Fenômenos naturais
Por que o olho do furacão tem vento fraco e o céu ali pode ficar aberto
Publicado em 05/10/2026 · Última alteração em 05/10/2026
No centro de um furacão, cercado pelos ventos mais fortes da tempestade, há um círculo de tempo bom: o olho. Ali o ar desce devagar, em vez de subir. Ao descer, é comprimido, esquenta e seca, e as nuvens não se formam. Por isso, durante a passagem do olho, às vezes se vê céu azul ou estrelas, com vento fraco e quase sem chuva. A poucos quilômetros dali, a parede do olho, um anel de tempestades altas, despeja chuva forte e concentra os ventos mais violentos.
Furacão, tufão e ciclone são nomes regionais do mesmo fenômeno, o ciclone tropical. Quando o vento sustentado chega a 119 km/h, ele se chama furacão no Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste, tufão no Pacífico Noroeste e ciclone tropical severo em partes do Índico e do Pacífico Sul. Para nascer, precisa de mar a pelo menos 26,5 °C até uns 50 m de profundidade, ar úmido, pouca variação do vento com a altura e uma perturbação já existente. A energia vem do vapor que se condensa nas nuvens e libera calor. O giro vem da rotação da Terra: o efeito Coriolis desvia o ar para a direita no hemisfério norte e para a esquerda no sul, e por isso o furacão gira no sentido anti-horário no norte e no horário no sul. Como esse efeito é nulo no equador, os ciclones tropicais se formam a pelo menos uns 500 km dele.
O furacão que chegou a Santa Catarina
Em 28 de março de 2004, o ciclone Catarina atingiu o litoral de Santa Catarina. Para a NASA, foi o primeiro furacão do Atlântico Sul no registro por satélite. Ali eles são raros porque o vento costuma variar demais com a altura e porque as ondas de leste que saem da África, sementes dos furacões do Atlântico Norte, quase não ocorrem ao sul do equador.
Um motor movido a mar quente
Um ciclone tropical funciona como um motor cujo combustível é ar quente e úmido. Esse ar sobe nas tempestades, esfria, e o vapor se condensa em gotas, liberando o calor que antes o evaporou. Em 1948, o meteorologista Erik Palmén notou que esses ciclones exigem mar de pelo menos 26,5 °C. Abaixo disso, a atmosfera tropical fica estável demais e quase não há tempestades profundas. Depois se viu que a água quente precisa ocupar uma camada de cerca de 50 m, não só a superfície.
De onde vem o giro
O vento que converge para uma área de baixa pressão é desviado pela rotação da Terra, o efeito Coriolis: para a direita no hemisfério norte, para a esquerda no sul. O resultado é um giro anti-horário no norte e horário no sul. O efeito é máximo nos polos e nulo no equador, por isso um ciclone tropical precisa nascer a pelo menos uns 500 km da linha do equador. Ele também não surge do nada: começa de uma perturbação que já tem algum giro e ar entrando por baixo.
Dentro do olho
A maioria dos olhos tem de 30 a 60 km de diâmetro, mas há casos de 8 km e de mais de 200 km. No eixo do giro o vento é calmo, embora ventos fortes possam avançar para dentro do olho. O ar que desce ali esquenta ao ser comprimido: a 12 km de altitude, o olho pode ficar 10 °C ou mais acima do entorno, mas na superfície a diferença é de 0 a 2 °C. A descida costuma parar a 1 a 3 km do mar, e por isso nuvens baixas podem continuar no fundo do olho.
Por que o ar desce: uma pergunta em aberto
Que o ar desce no olho é certo; por quê, ainda se discute. Uma hipótese diz que o enfraquecimento do vento giratório com a altura cria uma força de pressão que empurra o ar para baixo. Outra diz que o calor liberado pelas tempestades da parede do olho força a descida no centro. Há ainda a observação de que faixas de chuva em espiral se fecham em torno do centro e viram a parede. Para Chris Landsea, do Centro Nacional de Furacões dos EUA, as ideias podem se somar, e falta pesquisa para saber qual pesa mais.
Como sabemos
Física do olho, condições de formação, Coriolis e nomenclatura conferidas nos FAQs da divisão de pesquisa de furacões da NOAA (AOML/HRD) e na NOAA/NWS; o mecanismo de formação do olho é apresentado como debate.
Em debate: Que o ar desce e esquenta dentro do olho é consenso; por que ele desce ainda é discutido. Uma hipótese (Smith, 1980) atribui a descida a uma força de pressão para baixo associada ao enfraquecimento do vento giratório com a altura; outra (Shapiro e Willoughby, 1982), ao calor liberado nas tempestades da parede do olho. Willoughby descreveu ainda como faixas de chuva em espiral se fecham em torno do centro e formam a parede. Para Chris Landsea, do Centro Nacional de Furacões dos EUA, as hipóteses podem ser compatíveis, e falta pesquisa para saber qual mecanismo é o principal.
- Consenso científico: O olho é uma área aproximadamente circular de ventos relativamente fracos e tempo bom no centro de um ciclone tropical intenso; há pouca ou nenhuma chuva e às vezes se vê céu azul ou estrelas. [1] [4]
- Consenso científico: O vento é calmo no eixo de rotação, mas ventos fortes podem avançar bem para dentro do olho; no olho o vento em geral não passa de 24 km/h. [1] [4]
A NOAA/NWS diz que o vento no olho 'em geral' não passa de 15 mph (24 km/h); Landsea (AOML) ressalva que ventos fortes podem entrar no olho. - Consenso científico: O ar do olho desce lentamente; ao descer é comprimido e esquenta, e por isso o olho é mais quente que o entorno; o ar que desce também seca, o que suprime a formação de nuvens. [1] [4]
- Evidência forte: A descida do ar no olho em geral não chega à superfície do mar: para a cerca de 1 a 3 km de altitude, sob uma camada mais úmida. [1]
Inferência a partir de sondagens dentro do olho, que mostram camada úmida baixa com inversão térmica acima. - Estimativa: O olho pode ser 10 °C ou mais mais quente que o ambiente a 12 km de altitude, mas apenas 0 a 2 °C mais quente na superfície. [1]
Valores de Hawkins e Rubsam (1968), citados por Landsea; variam de uma tempestade para outra. - Estimativa: Os olhos medem de 8 km a mais de 200 km de diâmetro, mas a maioria tem cerca de 30 a 60 km. [1] [4]
Faixa de Weatherford e Gray (1988), citada pela AOML; a NWS dá 32 a 64 km como típico. - Consenso científico: A parede do olho é um anel de convecção profunda (tempestades altas) em volta do olho, com chuva forte e, em geral, os ventos mais fortes da tempestade. [1] [4]
- Em debate: O mecanismo exato que forma o olho ainda é discutido: uma hipótese liga a descida do ar ao enfraquecimento e espalhamento do vento giratório com a altura (Smith, 1980); outra, ao calor liberado na parede do olho, que força a descida no centro (Shapiro e Willoughby, 1982); as duas podem ser compatíveis. [1] [5]
Landsea (NHC) escreve que o tema precisa de mais pesquisa para saber qual mecanismo é o principal. - Fato estabelecido: Furacão e tufão são nomes regionais de um ciclone tropical forte, com vento sustentado de pelo menos 33 m/s (119 km/h, 74 mph): furacão no Atlântico Norte e no Pacífico Nordeste, tufão no Pacífico Noroeste, ciclone tropical severo no Pacífico Sudoeste e no Índico Sudeste, tempestade ciclônica muito severa no Índico Norte. [2] [5]
Nomenclatura das agências meteorológicas por bacia; detalhes no FAQ A1 da AOML (Landsea), resumidos no FAQ geral da AOML. - Consenso científico: Para se formar, um ciclone tropical precisa de mar a pelo menos 26,5 °C até cerca de 50 m de profundidade, atmosfera instável, umidade em níveis médios, pouca variação do vento com a altura, uma perturbação pré-existente e distância de pelo menos 500 km do equador. [2] [3]
A AOML diz que a profundidade necessária é 'desconhecida, mas pelo menos da ordem de 50 m'; as condições são necessárias, não suficientes. - Consenso científico: A energia do ciclone vem do calor latente liberado quando o vapor d'água se condensa nas nuvens; Erik Palmén observou em 1948 que eles exigem mar de pelo menos 26,5 °C, valor ligado à instabilidade da atmosfera tropical. [3]
- Fato estabelecido: O efeito Coriolis desvia o ar para a direita no hemisfério norte e para a esquerda no sul; é máximo nos polos e nulo no equador; por isso os furacões giram no sentido anti-horário no norte e horário no sul. [5] [2]
- Fato estabelecido: O ciclone Catarina atingiu o litoral de Santa Catarina em 28 de março de 2004 e foi, segundo a NASA, o primeiro furacão do Atlântico Sul no registro por satélite. [6] [7]
A AOML lembra que antes houve uma depressão tropical ao largo do Congo, em 1991, mas não um furacão. - Consenso científico: Ciclones tropicais são raros no Atlântico Sul porque o cisalhamento do vento costuma ser alto demais e as ondas de leste do norte da África, que dão origem aos ciclones do Atlântico Norte, não são comuns ao sul do equador. [6] [7]
Fontes
- NOAA Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory, Hurricane Research Division — TCFAQ A11) What is the 'eye'? How is it formed and maintained? What is the 'eyewall'?
consultada em 05/10/2026 - NOAA Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory, Hurricane Research Division — TCFAQ A15) How do tropical cyclones form?
consultada em 05/10/2026 - NOAA Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory, Hurricane Research Division — TCFAQ A16) Why do tropical cyclones require 80°F (26.5°C) ocean temperatures to form?
consultada em 05/10/2026 - NOAA National Weather Service — Tropical Cyclone Structure (JetStream)
consultada em 05/10/2026 - NOAA Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory — Hurricane FAQ
consultada em 05/10/2026 - NASA Earth Observatory — A Rare Tropical Storm in the South Atlantic
consultada em 05/10/2026 - NOAA Atlantic Oceanographic and Meteorological Laboratory — 10th Anniversary of Cyclone Catarina
consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 05/10/2026 — primeira versão