Zoologia

Formigas Temnothorax guiam companheiras em corrida em tandem: os critérios de ensino são atendidos?

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Inteligência animal

Na corrida em tandem, uma operária de Temnothorax albipennis conduz uma companheira até alimento ou ninho novo. Em 2006, Franks e Richardson concluíram que isso cumpre os critérios de ensino de Caro e Hauser (1992), no que descreveram como o primeiro caso em animal não humano. O que continua em disputa é se esses critérios bastam ou se ensinar também exige avaliar o aluno e se distinguir de outras formas de comunicação.

Corrida em tandem é um tipo de recrutamento: uma formiga que conhece o destino leva uma única companheira, que a segue tocando-a com as antenas. A guia para quando perde o contato e só retoma depois de ser tocada; a seguidora faz paradas para aprender referências visuais do trajeto. Caro e Hauser (1992) propuseram uma definição de ensino que dispensa atribuir estados mentais ao instrutor: ele muda o comportamento diante de um ingênuo, com algum custo, para dar exemplo, e o outro aprende mais rápido. Aqui se aplica essa definição à formiga e se mostra onde os autores divergem. Outro artigo da série trata dos suricatos que ensinam filhotes a lidar com presas; este fica só com a formiga.

Levada aprende, carregada não

Na emigração para um ninho novo, formigas levadas em tandem aprendem o trajeto e podem depois guiar outras; as carregadas são só entregues e não o aprendem (Pratt et al., 2002, segundo Franks et al., 2022). A diferença permite medir o que a seguidora ganhou.

Os critérios, aplicados à formiga

Na paráfrase de Franks e colegas (2022), alguém ensina se muda o comportamento diante de um ingênuo, com custo inicial, para dar exemplo, de modo que o outro aprenda mais rápido (f3). Na corrida em tandem, a guia espera até ser tocada e avança devagar porque a seguidora para para aprender referências. Franks e Richardson (2006) leem isso como critérios atendidos. Lemos o resumo desse artigo, não os dados.

Como sabemos: o que se observa e o que se infere

Espera da guia e lentidão são observadas na própria corrida. O aprendizado é inferido por contraste: formigas levadas em tandem aprendem o trajeto e depois guiam outras, enquanto as carregadas não aprendem (Pratt et al., 2002, segundo Franks et al., 2022). Isso mede o resultado para a seguidora, não o que a guia 'pretende'. É uma medida de comportamento, e o limite está nessa distinção.

Quem aceita a classificação e quem pede mais

Franks e Richardson (2006) concluem que é ensino. Leadbeater, Raine e Chittka (2006) chamam o estudo de talvez o mais controlado da área, mas perguntam como ensino difere de outras formas de comunicação. Quem exige avaliação do aluno recebe de Richardson e colegas (2007) outra resposta: a guia esperou mais quando a corrida já era longa e ajustou a espera ao valor do destino. Essas respostas são deles, não de revisão independente.

Duas objeções em direções opostas

Segundo Taylor (2021), há quem proponha a retroalimentação entre aluno e professor como o traço decisivo, o que afastaria o ensino da mera transmissão. Byrne e Rapaport (2011), também segundo Taylor, acham a definição de Caro e Hauser restritiva demais. Caro e Hauser (1992) dizem que atribuir estados mentais ao instrutor não é necessário. Por isso 'é ensino?' depende da definição escolhida, não só dos dados da formiga.

Como sabemos

O debate e os critérios estão em fontes abertas lidas por nós, mas o artigo de 2006 foi lido só no resumo e a crítica de Leadbeater et al. só no resumo; o resultado de aprendizado da seguidora vem de segunda mão.

Em debate: Franks e Richardson (2006) concluem que sim, pelos critérios de Caro e Hauser (1992). Leadbeater, Raine e Chittka (2006) perguntam como ensino difere formalmente de outras formas de comunicação. Quem exige que o professor avalie o aluno é respondido por Richardson et al. (2007) com testes de espera da guia. Byrne e Rapaport (2011), segundo Taylor (2021), acham a definição de Caro e Hauser restritiva demais. A resposta depende da definição adotada.

Fontes

  1. Nature (Universidade de Bristol) — Teaching in tandem-running ants
    Franks, N. R.; Richardson, T. · 2006 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/439153a
  2. The Quarterly Review of Biology (Universidade da Califórnia, Davis) — Is there teaching in nonhuman animals?
    Caro, T. M.; Hauser, M. D. · 1992 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1086/417553
  3. Journal of Experimental Biology (Universidade de Bristol) — Robotic communication with ants
    Franks, N. R.; Podesta, J. A.; Jarvis, E. C.; Worley, A.; Sendova-Franks, A. B. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  4. Current Biology (Universidade de Bristol) — Teaching with evaluation in ants
    Richardson, T. O.; Sleeman, P. A.; McNamara, J. M.; Houston, A. I.; Franks, N. R. · 2007 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1016/j.cub.2007.08.032
  5. Current Biology (Queen Mary, Universidade de Londres) — Social learning: ants and the meaning of teaching
    Leadbeater, E.; Raine, N. E.; Chittka, L. · 2006 · Revisão ou síntese científica · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1016/j.cub.2006.03.078
  6. Frontiers in Psychology (Macquarie University) — Evidence for Teaching in an Australian Songbird
    Taylor, H. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.3389/fpsyg.2021.593532
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 19; conferência de trechos automatizada)

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