Física

Por que o ferro aquecido fica vermelho e depois branco: a luz de corpo negro muda com a temperatura

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Ciência do cotidiano

A cor do ferro quente vem da luz térmica que todo corpo emite, e o espectro dessa luz muda com a temperatura. Perto de 900 a 1000 K só a ponta vermelha do espectro entra na faixa visível; ao esquentar mais, a emissão cresce em todos os comprimentos de onda e cresce mais depressa no azul, até as cores se somarem em branco. O ferro não muda: muda a distribuição da luz que ele emite.

Todo objeto acima do zero absoluto emite radiação eletromagnética por causa do movimento de suas partículas carregadas. Um corpo negro é o emissor ideal: absorve toda a radiação que recebe e emite um espectro que depende só da temperatura (em kelvin, K; 1000 K equivale a cerca de 727 °C). Nenhum objeto real é um corpo negro perfeito, mas brasas, fios de lâmpada e estrelas se aproximam dele. Duas regras descrevem o espectro: a lei de Wien, em que o pico se desloca para comprimentos de onda menores quando a temperatura sobe, e a lei de Stefan-Boltzmann, em que a energia emitida por área cresce com a quarta potência da temperatura. A luz visível ocupa de 400 a 700 nm; abaixo de 400 nm está o ultravioleta, acima de 700 nm o infravermelho.

A boca do fogão mostra a lei

Ao aumentar a potência de uma boca elétrica, o elemento passa de quase preto a vermelho vivo. É a mesma emissão térmica do ferro aquecido, vista na faixa em que o olho começa a captar.

Por que o vermelho vem primeiro

Um corpo morno emite quase só infravermelho, invisível. Ao esquentar, o espectro inteiro cresce e o pico anda para comprimentos de onda menores, mas o lado de ondas curtas já alcança a faixa visível antes de o pico chegar lá. Entre 900 e 1000 K essa borda toca o vermelho e o objeto ganha um brilho fosco, embora quase toda a energia ainda seja infravermelha. A 1000 K, pela lei de Wien, o pico fica perto de 2900 nm, bem além dos 700 nm do vermelho (cálculo nosso).

Por que depois fica branco

Subir de 1000 K para 3000 K multiplica a emissão em 650 nm (vermelho) por cerca de 2,6 milhões, mas a de 450 nm (azul) cresce ainda mais. Pela fórmula de Planck, a razão azul/vermelho vai de 0,03% para cerca de 24%, e a 5800 K passa de 100% (cálculo nosso). Quando todos os comprimentos da faixa visível estão presentes em proporção semelhante, a mistura é vista como branca. É o caso do Sol, cujo pico fica perto de 500 nm.

Como sabemos: medidas em cavidade e a fórmula de Planck

Planck relata que medições no infravermelho, feitas por Lummer e Pringsheim e depois por Rubens e Kurlbaum, mostraram desvios da lei de Wien em ondas longas. Sua fórmula, que supõe energia trocada em quanta proporcionais à frequência, passou a descrever o espectro todo. A física clássica previa um crescimento sem fim no ultravioleta, o que não acontece. A constante de ação que ele introduziu valia 6,55 × 10⁻²⁷ erg·s no primeiro cálculo. A teoria quântica detalhada fica fora deste texto.

A mesma lei em brasa, lâmpada e estrela

O fio de uma lâmpada incandescente, a boca de um fogão elétrico e as estrelas se comportam, de forma aproximada, como corpos negros; nenhum objeto real é um emissor ideal. Como a energia por área cresce com a quarta potência da temperatura, dobrar a temperatura multiplica por 16 a emissão. Ferro a 1300 K irradia, no caso ideal, quase o triplo do que irradia a 1000 K (cálculo nosso). Metais reais emitem menos que o ideal, mas a tendência de cor segue a mesma lei.

Como sabemos

Física consolidada de manual, com as leis de Wien e Planck em fonte primária e de referência; a ligação com a cor percebida é qualitativa.

Fontes

  1. HyperPhysics, Georgia State University — Radiation Curves (Blackbody Radiation)
    Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. HyperPhysics, Georgia State University — Wien's Displacement Law
    Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  3. The Pennsylvania State University — Blackbody Radiation (ASTRO 801, Lesson 3)
    Palma, C. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  4. National Institute of Standards and Technology — CODATA Value: Wien wavelength displacement law constant
    NIST · 2022 · Base de dados · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  5. HyperPhysics, Georgia State University — Blackbody Radiation (Planck radiation formula)
    Nave, R. · s.d. · Livro ou obra de referência · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  6. Nobel Foundation — The Genesis and Present State of Development of the Quantum Theory (Nobel Lecture)
    Planck, M. · 1920 · Fonte histórica primária · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 2; conferência de trechos automatizada)

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