Astronomia
O futuro do Sol: gigante vermelha que engole Mercúrio e Vênus; o destino da Terra segue em debate
Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026
O Sol funde hidrogênio em hélio no núcleo e, segundo a NASA, tem cerca de 5 bilhões de anos pela frente. Quando o combustível do núcleo acabar, ele inchará até uma gigante vermelha que engolirá Mercúrio e Vênus. Para a Terra, os modelos divergem: um estudo de 2008 a dá como engolida; outro, de 2026, indica que ela provavelmente sobrevive à fase de gigante vermelha, com a ressalva de que o destino final segue incerto.
O Sol nasceu há cerca de 4,6 bilhões de anos e, segundo a NASA, está um pouco aquém da metade da vida. Por enquanto, funde hidrogênio em hélio no núcleo. No modelo de Schröder e Smith (2008), ele deixa essa fase estável por volta dos 10 bilhões de anos de idade, e a gigante vermelha chega ao tamanho máximo daqui a 7,59 bilhões de anos: raio de 256 raios solares, cerca de 1,2 UA (1 UA é a distância média Terra-Sol). Nessa fase, a estrela já perdeu 0,332 de sua massa, e a gravidade mais fraca afasta as órbitas. Esse afastamento compete com a maré do Sol inchado, que puxa os planetas para dentro. Como as duas forças disputam o resultado, a Terra é o caso incerto. Mercúrio e Vênus, mais perto, são engolidos em qualquer cenário citado pela NASA.
Um ensaio geral a 180 anos-luz
R Doradus, gigante vermelha de massa parecida com a do Sol, foi imageada pelo ALMA em 2023. Tem diâmetro cerca de 350 vezes o solar, e a órbita da Terra caberia dentro dela. O ESO diz que ela provavelmente lembra o Sol daqui a cerca de 5 bilhões de anos.
O que a NASA afirma
A NASA diz que o Sol é uma estrela amarela de cerca de 4,5 bilhões de anos, que está um pouco aquém da metade da vida e que ainda tem cerca de 5 bilhões de anos. Ao esgotar o combustível, vai inchar até uma gigante vermelha que engolirá Mercúrio e Vênus e possivelmente a Terra, e depois será uma anã branca. A palavra 'possivelmente' marca onde o consenso acaba.
Os números do modelo de 2008
Schröder e Smith calcularam a evolução do Sol com uma fórmula calibrada de perda de massa. O Sol deixa a fase atual por volta dos 10 bilhões de anos de idade e chega ao máximo da gigante vermelha daqui a 7,59 bilhões de anos, com raio de 256 raios solares, cerca de 1,2 UA. A essa altura terá perdido 0,332 massa solar. São resultados de modelo, com incertezas declaradas, e não medições.
Por que a Terra é um caso aberto
Duas forças disputam a órbita da Terra. A perda de massa do Sol enfraquece a gravidade e afasta o planeta; a maré do Sol inchado o puxa para dentro. O modelo de 2008 concluiu que a maré vence. Em 2026, Esseldeurs, Mathis e Decin usaram uma física de maré atualizada e concluíram que a Terra provavelmente sobrevive à gigante vermelha, mas os autores admitem que o destino final continua incerto.
O que cada resultado não diz
Escapar de ser engolida não torna a Terra habitável. Decin observou que a temperatura subirá tanto antes da fase de gigante que a vida se tornará impossível. A maior incógnita hoje é a perda de massa na fase final, que só observações de estrelas parecidas com o Sol, como R Doradus e L2 Puppis, podem refinar.
Como sabemos
Mercúrio, Vênus e a sequência geral são consenso (NASA, ESO); os números e o destino da Terra vêm de modelos e há divergência real entre estudos.
Em debate: Schröder e Smith (2008) concluem que a Terra é engolida mesmo com a perda de massa do Sol. Esseldeurs, Mathis e Decin (2026) usam uma dissipação de maré atualizada e concluem que ela provavelmente sobrevive à gigante vermelha. Os autores do estudo mais novo dizem que o destino final segue incerto, e a maior incógnita é quanta massa o Sol perderá na fase final.
- Estimativa: O Sol tem cerca de 4,5 a 4,6 bilhões de anos, está um pouco aquém da metade da vida e tem cerca de 5 bilhões de anos pela frente. [1]
A NASA arredonda: 'cerca de 5 bilhões de anos'. Modelos detalhados dão marcos diferentes (ver a afirmação seguinte). - Consenso científico: Ao ficar sem combustível, o Sol se expandirá numa gigante vermelha que engolirá Mercúrio e Vênus, e possivelmente a Terra, e depois se tornará uma anã branca. [1]
- Estimativa: No modelo de Schröder e Smith (2008), o Sol deixa a fase de queima de hidrogênio no núcleo por volta dos 10 bilhões de anos de idade e atinge o tamanho máximo da gigante vermelha daqui a 7,59 bilhões de anos. [2]
Resultado de modelo, com incerteza declarada de cerca de 0,05 bilhão de anos no marco de 7,59, sem contar as hipóteses de perda de massa. - Estimativa: Nesse máximo, o modelo dá raio de 256 raios solares (cerca de 1,2 UA), luminosidade de 2730 vezes a atual e massa de 0,668 massa solar. [2]
Valores do modelo de 2008; dependem da taxa de perda de massa adotada (incerteza de cerca de 15% no coeficiente). - Teoria científica: A perda de massa do Sol afasta as órbitas dos planetas; no modelo de 2008, a órbita da Terra chegaria a cerca de 1,5 UA, mas a maré e o arrasto na atmosfera do Sol a fariam ser engolida do mesmo jeito. [2]
Conclusão de um modelo; contestada por estudo posterior com física de maré atualizada (f4). - Estimativa: Para sobreviver à fase de gigante vermelha no modelo de 2008, um planeta precisaria estar hoje a pelo menos cerca de 1,15 UA do Sol. [2]
Valor do modelo de 2008. - Incerto: Um estudo de 2026 (Esseldeurs, Mathis e Decin, Astronomy & Astrophysics) usa uma dissipação de maré atualizada e conclui que a Terra provavelmente sobrevive à fase de gigante vermelha. [4]
Os próprios autores afirmam que o destino final da Terra 'permanece incerto', pois depende da taxa de perda de massa na fase seguinte, ainda mal conhecida. - Hipótese: Segundo o mesmo estudo de 2026, a Terra sobrevive à fase seguinte (ramo assintótico das gigantes) se a taxa de perda de massa for alta o bastante; com taxa muito baixa, o Sol quase alcança a órbita da Terra e o engolimento é provável. [4]
A taxa de referência vem de observações da estrela L2 Puppis, tomada como proxy do Sol; estimativas de perda de massa dessa estrela variam muito conforme o método. - Em debate: Prescrições de maré mais antigas, como a usada por Mustill e Villaver (2012), preveem a Terra engolida na fase assintótica; a prescrição atualizada prevê sobrevivência. [4]
A divergência entre prescrições de maré é a origem da discordância entre estudos. - Fato estabelecido: R Doradus é uma gigante vermelha a cerca de 180 anos-luz, com massa parecida com a do Sol e diâmetro de cerca de 350 vezes o solar; a órbita da Terra caberia dentro dela. [3]
- Fato estabelecido: As imagens do ALMA mostram bolhas convectivas de cerca de 75 vezes o tamanho do Sol, que se renovam em cerca de um mês. [3]
- Interpretação: O ESO afirma que R Doradus provavelmente se parece com o que o Sol será em cerca de 5 bilhões de anos. [3]
- Estimativa: O modelo de 2008 prevê massa final de cerca de 0,54 massa solar para a anã branca e uma casca de gás pequena, sem nebulosa planetária regular. [2]
Previsão de modelo; a casca seria comparável, porém menor, à da nebulosa peculiar IC 2149.
Fontes
- NASA Science — Sun Facts
consultada em 11/10/2026 - K.-P. Schröder e R. C. Smith, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, 386, 155 (2008) — Distant future of the Sun and Earth revisited
consultada em 11/10/2026 - ESO — Detailed images of the surface of the star R Doradus (eso2412)
consultada em 11/10/2026 - M. Esseldeurs, S. Mathis e L. Decin, Astronomy & Astrophysics, 710, L26 (2026) — The fate of Earth during the Sun's giant phases: new constraints from ab initio tidal modelling and AGB mass loss
consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão