Zoologia

Como a lula-gigante, conhecida só por carcaças, foi fotografada em 2004 e filmada viva em 2012

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Por mais de um século, a lula-gigante (Architeuthis) só era conhecida por animais mortos: encalhados, presos em redes de arrasto ou achados em estômagos de cachalotes. Em 2004, uma câmera com isca, a 900 m de profundidade ao largo das ilhas Ogasawara (Japão), fez as primeiras fotos de um indivíduo vivo. Em 2012, uma equipe japonesa gravou o primeiro vídeo do animal em seu habitat, de dentro de um submersível.

A espécie foi descrita em 1857 pelo naturalista dinamarquês Japetus Steenstrup, a partir de restos. Até 2004, o que se sabia vinha de animais mortos ou moribundos, encalhados ou capturados por acaso em redes comerciais. A mudança veio com a ideia de esperar o bicho em vez de procurá-lo: primeiro uma câmera automática presa a uma linha com isca, depois um submersível com iluminação que o animal não percebe. Em 2019, outra equipe filmou um indivíduo no Golfo do México, a cerca de 1.000 m, e viu que ele perseguia a isca luminosa, o que contrariava a ideia de que caçaria só à espreita. Em 2013, um estudo com DNA de 43 exemplares indicou uma única espécie no mundo todo.

A isca que imita uma água-viva

Em 2019, o equipamento Medusa usou luz vermelha fraca, invisível para a maior parte da vida profunda, e uma isca luminosa que imita uma água-viva. A lula nadou ao lado dela antes de atacar.

Conhecida, mas só morta

A espécie recebeu nome científico em 1857, a partir de restos. Durante mais de um século, os estudos dependeram de indivíduos encalhados, capturados por acaso em redes comerciais ou moribundos na superfície. Esses exemplares dizem muito sobre a anatomia, mas pouco sobre onde vive, o que caça e como se move.

Esperar em vez de procurar

O avanço de 2004 foi trocar a busca ativa por uma câmera automática presa a uma linha com isca, que registrou mais de 550 fotos. A região foi escolhida em parte porque já havia vestígios flutuantes e registros de cachalotes caçando lulas-gigantes ali.

Luz que o animal não vê

Em 2012, a equipe japonesa usou câmera de alta sensibilidade e iluminação quase infravermelha. Em 2019, o sistema Medusa, de luz vermelha fraca, repetiu a estratégia no Golfo do México. Em ambos os casos, a ideia foi a mesma: ver sem ser visto, em vez de chegar com holofotes.

O que ainda não se sabe

Os autores de um estudo de DNA de 2013 apontam que continuam em aberto a faixa de vida dos adultos, a duração da vida, o ritmo de crescimento e o efeito de predadores como o cachalote.

Como sabemos

Datas, profundidades e métodos de 2004, 2012 e 2019 conferem entre o artigo científico, a NOAA e a imprensa; medidas de tamanho são estimativas.

Fontes

  1. Proceedings of the Royal Society B (PubMed Central) — First-ever observations of a live giant squid in the wild
    consultada em 06/10/2026
  2. NBC News — Giant squid filmed in natural habitat (reportagem sobre o vídeo de 2012)
    consultada em 06/10/2026
  3. National Geographic — How scientists got that amazing giant squid video
    consultada em 06/10/2026
  4. ScienceDaily (comunicado sobre estudo na Proc. R. Soc. B) — Giant squid genetics: one species worldwide
    consultada em 06/10/2026
  5. NOAA Ocean Exploration — Giant Squid Search in the Gulf of Mexico (diário de bordo)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 2 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +1 imagem(ns)
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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