Zoologia

Formigas distinguem companheiras do ninho por uma mistura de hidrocarbonetos na cutícula, comparada a um molde

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Comunicação animal

Formigas reconhecem companheiras de ninho por pistas químicas na cutícula, entre elas os hidrocarbonetos: moléculas que as operárias de uma colônia dividem, em proporções próprias dessa colônia. Segundo o modelo corrente, quem encontra a outra compara essa mistura com um molde interno, e a reação varia com o tamanho da diferença. Na formiga gigante Dinoponera quadriceps, a resposta também muda com a tarefa de quem é testado.

Reconhecer companheiras de ninho evita que estranhas explorem os recursos da colônia. A pista fica na cutícula, a camada externa do corpo, coberta por hidrocarbonetos: cadeias de carbono e hidrogênio, de várias classes. Formigas da mesma espécie costumam ter as mesmas moléculas; o que muda de colônia para colônia são as proporções, e o perfil também varia com a dieta e o tempo. Quem avalia compara o perfil de quem encontra com um molde, uma representação interna do cheiro da colônia. É um modelo de trabalho: ainda não está claro onde esse molde reside.

Aceitar não depende de parentesco

Formigas sem parentesco podem ser aceitas em colônias mistas. Por isso a revisão de 2012 trata reconhecer companheiras de ninho como algo distinto de reconhecer parentes: o que conta é o cheiro compartilhado.

O crachá é uma mistura, não uma molécula

A cutícula das formigas é coberta sobretudo por hidrocarbonetos, com cadeias de cerca de 21 a mais de 40 carbonos nos insetos (f1). As colônias de uma espécie costumam ter as mesmas moléculas e diferem nas proporções, que as companheiras dividem por troca de alimento e limpeza mútua (f1). O sinal, portanto, é um perfil quantitativo, que muda com a dieta e o tempo.

O molde e a reação graduada

O modelo diz que a formiga compara o perfil de quem encontra com um molde interno, formado a partir dos sinais da colônia (f1). A reação varia com a diferença entre os perfis, e o limiar muda com o contexto (f1). Onde o molde fica, nas antenas ou no cérebro, ainda é questão aberta (f1). Em Camponotus floridanus, os receptores olfativos das antenas são necessários para a agressão a estranhas (f3).

Como sabemos que são os hidrocarbonetos

Medir perfis e agressão mostra associação; a prova vem de ensaios. Blocos de vidro cobertos com extrato de formigas de fora provocaram mais agressão que os de companheiras (f1, citando Wagner e colegas). Em saúvas, colônias com a mesma folha tiveram perfis parecidos e mais agressão a quem usava outra (f4). Limites: poucas espécies, laboratório, e a ausência de agressão não prova falta de reconhecimento (f1).

Dinoponera: a reação depende da tarefa

A Dinoponera quadriceps, conhecida no Brasil como falsa tocandira, é uma formiga gigante sem rainha (f2). Em quatro colônias de Sergipe, 482 introduções mostraram que as guardas rejeitaram 258 de 360 estranhas e aceitaram todas as 122 companheiras de controle. Enfermeiras de fora levaram mais tempo para ser reconhecidas que forrageiras de fora, e seus perfis de hidrocarbonetos se sobrepõem entre colônias (f2). Laboratório, quatro colônias.

Como sabemos

Revisão e três artigos lidos na íntegra; mas o modelo do molde é teórico, o ensaio com extratos vem de segunda mão e os estudos são de laboratório com poucas colônias.

Fontes

  1. Myrmecological News (Stanford University) — Nestmate recognition in ants (Hymenoptera: Formicidae): a review
    Sturgis, S. J.; Gordon, D. M. · 2012 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. Journal of Insect Behavior (USP e Universidade Federal de Sergipe; cópia no repositório do IFS) — Task-Related Variation of Cuticular Hydrocarbon Profiles Affect Nestmate Recognition in the Giant ant Dinoponera quadriceps
    Nascimento, F. S.; Tannure-Nascimento, I. C.; Dantas, J. O.; Turatti, I. C.; Lopes, N. P. · 2013 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1007/s10905-012-9353-5
  3. Journal of Experimental Biology (Vanderbilt University) — Odor coding of nestmate recognition in the eusocial ant Camponotus floridanus
    Ferguson, S. T.; Park, K. Y.; Ruff, A. A.; Bakis, I.; Zwiebel, L. J. · 2020 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1242/jeb.215400
  4. Insects (Universidade de São Paulo) — Foliar Substrate Affects Cuticular Hydrocarbon Profiles and Intraspecific Aggression in the Leafcutter Ant Atta sexdens
    Valadares, L.; Nascimento, D.; Nascimento, F. S. · 2015 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3390/insects6010141
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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