Astronomia

Por que as estrelas têm cores diferentes: as azuis são as mais quentes, as vermelhas as mais frias

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

A cor de uma estrela depende, antes de tudo, da temperatura da sua superfície. Quanto mais quente, mais a luz emitida se desloca para comprimentos de onda curtos, o azul. Quanto mais fria, mais ela pende para o vermelho. Rigel, em Orion, tem cerca de 11.000 °C na superfície e brilha azulada; Betelgeuse, na mesma constelação, tem cerca de 3.200 °C e é laranja-avermelhada. É o oposto da intuição do fogo.

Uma estrela se comporta, em boa aproximação, como um corpo negro: um objeto cuja luz depende só da temperatura. A lei de Wien diz que o comprimento de onda do pico da emissão é inversamente proporcional à temperatura (constante de 2,898 × 10⁻³ m·K). Aquecer um objeto desloca o pico para o azul. Por isso os astrônomos classificam as estrelas em sete classes espectrais, de O (azul, acima de 30.000 K) a M (vermelha, abaixo de 3.500 K), e medem a cor pelo índice B−V, que compara a luz azul com a amarelo-esverdeada: valores baixos indicam estrelas mais quentes.

O pico nem sempre está no visível

Pela lei de Wien, o pico de Rigel fica por volta de 257 nm, no ultravioleta, e o de Betelgeuse perto de 834 nm, no infravermelho próximo. Nossos olhos veem só a parte visível da curva, e é o desequilíbrio ali que dá o azul ou o vermelho.

O corpo negro e a lei de Wien

Um corpo negro emite luz em todos os comprimentos de onda, mas com um pico que depende só da temperatura. A lei de Wien resume isso: o pico vezes a temperatura dá uma constante, 2,898 × 10⁻³ m·K. Dobrar a temperatura divide o comprimento de onda do pico pela metade. É o mesmo princípio de um objeto aquecido que passa do infravermelho invisível ao brilho vermelho e, mais quente, a cores mais azuladas.

As sete classes espectrais

A classificação OBAFGKM ordena as estrelas da mais quente à mais fria. A classe O vai de 30.000 a 60.000 K e é azul; B, de 10.000 a 30.000 K, azul-esbranquiçada; A, de 7.500 a 10.000 K, branca; F, de 6.000 a 7.500 K, amarelo-esbranquiçada; G, de 5.000 a 6.000 K, amarela; K, de 3.500 a 5.000 K, amarelo-alaranjada; M, abaixo de 3.500 K, vermelha. O Sol é G2.

Por que o pico não é a cor

O pico de Rigel está no ultravioleta e o de Betelgeuse, no infravermelho próximo, ambos fora do que o olho vê. O que percebemos é como a curva se distribui na faixa visível: em Rigel, mais energia no azul que no vermelho; em Betelgeuse, o contrário. A cor aparente é, portanto, um resumo da inclinação do espectro no visível, não do pico.

Medir a cor em números

Os astrônomos quantificam a cor com o índice B−V: a diferença entre o brilho medido com um filtro azul e outro amarelo-esverdeado. O zero é fixado por uma estrela como Vega, e valores menores indicam estrelas mais quentes e azuis. Também se pode obter a temperatura pela espectroscopia, porque cada linha de absorção só aparece numa faixa de temperatura.

Como sabemos

Relação cor-temperatura, lei de Wien e classes espectrais estão em fontes acadêmicas e institucionais; temperaturas de Rigel e Betelgeuse são valores aproximados.

Fontes

  1. HyperPhysics, Georgia State University — Wien's Displacement Law
    consultada em 06/10/2026
  2. HyperPhysics, Georgia State University — Star Spectral Classification (OBAFGKM)
    consultada em 06/10/2026
  3. NIST, constantes físicas fundamentais — Wien wavelength displacement law constant
    consultada em 06/10/2026
  4. NASA — Sun Facts
    consultada em 06/10/2026
  5. INAF, Osservatorio Astronomico di Torino — Stardust and Eternity 3.1.1: Star temperature and colour
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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