Astronomia

Estrela cadente não é estrela: é um grão de poeira espacial que brilha ao se vaporizar no ar a 11 a 72 km/s

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

Uma estrela cadente é um meteoro: o risco de luz de um meteoroide, uma partícula que costuma ter entre um grão de areia e uma ervilha, ao atravessar a atmosfera. Ele entra a algo entre 11 e 72 quilômetros por segundo e se vaporiza a 70–120 km de altura. O brilho vem de átomos de ar e do próprio meteoroide excitados e ionizados em colisões, não de uma chama comum. A maior parte dessa poeira vem de cometas.

Os cientistas separam três palavras. Meteoroide é a pedra ou o grão ainda no espaço. Meteoro é o fenômeno de luz que ele produz ao entrar na atmosfera. Meteorito é o que sobrevive e chega ao chão, o que a maioria dos objetos pequenos não consegue. Com velocidades de dezenas de km/s, mesmo uma partícula minúscula libera energia suficiente para riscar o céu. Nas chuvas de meteoros, a Terra cruza o rastro de poeira deixado por um cometa: as Perseidas vêm do cometa Swift-Tuttle, e as Eta Aquáridas e as Oriônidas, do Halley. Algumas chuvas, como as Geminidas, estão ligadas a um asteroide, o (3200) Faetonte. Por isso, "poeira de cometa" vale para a maior parte das chuvas, não para todos os meteoros.

Voluntários brasileiros descobriram chuvas de meteoros

A BRAMON, rede brasileira de voluntários com câmeras que registram o céu, foi oficializada em 2014. Em 2017, três de seus membros descobriram as chuvas Epsilon Gruids e August Caelids, incluídas como provisórias na lista da União Astronômica Internacional.

Três palavras para a mesma pedra

Meteoroide é o corpo no espaço, de um grão de poeira a um pequeno asteroide. Quando entra na atmosfera e produz luz, o fenômeno é o meteoro, que o povo chama de estrela cadente. Se um pedaço sobrevive e cai, é um meteorito. A NASA lembra que objetos menores que um campo de futebol quase sempre se partem no ar e que menos de 5% da massa original costuma chegar ao chão.

De onde vem a luz

Ao entrar a dezenas de km/s, o meteoroide aquece a milhares de graus e vaporiza. Os átomos soltos colidem com as moléculas do ar, perdem elétrons e ficam excitados; ao voltar ao estado normal, emitem luz. O rastro inicial tem só alguns centímetros de largura e é um cilindro de plasma. O espectro de um meteoro captado pelo VLT, do ESO, em 2002 mostrou linhas de oxigênio e nitrogênio, os gases do próprio ar.

Por que há cores

O material do meteoroide pouco altera o brilho, mas muda a cor: segundo Rhiannon Blaauw, do Meteoroid Environment Office da NASA, o oxigênio ionizado aparece verde, o sódio amarelo e o magnésio branco-azulado. Já o brilho total depende da massa e do quadrado da velocidade, por isso um grão muito rápido pode brilhar mais que um grão mais pesado e lento.

A rede brasileira

A BRAMON reúne estações de voluntários pelo país, parcerias com outras redes e relatos do público para calcular trajetórias e órbitas. Com esse trabalho, Lauriston Trindade, Carlos Di Pietro e Marcelo Zurita apresentaram em 2017 as Epsilon Gruids, com pico em 11 de junho, e as August Caelids, com pico em 5 de agosto. Ambas entraram como provisórias na lista da União Astronômica Internacional.

Como sabemos

Números e mecanismo vêm de NASA, AMS e Universidade de Boston; a ressalva é a palavra "queima", usada em sentido coloquial pela NASA.

Fontes

  1. NASA — Meteors and Meteorites: Facts
    consultada em 11/10/2026
  2. American Meteor Society — Meteor FAQ
    consultada em 11/10/2026
  3. Universidade de Boston (Centro de Física Espacial) — Meteors
    consultada em 11/10/2026
  4. Astronomy (revista) — Meteor size, speed, brightness and color (Rhiannon Blaauw, NASA Meteoroid Environment Office)
    consultada em 11/10/2026
  5. Olhar Digital — Saiba tudo sobre a Rede Brasileira de Observação de Meteoros no Olhar Espacial
    consultada em 11/10/2026
  6. Diário do Nordeste — Grupo de pesquisadores brasileiros descobre duas novas chuvas de meteoros
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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