Paleontologia

Flores do Cretáceo no Araripe: que plantas com flor viveram na Formação Crato, no Ceará

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Fósseis

A Formação Crato, na Bacia do Araripe (Ceará), guarda uma flora do Cretáceo Inferior com mais de 40 táxons de macrofósseis, entre eles várias angiospermas, as plantas com flor: Endressinia brasiliana, descrita com flores terminais e carpelos livres; Araripia florifera; ninfeais aquáticas; uma monocotiledônea e eudicotiledôneas. A idade da formação, perto de 121 milhões de anos, ainda é debatida.

Angiospermas são as plantas cujas sementes se formam dentro de um fruto, derivado da flor. A Formação Crato é uma camada de calcário laminado de um antigo lago, extraído hoje como pedra ornamental (a Pedra Cariri) e conhecida como lagerstätte, um depósito de fósseis excepcionalmente bem preservados. Seus fósseis datam de uma fase em que as angiospermas se espalhavam a partir de baixas latitudes do norte do Gondwana, o que faz da flora do Crato uma janela para a região equatorial daquele tempo. Os grupos citados abaixo (magnoliídeas, monocotiledôneas e eudicotiledôneas) são linhagens de angiospermas.

Fósseis de pedreira

Muitos fósseis do Crato foram coletados por trabalhadores que cortam o calcário como pedra ornamental. Sem a posição exata na camada, nem sempre se sabe se duas plantas viveram ao mesmo tempo: o intervalo de deposição pode chegar a 0,5 milhão de anos.

Magnoliídeas e plantas aquáticas

Endressinia brasiliana foi descrita em 2004 com flores terminais e cerca de 20 carpelos livres, e os autores a comparam às magnoliais, sem excluir que seja uma linhagem extinta. Araripia florifera, de 2003, também é discutida entre magnoliídeas e Laurales. Entre as plantas aquáticas, Pluricarpellatia e Jaguariba se ligam às ninfeais (Nymphaeales), e Notocyamus, descrito em 2023, à família do lótus.

Monocotiledôneas e eudicotiledôneas

Cratosmilax jacksoni, de 2014, é uma única folha ligada às Smilacaceae e foi apresentada como a primeira monocotiledônea terrestre do Crato. Em 2022, Santaniella trouxe folhas e frutos de eudicotiledôneas, com afinidade presumida com Ranunculaceae. O pólen tricolpado, característico das eudicotiledôneas, já formava um terço do pólen de angiospermas do Crato.

Como sabemos que são angiospermas

A identificação combina partes diferentes. Flores e frutos preservados, como os carpelos de Endressinia e os folículos de Santaniella, pesam mais que folhas, que são difíceis de classificar quando aparecem isoladas. O pólen fossilizado ajuda a indicar grupos presentes, mesmo sem a planta inteira. Nomes como 'possível Laurales' mostram que parte das atribuições segue em aberto.

Idade e o que 'as primeiras flores' não significa

As plantas com flor surgiram por volta de 135 milhões de anos atrás no norte do Gondwana, antes da Formação Crato, que tem cerca de 121 milhões de anos segundo estimativas recentes e é debatida. O Crato mostra uma flora já diversificada, mas as fontes lidas não dizem que ela traga as primeiras flores do Brasil. Os fósseis também vêm de pedreiras, sem posição precisa na camada.

Como sabemos

Lista de táxons e idade apoiadas em artigos abertos de 2014, 2022 e 2023; Endressinia só pelo resumo e Araripia sem a descrição original.

Em debate: Idade da Formação Crato: Aptiano superior (estimativa clássica, por palinologia) contra Aptiano basal, cerca de 121 milhões de anos, ou até Barremiano superior (estimativas recentes); as fontes dizem que não há consenso.

Em debate: Posição de Araripia florifera: título original a chama de magnoliídea; Lima et al. (2014) a incluem entre eudicotiledôneas e apontam afinidade com Laurales.

Fontes

  1. Scientific Reports (Nature Portfolio) — First evidence of ranunculids in Early Cretaceous tropics
    Gobo, W. et al. · 2022 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-022-07920-y
  2. Scientific Reports (Nature Portfolio) — A new remarkable Early Cretaceous nelumbonaceous fossil bridges the gap between herbaceous aquatic and woody protealeans
    Gobo, W. et al. · 2023 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41598-023-33356-z
  3. Anais da Academia Brasileira de Ciências — A new angiosperm from the Crato Formation (Araripe Basin, Brazil) and comments on the Early Cretaceous Monocotyledons
    Lima, F. J. de; Saraiva, A. A. F.; Silva, M. A. P. da; Bantim, R. A. M.; Sayão, J. M. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1590/0001-3765201420140339
  4. International Journal of Plant Sciences (registro no Europe PMC / AGRICOLA) — Endressinia brasiliana, a magnolialean angiosperm from the lower Cretaceous Crato Formation (Brazil)
    Mohr, B. A. R.; Bernardes-de-Oliveira, M. E. C. · 2004 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1086/423879
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 14; conferência de trechos automatizada)

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