Astronomia
Espirais, elípticas e irregulares: por que galáxias têm formas diferentes
Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026
Astrônomos classificam galáxias pela forma desde a década de 1920: espirais com disco e braços, elípticas arredondadas e irregulares sem simetria. A forma não é só aparência. Ela guarda pistas da história de cada galáxia, como a quantidade de gás, a idade das estrelas e, em muitos casos, colisões com outras galáxias.
O diagrama conhecido como diapasão de Hubble foi criado por Edwin Hubble em 1926 e aparece em sua forma de 1936. Ele ordena as galáxias regulares em elípticas (E0 a E7), lenticulares (S0) e espirais, com ou sem barra. Hubble não o via como uma sequência de evolução, e a astronomia atual também não. Hoje a forma é ligada ao gás disponível, à formação de estrelas e à história de fusões: espirais têm muito gás e fazem estrelas nos braços; elípticas costumam ter pouco gás e estrelas velhas; irregulares são frequentemente resultado de interações gravitacionais.
Braços que não são feitos sempre das mesmas estrelas
Os braços de uma espiral não são estruturas rígidas. Uma revisão de 2014 defende que são transitórios e recorrentes, surgindo e se desfazendo no disco, em vez de padrões fixos por bilhões de anos.
A sequência de Hubble é descritiva
O diapasão ordena as galáxias por aparência: elípticas no cabo, espirais com e sem barra nos dois ramos. Os termos 'precoce' para elípticas e lenticulares e 'tardia' para espirais sugerem uma evolução, mas Hubble não via assim, e hoje o diagrama é tratado como classificação, não como linha do tempo.
Como surge uma elíptica
A explicação mais aceita é a fusão: quando galáxias colidem, as órbitas das estrelas deixam de ficar num plano e o conjunto vira um esferoide. O Herschel observou um par de galáxias ricas em gás no universo jovem que deve virar uma elíptica de cerca de 400 bilhões de massas solares, com a intensa formação de estrelas esgotando o gás.
O que as fusões fazem na prática
No estudo de 3.003 pares do Galaxy Zoo, as fusões envolvendo espirais produziram uma cauda azul, sinal de estrelas jovens, e a formação de estrelas das que já formavam cerca de dobrou. Em fusões de elípticas, o efeito foi desprezível, o que combina com a ideia de elípticas gigantes 'vermelhas e mortas'.
Os braços e as lenticulares
Revisões recentes sustentam que os braços espirais surgem e se desfazem de forma recorrente, em vez de serem padrões fixos. As lenticulares, com disco e bojo mas sem braços, têm origem ainda discutida: podem ser espirais cujos braços se apagaram ou resultado de fusões entre espirais.
Como sabemos
Classificação e propriedades gerais vêm de fontes institucionais; a origem dos braços e das lenticulares segue em debate e foi apresentada assim.
Em debate: A visão clássica descreve ondas de densidade duradouras; a revisão Dawes de 2014 defende braços transitórios e recorrentes. O texto adota a segunda como visão recente, sem declarar o debate encerrado.
Em debate: Podem ser espirais antigas cujos braços se apagaram ou resultado de fusões de espirais.
- Fato estabelecido: O diagrama de classificação morfológica de Hubble foi desenvolvido em 1926 e apresentado em 1936. [2]
- Fato estabelecido: O diagrama organiza galáxias regulares em elípticas (E0 a E7), lenticulares (S0) e espirais, com ou sem barra (Sa a Sc e SBa a SBc). [2]
- Consenso científico: Hubble não via o diagrama como uma sequência evolutiva, e ele não representa a evolução das galáxias de forma simples. [2]
- Fato estabelecido: Galáxias espirais têm muito gás e formam estrelas novas nos braços, enquanto as estrelas mais velhas ocupam o disco, o bojo e o halo. [1]
- Fato estabelecido: Galáxias elípticas têm em geral pouco gás e poeira, predomínio de estrelas velhas e pouca formação estelar. [1]
- Fato estabelecido: Lenticulares têm bojo e disco como as espirais, mas sem braços, e populações estelares velhas com pouca formação de estrelas. [1]
- Consenso científico: Galáxias irregulares têm entre 100 milhões e 10 bilhões de massas solares, populações estelares de idades variadas e muitas vezes resultam de interações gravitacionais ou colisões. [1]
A NASA diz que 'muitas vezes' resultam de interações; nem toda irregular tem essa origem. - Teoria científica: Acredita-se que as elípticas se originem de colisões e fusões, e a origem das lenticulares tem duas explicações em disputa: espirais antigas cujos braços se apagaram, ou fusões de espirais. [1] [2]
Lenticulares: origem ainda debatida. - Fato estabelecido: A Via Láctea é uma espiral com barra (classificada como espiral intermediária). [1] [2]
- Evidência forte: Em um estudo do Galaxy Zoo com 3.003 pares de galáxias em fusão, a taxa de formação de estrelas das galáxias que já formavam estrelas cerca de dobrou durante a fusão, enquanto a fusão de elípticas teve efeito desprezível. [4]
- Fato estabelecido: O sistema HXMM01, visto pelo Herschel quando o universo tinha cerca de 3 bilhões de anos, reúne duas galáxias de cerca de 100 bilhões de massas solares cada, formando cerca de 2.000 estrelas como o Sol por ano. [5]
- Interpretação: A fusão de HXMM01 deve produzir, em cerca de 200 milhões de anos, uma elíptica de cerca de 400 bilhões de massas solares, o que indica que fusões de galáxias ricas em gás podem formar as elípticas mais massivas. [5]
Previsão baseada em um único sistema observado. - Teoria científica: Os braços espirais são transitórios e recorrentes, iniciados por instabilidades amplificadas no disco, e em galáxias sem barra interações de maré podem gerar o padrão de dois braços. [3]
É a visão defendida por uma revisão de 2014; a teoria clássica de ondas de densidade persiste em parte da literatura.
Fontes
- NASA Science — Galaxy Types
consultada em 06/10/2026 - University of Nevada, Las Vegas (Departamento de Física e Astronomia) — Galaxy Hubble Sequence
consultada em 06/10/2026 - arXiv / Publications of the Astronomical Society of Australia — Dawes Review 4: Spiral Structures in Disc Galaxies
consultada em 06/10/2026 - arXiv / Monthly Notices of the Royal Astronomical Society — Galaxy Zoo: The properties of merging galaxies in the nearby Universe (Darg et al.)
consultada em 06/10/2026 - ESA (Herschel) — Rare merger illuminates origin of red and dead galaxies
consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão