Civilizações antigas
A Estrada Real persa tinha 111 estações entre Sardes e Susa, e o correio persa se revezava de dia e de noite
Publicado em 04/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
O historiador grego Heródoto descreveu a Estrada Real do rei persa entre Sardes, na Lídia, e Susa, no atual Irã: 111 estações de repouso ao longo de 450 parasangas, ou 13.500 estádios, uma viagem de 90 dias. Segundo ele, a estrada cruzava terras habitadas e seguras. Em outra passagem, ele descreve o correio persa: cavaleiros que se passavam a mensagem de mão em mão, de dia e de noite, sem que a neve, a chuva, o calor ou a escuridão os detivessem.
O relato de Heródoto é a descrição mais detalhada que temos: ele lista o trajeto por regiões, com o número de etapas de cada uma. Segundo o texto, havia fortalezas guardando passagens críticas, como a do rio Hális e as da fronteira da Cilícia, e as estações do rei eram 'muito boas'. O correio funcionava com homens e cavalos postados a um dia de viagem um do outro, e a mensagem passava de um para o seguinte como a tocha numa corrida, o que em persa se chamava angareion. Os tabletes de Persépolis, escritos em elamita, mostram a administração por trás das estradas: viajantes levavam documentos selados do rei ou de autoridades e recebiam rações em quantidades fixas. A estrada talvez seja mais antiga que o império persa, mas isso é discutido.
A tocha dos mensageiros
Heródoto compara o revezamento do correio persa à corrida de tochas que os gregos faziam em honra de Hefesto: o primeiro cavaleiro entrega a mensagem ao segundo, o segundo ao terceiro, e assim por diante. Na Pérsia, esse sistema de mensageiros se chamava angareion.
O trajeto
Heródoto percorre a estrada região por região: na Lídia e na Frígia, 20 etapas e 94,5 parasangas; no rio Hális, uma passagem estreita guardada por uma grande fortaleza; na Capadócia, 28 etapas e 104 parasangas, com dois desfiladeiros e duas fortalezas na fronteira da Cilícia; na Cilícia, três etapas. Depois vêm o Eufrates, a Armênia (15 etapas), a Matiene (34) e a Císsia (11), até Susa, às margens do rio Choaspes. A soma é de 111 estações e 450 parasangas.
O correio
No livro 8, Heródoto escreve que nada de mortal se move mais depressa que esses mensageiros. A cada jornada de viagem havia um homem e um cavalo; nem neve, chuva, calor ou escuridão os impedia de cumprir o trajeto. Cada um entregava a mensagem ao seguinte, como na corrida de tochas que os gregos faziam em honra de Hefesto. Em persa, esse correio se chamava angareion. É um relato antigo, que ninguém pôde verificar com medições.
O que os tabletes mostram
Os tabletes de Persépolis, em elamita, tratam da circulação de alimentos na região nos quinze anos até 493 a.C. Mais de 2.100 textos foram publicados por Richard Hallock. Mostram que viajantes pelas estradas da região carregavam documentos selados do rei ou de autoridades de nível de satrapia, que diziam a ração a que tinham direito. O próprio Hallock concluiu que todos na esfera estatal da economia persa recebiam rações fixas, num sistema muito organizado.
Uma estrada mais velha que o império?
Heródoto descreve a estrada como 'do rei', mas não diz quem a abriu. Uma nota clássica à sua obra, de How e Wells, afirma que o trajeto de Sardes a Susa é muito mais antigo que o império persa e cita indícios de uma capital hitita na Capadócia, que a estrada teria ligado à Lídia e à Assíria. É uma opinião sobre as origens, não um fato estabelecido, e por isso não entra no texto principal.
Como sabemos
O trajeto e o correio estão em Heródoto, que é uma fonte primária antiga, e a administração em tabletes de Persépolis; falta confirmação moderna em obra acadêmica aberta.
Em debate: A origem da estrada é discutida: um comentário clássico à obra de Heródoto, de How e Wells, a considera muito mais antiga que o império persa, o que o próprio Heródoto não diz.
Em debate: As medidas de Heródoto (parasangas, estádios, dias de viagem) são aproximações antigas, e a conversão para quilômetros depende do valor do estádio, que varia entre autores.
- Fato estabelecido: Segundo Heródoto, ao longo da Estrada Real havia estações do rei e ótimos lugares de repouso, e a estrada atravessava terras habitadas e seguras. [1]
É um relato de um autor antigo, não uma medição moderna. - Fato estabelecido: Heródoto contou 111 estações entre Sardes e Susa. [1]
- Estimativa: Pela conta de Heródoto, a distância de Sardes a Susa é de 450 parasangas, ou 13.500 estádios, e a viagem leva 90 dias, a 150 estádios por dia. [1]
As medidas são as de Heródoto; o valor do estádio e a velocidade diária são aproximações antigas. - Fato estabelecido: Heródoto divide a estrada em etapas: 20 na Lídia e Frígia, 28 na Capadócia, 3 na Cilícia, 15 na Armênia, 34 na Matiene e 11 na Císsia, até Susa, junto ao rio Choaspes. [1]
- Fato estabelecido: Havia fortalezas guardando passagens, como no rio Hális e nos desfiladeiros da fronteira da Cilícia. [1]
- Fato estabelecido: Sardes ficava na atual Turquia e Susa, no Irã. [1]
- Fato estabelecido: Heródoto escreve que, para as notícias, havia tantos homens e cavalos ao longo do caminho quantos dias de viagem, um a cada jornada. [2]
- Fato estabelecido: Segundo Heródoto, nem neve, nem chuva, nem calor, nem escuridão impediam esses mensageiros de cumprir o percurso o mais rápido possível. [2]
- Fato estabelecido: O primeiro cavaleiro entregava a mensagem ao segundo, e assim por diante, como na corrida de tochas grega em honra de Hefesto; o correio se chamava angareion em persa. [2]
- Interpretação: Um comentário clássico anotado na edição de Heródoto afirma que a estrada de Sardes a Susa é muito mais antiga que o império persa, com indícios de uma capital hitita na Capadócia. [1]
É a opinião de How e Wells (comentário citado na edição da Perseus); a origem da estrada é discutida. - Fato estabelecido: Mais de 2.100 textos em elamita dos Tabletes das Fortificações de Persépolis foram publicados por Richard Hallock. [3]
- Fato estabelecido: Os tabletes tratam do movimento e do gasto de alimentos na região de Persépolis nos quinze anos até 493 a.C. [3]
- Fato estabelecido: Viajantes pelas estradas da região de Persépolis levavam documentos selados, emitidos pelo rei ou por autoridades de nível de satrapia, dizendo quanta ração tinham direito a receber. [3]
- Interpretação: Na esfera estatal da economia persa, todos recebiam ração em escala fixa, um sistema de pagamento muito organizado. [3]
É a leitura do editor dos tabletes (Hallock), baseada nos textos publicados da região de Persépolis.
Fontes
- Perseus Digital Library, Tufts University — Heródoto, Histórias, livro 5, capítulos 52 a 54 (trad. A. D. Godley)
consultada em 04/10/2026 - Perseus Digital Library, Tufts University — Heródoto, Histórias, livro 8, capítulo 98 (trad. A. D. Godley)
consultada em 04/10/2026 - Institute for the Study of Ancient Cultures, University of Chicago (antigo Oriental Institute) — Persepolis Fortification Tablets (Richard T. Hallock)
consultada em 04/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 3 · 06/10/2026 — Galeria ampliada: +4 imagem(ns)
- Versão 2 · 05/10/2026 — Galeria: 2 imagem(ns) real(is) de pessoas e lugares (Wikidata/Commons)
- Versão 1 · 05/10/2026 — migração da versão 0.3 (lotes 001 a 003)