda soterrados. Entre os restos encontrados predominam ossos de animais selvagens, sobretudo gazelas, e não há lareiras nem fossas de lixo como numa aldeia. Por isso muitos especialistas veem no lugar um centro ritual, talvez frequentado por pessoas vindas de longe. Outros pesquisadores discordam e veem atividades domésticas no sítio. O debate sobre a função continua aberto, e a escavação cobre só uma pequena parte do monte.

Primeiro, um cemitério medieval

Nos anos 1960, pesquisadores das universidades de Chicago e de Istambul visitaram o monte, viram lascas de calcário e o tomaram por um cemitério medieval abandonado. Só em 1994 o arqueólogo alemão Klaus Schmidt foi até lá e reconheceu um sítio da Idade da Pedra; as escavações começaram em 1995.

Da suspeita de cemitério à escavação

Na década de 1960, uma prospecção regional de pesquisadores da Universidade de Chicago e da Universidade de Istambul passou pelo monte e concluiu que ele guardava um cemitério medieval. Em 1994, Klaus Schmidt, do Instituto Arqueológico Alemão, leu a menção no relatório e foi ver o lugar. No ano seguinte voltou com cinco colegas e achou os primeiros megálitos, alguns tão rasos que tinham marcas de arado. Schmidt trabalhou no sítio por mais de uma década, e a equipe do instituto continua as escavações.

Pedra, relevo e escala

Cada recinto da camada mais antiga tem dois pilares centrais em T, cercados por pilares menores voltados para dentro. Os mais altos chegam a cerca de 5 m, e um dos anéis tem perto de 20 m de diâmetro. Nas faces largas aparecem raposas, leões, escorpiões e abutres em relevo. Prospecções geofísicas apontam ao menos 16 outros círculos soterrados numa área de cerca de 9 hectares. Os construtores não tinham metal nem cerâmica, segundo o escavador Klaus Schmidt.

Quando foi construído

O Instituto Arqueológico Alemão distingue duas camadas: a III, com os recintos circulares, e a II, com construções menores de planta retangular. Pontas de projétil típicas do Neolítico Pré-Cerâmico A ajudam a situar a camada III. Uma amostra de argamassa da parede do Recinto D, datada por radiocarbono, cai entre 9745 e 9314 a.C. (calibrado). Os recintos foram depois aterrados de propósito, e as datas do aterro variam, de modo que o fim de uso de cada um ainda não é consenso.

Templo, casa ou as duas coisas

A ausência de lareiras e fossas de lixo, junto com a abundância de ossos de gazela, levou Schmidt e muitos colegas a ver um lugar de reunião ritual, ao qual grupos viriam de longe. Em 2011, Ted Banning, da Universidade de Toronto, propôs outra leitura: sinais de lascamento de pedra e de preparo de comida sugerem moradores, e arte monumental também aparece em casas em sociedades documentadas pela etnografia. Britannica nota ainda que construir o sítio exigiria muita gente alimentada no mesmo lugar, o que pode ter pedido assentamento.

Como sabemos

Idade, arquitetura e arte são bem documentadas por fontes do Instituto Arqueológico Alemão e da imprensa institucional; a função é apresentada como debate.

Em debate: Função do sítio: para Klaus Schmidt e a maior parte dos escavadores, um centro ritual de caçadores-coletores, sem moradia permanente. Ted Banning (2011) defendeu que os recintos podem ter sido casas e que havia população residente, e que arte e monumentalidade não bastam para provar um templo.

Em debate: Datação: as datas do reboco e do carvão indicam a construção em meados do 10º milênio a.C., mas o aterramento posterior dificulta saber quando cada recinto foi abandonado.

Fontes

  1. Encyclopaedia Britannica — Göbekli Tepe
    consultada em 04/10/2026
  2. Smithsonian Magazine (Smithsonian Institution) — Gobekli Tepe: The World's First Temple?
    consultada em 04/10/2026
  3. Göbekli Tepe Research Project, Instituto Arqueológico Alemão (DAI) — How old is it? Dating Göbekli Tepe
    consultada em 04/10/2026
  4. Universidade de Toronto, via ScienceDaily (sobre Banning, Current Anthropology, 2011) — Archaeologist argues world's oldest temples were not temples at all
    consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 5 imagem(ns) real(is) do Commons
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