Oceanografia

Giros oceânicos: o vento empurra, o Coriolis desvia e a fronteira oeste concentra a corrente

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Giros oceânicos são sistemas de correntes que circulam em torno de uma bacia: cinco grandes, no sentido horário no Hemisfério Norte e anti-horário no Sul. Vêm dos ventos (alísios e ventos de oeste) combinados à rotação da Terra. São assimétricos porque a variação do Coriolis com a latitude concentra o retorno numa corrente estreita e forte a oeste, como a Corrente do Golfo.

A rotação da Terra desvia o que se move: para a direita no Hemisfério Norte, para a esquerda no Sul. O vento arrasta a camada superficial do mar, e o transporte de água resultante, o transporte de Ekman, fica desviado em relação ao vento. Nas faixas dos alísios e dos ventos de oeste, isso afunda água no centro dos giros subtropicais. No interior, o fluxo médio depende do rotacional do vento (balanço de Sverdrup). Esse balanço não vale junto à costa oeste, onde a corrente se concentra. A circulação profunda, a esteira transportadora, tem artigo próprio; aqui é só a superfície.

A mesma corrente, 150 ou 30 sverdrups?

Notas de um curso do MIT citam 150 Sv de transporte real na Corrente do Golfo contra 30 Sv previstos pelo balanço de Sverdrup. O sverdrup vale 1 milhão de m³ por segundo. A diferença avisa: a teoria simples vale no interior, não na fronteira.

O vento empurra, a rotação desvia

Os alísios sopram de nordeste para sudoeste no Hemisfério Norte; mais ao norte reinam os ventos de oeste. O vento arrasta a água da superfície, e a rotação da Terra desvia o resultado: o transporte de Ekman integrado fica à direita da tensão do vento. Nos giros subtropicais isso leva a afundamento, nos subpolares a ressurgência. O conjunto dá o sentido horário no norte e anti-horário no sul. Não há giro no equador.

Sverdrup no interior, Stommel e Munk na borda

No interior do giro, o fluxo meridional integrado na vertical é determinado pelo rotacional do vento. Esse balanço não vale junto à costa oeste, onde outro equilíbrio precisa atuar. Stommel (1948), com atrito de fundo, e Munk (1950), com viscosidade horizontal, mostraram que a variação do Coriolis com a latitude, o efeito beta, produz uma corrente estreita e intensa a oeste. Na versão de Munk, ela sai ainda mais estreita.

Como sabemos, e o que ainda se discute

A teoria vem de modelos idealizados: oceano retangular, fundo plano, atrito simples. Notas do MIT apontam que o transporte real da Corrente do Golfo (150 Sv) supera o previsto por Sverdrup (30 Sv). Simulações globais indicam que, na fronteira oeste, o torque da pressão sobre o fundo equilibra o rotacional do vento, e não o atrito. E, em 2001, a evidência observacional do balanço de Sverdrup ainda era julgada insuficiente, mesmo no Atlântico Norte.

Como sabemos

A descrição geral vem de NOAA, MIT e de um artigo de 2001 lidos na íntegra; a teoria vem de modelos idealizados e os artigos originais de Stommel e Munk não foram lidos.

Fontes

  1. NOAA National Ocean Service — What is a gyre?
    NOAA National Ocean Service · 2026 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. NOAA National Ocean Service Education — Boundary Currents (Currents Tutorial)
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. NOAA National Ocean Service Education — Surface Ocean Currents (Currents Tutorial)
    NOAA National Ocean Service · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. Massachusetts Institute of Technology (OpenCourseWare) — Course notes 6: stress in the ocean, Sverdrup balance, Munk and Stommel gyres (12.808)
    MIT OpenCourseWare, Introduction to Observational Physical Oceanography · 2004 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. Journal of Physical Oceanography — Why Western Boundary Currents in Realistic Oceans are Inviscid: A Link between Form Stress and Bottom Pressure Torques
    Hughes, C. W.; de Cuevas, B. A. · 2001 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 4; conferência de trechos automatizada)

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