Astronomia

Uma erupção solar é magnetismo que se rearranja de repente, e a maior medida foi X28

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Uma erupção solar é uma explosão de radiação causada pela liberação súbita de energia magnética acumulada na atmosfera do Sol. Quando linhas de campo torcidas se rompem e se religam, num processo chamado reconexão magnética, a energia vira calor, partículas aceleradas e luz em todo o espectro. A escala vai de A a X, e o recorde medido é da erupção X28, em 2003.

O Sol gira e arrasta consigo campos magnéticos que se torcem e se enroscam, sobretudo acima das manchas solares. Esse campo guarda energia, como uma mola comprimida. Quando as linhas se reorganizam, a energia é liberada em segundos a minutos: o gás da coroa chega a 10 a 20 milhões de kelvin, partículas são aceleradas e há emissão de rádio a raios X e gama. A luz viaja a 300 mil km/s, então o efeito sobre a alta atmosfera terrestre, do lado iluminado, é quase imediato. A radiação em si não atinge o solo, barrada pela atmosfera e pelo campo magnético da Terra. Já a ejeção de massa coronal, que pode acompanhar uma erupção, é outro fenômeno.

Uma escala de potências de dez

As classes são definidas pelo pico do fluxo de raios X medido por satélites GOES. De uma classe para a seguinte, o fluxo multiplica por 10: M1 equivale a 10⁻⁵ W/m² e X1 a 10⁻⁴ W/m². O X não tem teto, e por isso existe X28.

Energia guardada no campo

O campo magnético sobre uma mancha solar é torcido pela rotação e pelos movimentos do gás. Essa torção armazena energia nas linhas de campo, como numa mola. Enquanto o campo se mantém estável, nada acontece; a erupção começa quando a configuração se torna instável e as linhas se rompem e se religam em outro arranjo, de menor energia.

O que a reconexão libera

Na reconexão, a energia magnética se converte em calor, movimento do gás e partículas aceleradas. O gás da coroa passa de poucos milhões para 10 a 20 milhões de kelvin, com picos que podem chegar a 100 milhões. As partículas aceleradas emitem rádio, raios X duros e raios gama na fase impulsiva, e depois o plasma quente brilha em raios X moles na fase de decaimento.

Ler as classes A a X

Os satélites GOES medem o fluxo de raios X de 1 a 8 Å. Abaixo de 10⁻⁷ W/m² é A; de 10⁻⁷ a 10⁻⁶, B; de 10⁻⁶ a 10⁻⁵, C; de 10⁻⁵ a 10⁻⁴, M; acima de 10⁻⁴, X. O número depois da letra é o múltiplo: X2 tem o dobro do fluxo de X1. A classe mede o pico de raios X, não a energia total da erupção.

Erupção não é ejeção de massa

A erupção é um clarão de radiação, e seus efeitos chegam à Terra à velocidade da luz, como os apagões de rádio no lado iluminado. Já a ejeção de massa coronal é uma nuvem de plasma que pode acompanhá-la e leva mais tempo para chegar. A tempestade geomagnética de 1859 está ligada a esse segundo fenômeno, tema de outro post.

Como sabemos

Definição, mecanismo geral, escala e recorde confirmados em fontes da NASA e da NOAA; valores de energia são ordens de grandeza.

Fontes

  1. NASA Science — Solar Storms and Flares
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA Space Weather Prediction Center — Solar Flares (Radio Blackouts)
    consultada em 06/10/2026
  3. NASA Goddard (HESSI/RHESSI) — Solar Flare Theory
    consultada em 06/10/2026
  4. SpaceWeatherLive — What are solar flares?
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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