Botânica

Árvores amazônicas que passam meses debaixo d'água

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em planícies alagáveis da Amazônia, o nível dos rios chega a variar até 12 m ao longo do ano e a floresta pode ficar inundada por mais de sete meses. Nas várzeas, de água branca, e nos igapós, de água preta, as árvores não fogem da cheia: trocam folhas, emitem raízes adventícias e fazem uma pausa no crescimento do tronco.

Essas florestas alagáveis seguem o ritmo do rio. Num trecho estudado na Amazônia Central, a cheia média foi de 10,2 m de amplitude e durou cerca de 230 dias por ano. A diferença entre os dois tipos de floresta está na água: a várzea é banhada por rio de água branca, carregada de sedimentos, e o igapó por rio de água preta. As árvores, porém, enfrentam o mesmo problema: com as raízes submersas, a respiração e a fotossíntese caem. Por isso, as espécies tolerantes combinam mudanças na raiz, na folha e no calendário de crescimento.

O perigo maior pode ser a seca

Num estudo com plântulas de árvores de várzea, a mortalidade na estação seca superou a causada pela inundação, chegando a 97% a 100% em algumas espécies. Para essas árvores, estabelecer-se fora d'água pode ser mais difícil do que aguentar a cheia.

Um rio que sobe até 12 metros

O nível dos rios amazônicos oscila a cada ano, e em planícies alagáveis a variação chega a 12 m. Para a floresta, a cheia é parte regular do clima, e não um acidente. Num sítio de várzea da Amazônia Central, a média foi de 10,2 m de amplitude, com cerca de 230 dias de inundação por ano.

Água branca e água preta

A várzea fica nas planícies de rios de água branca, e o igapó, nas de rios de água preta. Os dois tipos têm solos de origem aluvial, mas a água que os cobre é diferente. O desafio das árvores é parecido: durante a cheia, a respiração das raízes e a fotossíntese diminuem.

Raízes e folhas

Nas espécies tolerantes, estudos descrevem raízes adventícias, raízes rasas concentradas nos 30 cm superiores e, em algumas espécies, raízes pivotantes profundas. As folhas podem ser coriáceas, com ceras e estômatos afundados. Na fase inundada, muitas espécies perdem folhas.

Uma pausa no tronco

Em Hydrochorea corymbosa, o câmbio, tecido que faz o tronco engrossar, entra em dormência de março a junho, na primeira metade do período inundado, junto com a queda de folhas. A espécie cresceu em média 3,83 mm de raio por ano nesse sítio de estudo.

Como sabemos

Números e adaptações sustentados por duas publicações de periódico lidas; adaptações anatômicas e bioquímicas finas ficaram de fora por falta de leitura direta.

Fontes

  1. Annals of Botany (PMC) — Drought responses of flood-tolerant trees in Amazonian floodplains
    consultada em 05/10/2026
  2. Frontiers in Ecology and Evolution — Hydrological and climate intensification induces conservative behavior in the Hydrochorea corymbosa xylem production in a Central Amazon floodplain forest
    consultada em 05/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria de natureza: 4 imagem(ns) real(is) do Commons
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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