Zoologia
A girafa tem sete vértebras no pescoço, como quase todo mamífero, e pressão arterial perto de 200 mmHg
Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026
O pescoço da girafa (Giraffa camelopardalis) tem sete vértebras cervicais, o número que quase todos os mamíferos têm. O que mudou foi o comprimento de cada uma e o resto do sistema circulatório. O cérebro fica a mais de 2 m acima do coração, e a pressão arterial média medida em girafas é de cerca de 200 mmHg, o que parece necessário para manter perto de 100 mmHg a pressão de perfusão no alto das artérias carótidas.
Preguiças e peixes-boi são as exceções conhecidas à regra dos sete ossos cervicais nos mamíferos. A girafa não é exceção: alonga as sete vértebras que já tinha, e a primeira vértebra torácica ganhou formato que lembra uma cervical, o que aumenta a mobilidade do pescoço. O custo está na circulação. Em adultos de até 4,5 m de altura, a distância entre cabeça e coração passa de 2 m. O coração tem massa dentro do intervalo típico de um mamífero, com parede espessa e câmara ventricular esquerda pequena. Nas veias jugulares, estudos com girafas sul-africanas contaram válvulas que impedem o refluxo de sangue para a cabeça. Como o fluxo se mantém quando ela baixa e levanta o pescoço ainda é tema de estudo.
Válvulas definidas antes do nascimento
Pesquisadores da Universidade de Pretória contaram 396 válvulas em 60 veias jugulares de 25 girafas adultas e 5 fetos. O número por veia varia muito, de 2 a 13, e não difere entre adultos e fetos: ele já está definido antes do nascimento.
Sete ossos, mas esticados
Nos mamíferos, a contagem de vértebras cervicais quase não varia: a conservação é atribuída a uma forte seleção estabilizadora. Preguiças e peixes-boi são as exceções conhecidas. A girafa fica dentro da regra: tem as mesmas sete vértebras, só que cada uma é muito mais longa. A diferença de comprimento do pescoço vem do tamanho dos ossos, não da quantidade.
Uma torácica que trabalha como cervical
Um estudo de 2021 comparou a forma 3D das vértebras na transição entre pescoço e tronco em ruminantes e camelídeos. Na girafa, a primeira vértebra torácica tem formato que lembra uma cervical, algo que não aparece no okapi nem no extinto Sivatherium. A análise de amplitude de movimento indica que isso dá ao pescoço mais mobilidade de flexão e extensão. É a hipótese da elongação funcional.
Pressão feita para a altura
A revisão de Aalkjær e Wang (Universidade de Aarhus) reúne estudos que registram pressão arterial média de cerca de 200 mmHg. Esse valor parece ser o necessário para manter perto de 100 mmHg de pressão de perfusão no alto das carótidas. Os autores discutem como vasos, coração e rim se ajustam a isso. O coração, em massa, fica no intervalo típico de um mamífero, com parede espessa.
Válvulas nas veias e o debate do sifão
O grupo de Graham Mitchell, da Universidade de Pretória, descreveu as válvulas das jugulares, que parecem impedir o refluxo do sangue para a cabeça. Já o papel de um sifão, em que o sangue descendo ajudaria a puxar o que sobe, é debatido: um estudo de 2022 com ultrassom viu a jugular colapsar com a cabeça erguida e concluiu que o sifão não funciona ao longo de todo o pescoço.
Como sabemos
Os fatos de anatomia e a pressão de cerca de 200 mmHg têm fonte sólida; o mecanismo de manutenção do fluxo cerebral ainda é debatido.
Em debate: Um estudo preliminar com ultrassom em uma girafa viu a jugular colapsar com a cabeça erguida e concluiu que um sifão ao longo de todo o pescoço não opera, deixando em aberto um sifão apenas dentro do crânio. Outros trabalhos discutem a origem da pressão e o papel da coluna de sangue no pescoço. O ponto segue em debate.
- Consenso científico: A girafa tem sete vértebras cervicais, como a maioria dos mamíferos. [4] [5]
- Consenso científico: Os mamíferos quase sempre têm sete vértebras cervicais; preguiças e peixes-boi são exceções. [5]
- Evidência forte: A pressão arterial média da girafa, em vários estudos, é de cerca de 200 mmHg. [1]
- Evidência forte: Essa pressão parece necessária para estabelecer uma pressão de perfusão cerebral da ordem de 100 mmHg na extremidade cranial das carótidas. [1]
A própria revisão usa 'parece necessário'. - Fato estabelecido: A distância da cabeça ao coração passa de 2 m, e os adultos chegam a 4,5 m de altura. [2]
- Fato estabelecido: A massa do coração da girafa está dentro dos limites de um coração de mamífero típico, com paredes espessas e pequena câmara ventricular esquerda. [2]
- Fato estabelecido: Foram contadas 396 válvulas em 60 veias jugulares de 25 girafas adultas e 5 fetos; média de 6,4 por veia esquerda e 6,8 por veia direita, com variação de 2 a 13. [3]
- Fato estabelecido: Das válvulas jugulares, 88% eram bicúspides. [3]
- Evidência forte: Os autores concluíram que as válvulas jugulares impedem sobretudo o refluxo de sangue da veia cava inferior e do átrio direito para a jugular. [3]
Conclusão dos autores, não medição direta de fluxo. - Evidência forte: O número de válvulas jugulares nos fetos não difere do dos adultos, o que sugere que é definido antes do nascimento. [3]
Amostra de apenas cinco fetos. - Evidência forte: A primeira vértebra torácica da girafa tem forma que lembra uma cervical, e a análise de mobilidade indica que isso aumenta a flexão do pescoço no sentido dorsoventral. [4]
- Hipótese: Em ultrassom de um macho, a veia jugular interna colapsou ao passar da cabeça no chão para a cabeça erguida (4,6 mm contra 12,6 mm no trecho proximal); os autores concluem que um sifão ao longo de todo o pescoço não funciona. [2]
Estudo preliminar com um único animal; o papel de sifões na circulação cerebral é debatido.
Fontes
- Annual Review of Physiology (Aalkjær e Wang, Universidade de Aarhus), 2021 — The Remarkable Cardiovascular System of Giraffes
consultada em 11/10/2026 - Animals (van der Walt et al.), 2022 — A Preliminary Study on the Siphon Mechanism in Giraffe (Giraffa camelopardalis)
consultada em 11/10/2026 - South African Journal of Wildlife Research (Mitchell, Van Sittert e Skinner, Universidade de Pretória), 2009 — The structure and function of giraffe jugular vein valves
consultada em 11/10/2026 - Evolution (Müller, Merten, Böhmer e Nyakatura), 2021 — Pushing the boundary? Testing the functional elongation hypothesis of the giraffe's neck
consultada em 11/10/2026 - Evolution & Development (Galis, Van Dooren e van der Geer), 2022 — Breaking the constraint on the number of cervical vertebrae in mammals: On homeotic transformations in lorises and pottos
consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão