Fenômenos naturais

A erupção de Hunga Tonga, em 2022, fez uma onda de pressão dar a volta ao planeta pelo menos seis vezes

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Em 15 de janeiro de 2022, a erupção do vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha'apai, em Tonga, lançou uma onda de pressão que se propagou pela atmosfera a cerca de 309 m/s. Estações meteorológicas registraram sinais de até a sexta passagem da onda pelo globo. Foi uma onda de Lamb, que viaja rente à superfície, e o aumento de pressão medido em solo foi de pouco mais de 1 hPa, cerca de um milésimo da pressão atmosférica.

Uma onda de Lamb é uma perturbação de pressão que se move horizontalmente pela atmosfera inteira, sem se espalhar. A de Hunga Tonga viajou a cerca de 315 m/s, perto da velocidade do som no ar frio da alta troposfera, e foi vista em 191 estações de superfície da América do Norte e do Pacífico. A explosão foi comparada à do Krakatoa em 1883, embora a energia estimada de Tonga (4 a 18 megatons) seja bem menor que a do Krakatoa (cerca de 200 megatons). A onda também mexeu com o mar: no Japão, o tsunami chegou antes do que a teoria de ondas de gravidade previa, porque a pressão do ar empurrou a água ao longo do trajeto. Ao mesmo tempo, a pluma passou de 50 km de altura e produziu a maior taxa de raios já documentada numa erupção.

Raios em anéis

A pluma de Hunga Tonga gerou mais de 2.600 raios por minuto, a maior taxa registrada em uma erupção. Os raios surgiram em anéis que se expandiam, acompanhando uma onda de gravidade interna na nuvem.

O que é uma onda de Lamb

É uma onda de pressão que percorre a atmosfera inteira na horizontal, quase sem se dispersar. No caso de Tonga, a velocidade ficou perto de 309 a 315 m/s, compatível com a do som no ar frio da alta troposfera. Por isso ela deu a volta ao globo várias vezes, com sinais até a sexta passagem.

Ar e mar acoplados

Estudos no Japão mostraram que o tsunami chegou antes do que a teoria de ondas de gravidade previa. A onda de pressão atmosférica empurrou a água do mar durante o trajeto, e as oscilações resultantes tiveram períodos de cerca de 7,7 a 9,9 minutos na fase inicial e de cerca de 28,7 minutos na seguinte.

Raios em anéis

A pluma passou de 50 km de altura e gerou mais de 2.600 raios por minuto. Os raios formaram anéis em expansão, o primeiro coincidente com uma onda de gravidade interna a mais de 80 m/s na nuvem. Os autores ligam a intensidade à taxa de erupção altíssima e à água do mar vaporizada.

Água na estratosfera

Como o vulcão estava sob o mar, a erupção vaporizou água do mar e a lançou ao alto. Uma estimativa é de cerca de 146 Tg de vapor injetados entre cerca de 45 e 10 hPa, aproximadamente 10% da água estratosférica. Foi emitido pouco dióxido de enxofre, de 0,4 a 0,5 Tg, o que torna o caso incomum.

Como sabemos

Números principais vieram de artigos abertos no PMC e da NOAA, mas várias fontes de primeira linha (Science, Nature, Wiley) bloquearam leitura direta.

Em debate: A quantidade exata de vapor de água injetada varia entre estudos, de cerca de 50 a 150 Tg.

Fontes

  1. Scientific Reports (PMC) — Global shockwaves of the Hunga Tonga-Hunga Ha'apai volcano eruption measured at ground stations
    consultada em 06/10/2026
  2. PMC — Resonance characteristics of tsunami in bay of Japan by the Hunga Tonga-Hunga Ha'apai volcano eruption
    consultada em 06/10/2026
  3. Atmospheric Chemistry and Physics (Copernicus) — Upper-atmosphere responses to the 2022 Hunga Tonga eruption via acoustic gravity waves and air-sea interaction
    consultada em 06/10/2026
  4. PMC — Compensating atmospheric adjustments reduce the volcanic forcing from Hunga stratospheric water vapor enhancement
    consultada em 06/10/2026
  5. NOAA Institutional Repository — Lightning Rings and Gravity Waves: Insights Into the Giant Eruption Plume From Tonga's Hunga Volcano
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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