Fenômenos naturais
Beaufort (0 a 12) e Saffir-Simpson (1 a 5): como cada escala mede o vento e o que deixa de fora
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Beaufort vai de 0 a 12 e descreve o vento pelos efeitos que ele causa no mar e em terra; Saffir-Simpson vai de 1 a 5 e classifica furacões só pelo vento máximo sustentado, de 119 km/h (categoria 1) a 252 km/h ou mais (categoria 5). A segunda não mede maré de tempestade, chuva nem tornados. A força 12 de Beaufort e a categoria 1 começam nos mesmos 64 nós.
Vento sustentado é a velocidade média mantida por um intervalo curto, não a rajada. Nó é a unidade usada no mar e no ar: um nó equivale a cerca de 1,15 mph. A escala Beaufort nasceu para o marinheiro olhar o mar e estimar o vento sem instrumento; por isso cada força vem com uma descrição do mar e outra do que acontece em terra. A Saffir-Simpson nasceu para furacões e hoje usa um só número, o vento máximo sustentado, do qual saem as cinco categorias. As duas escalas descrevem o vento, não o dano total de uma tempestade. O que forma um ciclone tropical está no post sobre ciclones tropicais; a escala de tornados (Fujita) fica de fora deste texto.
O furacão menor que causou mais maré
O Ike (2008) tocou o Texas como categoria 2 e gerou maré de tempestade de cerca de 20 pés; o Charley (2004), categoria 4, teve só cerca de 7 pés. Tamanho do furacão, profundidade da costa e velocidade de avanço também afetam a maré.
Beaufort: uma escala feita de observação
Sem anemômetro a bordo, o marinheiro olhava para o mar. Na força 12, descreve o NWS, o ar fica cheio de espuma e borrifo e o mar completamente branco; em terra, as forças crescentes vão de folhas que se mexem a galhos quebrados. O Met Office lembra que a Beaufort é empírica, baseada em condições do mar observadas, e que a tabela vale para ondas de mar aberto bem desenvolvidas. O mar demora a responder ao vento, e a nota do Met Office adverte para essa defasagem.
Saffir-Simpson: como sabemos a categoria
A categoria sai de uma estimativa do vento máximo sustentado, não de uma leitura exata. O NHC atribui intensidades em passos de 5 nós, justamente porque há incerteza na estimativa, e só depois converte para mph e km/h. Até 1990, medidas confiáveis de vento por aviões de reconhecimento não eram rotina, e a pressão central fazia as vezes do vento. Esse histórico ajuda a entender por que a escala hoje usa só o vento e por que o ajuste de 2012 foi feito sem mudar nenhuma categoria do passado.
O que a categoria não diz
A categoria diz o vento, não a maré, a chuva nem o tamanho. O Ike, de categoria 2, gerou maré de cerca de 20 pés; o Charley, de categoria 4, cerca de 7. O NHC também afirma que o vento diminui cerca de uma categoria perto da costa e que a descrição de dano depende das normas de construção. Por isso o próprio órgão pede proteção contra maré e inundação em todas as categorias, e chama de 'maiores' os furacões de categoria 3 ou mais.
Onde as duas escalas se encontram e onde divergem
Pelos números das fontes, a força 12 de Beaufort e a categoria 1 de Saffir-Simpson começam em 64 nós: é cálculo nosso, comparando as duas tabelas. A partir daí as escalas divergem. A Beaufort termina em 12 e não separa um furacão fraco de um muito forte; a Saffir-Simpson detalha de 64 a mais de 137 nós, mas só para furacões. As médias do vento também não são idênticas: uma fonte fala em vento médio, a outra em vento sustentado de 1 minuto, então comparar valores exige cuidado.
Como sabemos
Faixas, definições e limitações vêm de páginas e documentos oficiais do NHC/NOAA, do NWS e do Met Office, lidos na íntegra.
- Fato estabelecido: A escala Beaufort foi criada em 1805 pelo almirante britânico Francis Beaufort para ajudar marinheiros a estimar o vento por observação visual; vai de 0 a 12 e ainda é usada. [1] Introdução da página
Contexto: Descrição do Serviço Meteorológico Nacional dos EUA (NWS Miami). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A Beaufort é uma medida empírica da intensidade do vento baseada nas condições do mar observadas, e é a escala usada nas previsões marítimas do Met Office. [2] Notas da tabela
Contexto: Serviço meteorológico do Reino Unido. · Limitações: A fonte descreve o uso no Met Office; não afirma que todo serviço marítimo do mundo a use. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: Cada força da Beaufort tem duas descrições, uma para o mar e outra para terra. Na força 4, por exemplo, em terra o vento levanta poeira e papel solto; na força 8, quebra galhos de árvores e dificulta o andar. [1] Tabela, força 8, uso em terra
Contexto: Tabela do NWS Miami, com colunas de uso no mar e em terra. · Limitações: As descrições são qualitativas; as velocidades associadas são faixas, não valores exatos. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A força 12 da Beaufort, chamada 'furacão', começa em 64 nós ou mais (72 a 83 mph na tabela do NWS) e corresponde a mar 'fenomenal' (Met Office), com ondas prováveis de 14 m ou mais; a escala não tem força acima dela. [1] Tabela, força 12 [2] Notas da tabela
Contexto: O Met Office dá a velocidade em nós e em m/s e a altura provável das ondas em metros; o NWS dá mph e nós. · Limitações: Os valores se referem a ondas de mar aberto bem desenvolvidas, segundo a nota da tabela do Met Office. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: A escala Saffir-Simpson é uma classificação de 1 a 5 baseada apenas na velocidade máxima do vento sustentado de um furacão; ela não considera maré de tempestade, inundação por chuva e tornados, que exigem proteção em qualquer categoria. [3] Texto introdutório
Contexto: Página do Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC/NOAA). · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada - Fato estabelecido: O vento que define a categoria é o máximo sustentado de 1 minuto a 10 m de altura sobre terreno aberto, e os ventos sustentados podem ser mais fortes em terreno acidentado. [4] Parágrafo de abertura
Contexto: Definição operacional do NHC; a Beaufort usa outro critério, baseado em efeitos observados. · Limitações: Esta definição vem do documento do NHC; outros centros de previsão podem usar intervalos de média diferentes. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: As categorias vão de 74-95 mph (119-153 km/h, 64-82 nós) na categoria 1 a 157 mph (252 km/h, 137 nós) ou mais na categoria 5; furacões de categoria 3 ou mais são chamados 'maiores'. [3] Texto introdutório [4] Categoria 1
Contexto: Faixas vigentes na página do NHC; o limiar da categoria 4 foi ajustado em 2012 (afirmação a11). · Limitações: O PDF da escala (f4) ainda mostra o limiar antigo de 156 mph para a categoria 5; usamos a página atual do NHC (f3). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A escala foi desenvolvida originalmente pelo engenheiro de ventos Herb Saffir e pelo meteorologista Bob Simpson; versões antigas incluíam pressão central e maré de tempestade, retiradas depois para deixar só o vento. [4] Terceiro parágrafo
Contexto: A pressão servia de substituta do vento nos anos 1970 e 1980, segundo o NHC. · Limitações: O ano da primeira publicação e a data exata da retirada da pressão e da maré não foram verificados aqui. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A categoria pode não coincidir com a maré de tempestade: o Ike, grande, tocou o Texas em 2008 como categoria 2 com maré de cerca de 20 pés; o Charley, pequeno, atingiu a Flórida em 2004 como categoria 4 com maré de cerca de 7 pés. Segundo o NHC, o tamanho do furacão, a profundidade da costa, o relevo e a velocidade de avanço também afetam a maré. [4] Quarto parágrafo (início da p. 2)
Contexto: Dois casos de furacões nos EUA citados pelo NHC; não são amostra estatística. · Limitações: Dois exemplos ilustram o ponto, não provam um padrão geral. 20 pés e 7 pés ficam como na fonte (cerca de 6 m e 2 m, cálculo nosso, fator 0,3048). A frase do NHC sobre os fatores da maré atravessa a quebra de página; por isso foi dividida em dois trechos. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O NHC afirma que os ventos sustentados máximos diminuem cerca de uma categoria a um quilômetro da costa; o Wilma chegou à Flórida como categoria 3, mas a maioria das áreas de Miami-Dade, Broward e Palm Beach sentiu condições de categoria 1 ou 2. [4] Parágrafo de abertura
Contexto: Wilma, 2005, sudoeste da Flórida; a própria fonte diz que há exceções. · Limitações: A fonte usa 'são considerados' (are believed to), e o valor de 1 km é aproximado. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Em 2012 o NHC alargou a faixa da categoria 4 em 1 mph em cada ponta, para 130-156 mph, por causa de problemas de conversão entre unidades; o ajuste não mudou a categoria de nenhuma tempestade do histórico, porque o NHC atribui intensidades em passos de 5 nós. [5] Segundo parágrafo
Contexto: Aviso do NHC sobre a modificação da escala para a temporada de 2012. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Estimativa: Segundo o NHC, o dano costuma subir cerca de quatro vezes a cada categoria, mas as descrições de dano dependem das normas de construção locais e de quanto tempo e com que rigor foram aplicadas. [4] Terceiro parágrafo
Contexto: Descrições de dano feitas para os EUA; o NHC cita Pielke e colaboradores (2008) para o fator de quatro, trabalho que não consultamos. · Limitações: Fator de quatro é média e regra geral, não valor medido em cada tempestade. · Estimativa de segunda mão: lemos o NHC, não o estudo original citado por ele. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: A categoria 5 é aberta no topo (157 mph ou mais); no oeste do Pacífico Norte usa-se também o termo "supertufão" para ciclones tropicais com vento sustentado acima de 150 mph. [3] Nota de rodapé do texto introdutório
Contexto: Termo regional citado pelo NHC. · Limitações: A fonte não define se o termo usa a mesma média de 1 minuto da Saffir-Simpson. · Conferida na fonte (página institucional), conferência automatizada
Fontes
- NOAA / National Weather Service (NWS Miami) — Beaufort Wind Scale
NOAA / National Weather Service, Miami - South Florida · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - Met Office (Reino Unido) — Beaufort wind force scale
Met Office · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA / National Hurricane Center — Saffir-Simpson Hurricane Wind Scale
NOAA / National Hurricane Center · s.d. · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA / National Hurricane Center — The Saffir-Simpson Hurricane Wind Scale (atualizado em maio de 2021)
NOAA / National Hurricane Center · 2021 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 - NOAA / National Hurricane Center — Minor Modification to Saffir-Simpson Hurricane Wind Scale For the 2012 Hurricane Season
NOAA / National Hurricane Center · 2012 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 13; conferência de trechos automatizada)