Evolução

A evolução não tem objetivo: ramifica como árvore, e a complexidade tanto sobe quanto desce

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Evolução biológica

A seleção natural favorece, em cada lugar e momento, as variantes que deixam mais descendentes; não existe alvo nem ponto de chegada. Por isso a evolução desenha uma árvore, e não uma escada com a nossa espécie no topo. Há tendências em certas linhagens, como os chifres cada vez maiores dos titanotérios, mas a complexidade não só aumenta: tênias e outros parasitas perderam intestino e muitas famílias de genes.

Uma tendência evolutiva é uma mudança com direção, dentro de uma linhagem ou em várias ao mesmo tempo; para valer como tendência, precisa parecer mais do que flutuação ao acaso. A seleção natural é só o resultado de variação, herança e reprodução diferencial: escolhe entre as variantes que existem, sem prever o futuro. Ela também não produz perfeição, apenas organismos bons o bastante para passar genes adiante. O que conta como vantagem depende do ambiente de agora, e ambientes mudam. Daí que a mesma pressão pode empurrar uma linhagem para mais estrutura e outra para menos. Quando se mede complexidade, por exemplo pelo número de genes ou de tipos de células, o resultado varia conforme o grupo e a escala de tempo.

Quem tem menos genes que o ancestral

Numa análise de ancestrais reconstruídos, tênias e vermes parasitas parentes ficaram sem 24 das 96 famílias de genes homeobox que existiam na origem dos animais bilaterais; nas tênias, mais 10 se perderam depois. Mesmo assim, são animais bem-sucedidos como parasitas.

Tendência existe; objetivo, não

Há mudanças com direção reconhecível. Nos titanotérios, extintos parentes de cavalos e rinocerontes, o tamanho dos chifres cresceu de forma enviesada em várias linhagens. Isso é uma tendência, mas não um plano: a fonte aponta como causas possíveis a seleção para corpo maior ou a vantagem de chifres grandes em disputas. Em outros grupos, como os cavalos, o corpo não segue tendência alguma. Uma tendência descreve o que aconteceu em certas linhagens; não prevê nem garante o que virá.

Complexidade que sobe e que desce

Quem mede complexidade por número de genes ou de tipos de célula encontra os dois sentidos. A vida média é mais complexa hoje do que há 3,5 bilhões de anos em parte porque começou no mínimo possível. Depois disso, há linhagens que ganham estruturas, como os halteres das moscas, e outras que as perdem, como insetos sem asas. Bactérias, as mais simples, continuam presentes em toda parte. A medida de ‘avanço’ depende de quem escolhe o critério.

Perder também é adaptar-se: parasitas e peixes de caverna

As tênias não têm intestino, cabeça nem olhos, e seus genomas perderam dezenas de famílias de genes, mas têm muitas cópias de genes de choque térmico. Os microsporídios têm genomas muito reduzidos. Nos peixes cegos de caverna, o olho se forma e depois degenera. Em alguns casos a perda foi neutra, favorecida por populações pequenas; em outros, a seleção pode ter favorecido a perda. Nenhum desses seres é ‘menos evoluído’: estão ajustados ao seu modo de vida.

Como sabemos: reconstruir ancestrais e comparar genomas

Para saber se a complexidade sobe ou desce, os biólogos sequenciam genomas de muitas espécies e inferem, por métodos estatísticos, o que o ancestral comum teria tido. Em arqueias, por exemplo, a revisão citada trata de reconstruções com cerca de 120 genomas. Os limites são claros: são inferências, cobrem poucos grupos, e os autores dizem que ainda faltam reconstruções densas para medir o peso relativo de perda e ganho. Por isso o texto fala em ‘parece’, não em lei.

Como sabemos

Os pontos centrais vêm de páginas institucionais de ensino de evolução e de duas leituras integrais em PMC; o peso relativo de redução e complexificação segue em aberto.

Fontes

  1. Understanding Evolution, UC Berkeley — Trends in Evolution
    Understanding Evolution, University of California Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  2. Understanding Evolution, UC Berkeley — Misconceptions about natural selection
    Understanding Evolution, University of California Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  3. Understanding Evolution, UC Berkeley — Is there a trend toward complexity?
    Understanding Evolution, University of California Museum of Paleontology · 2020 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026
  4. BioEssays — Genome reduction as the dominant mode of evolution
    Wolf, Y. I.; Koonin, E. V. · 2013 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1002/bies.201300037
  5. Nature — The genomes of four tapeworm species reveal adaptations to parasitism
    Tsai, I. J. et al. · 2013 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1038/nature12031
  6. EvoDevo (BioMed Central) — Evolution of eye development in the darkness of caves: adaptation, drift, or both?
    Rétaux, S.; Casane, D. · 2013 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1186/2041-9139-4-26
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 17; conferência de trechos automatizada)

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