Astronomia

Erupção solar e ejeção de massa coronal: a luz chega em 8 minutos, a nuvem leva de 15 horas a dias

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Uma erupção solar é um clarão de radiação, que viaja à velocidade da luz e chega à Terra em cerca de 8 minutos. Uma ejeção de massa coronal (CME) é uma nuvem de plasma e campo magnético, com bilhões de toneladas de gás eletrizado, que se move mais devagar: as CMEs mais rápidas que vêm na direção da Terra levam de 15 a 18 horas, as lentas, vários dias. Os dois fenômenos costumam ter a mesma origem, mas são coisas distintas.

Quando o campo magnético sobre uma região ativa do Sol se rompe e se rearranja, a energia liberada pode sair de duas formas. Uma é radiação em todo o espectro, de rádio a raios gama: a erupção. A outra é matéria: gás da coroa, o plasma, arrastado junto com seu campo magnético e lançado ao espaço: a CME. A radiação da erupção chega na hora e atinge o lado iluminado da Terra, onde pode causar apagões de rádio. A nuvem demora, e é ela que pode provocar tempestades geomagnéticas, com efeitos em GPS, redes elétricas e satélites. Uma coisa não implica a outra: segundo o SpaceWeatherLive, em geral são as erupções mais fortes e longas que lançam uma CME.

A CME que se vê como um anel

Quando uma CME vem direto para a Terra, o coronógrafo LASCO, da sonda SOHO, a vê como um halo, um anel tênue ao redor do disco bloqueado do Sol. Uma ejeção de 1997 cruzou o espaço a cerca de 450 km/s e chegou em 10 de janeiro, quase quatro dias depois.

Mesma origem, duas saídas

Tanto a erupção quanto a CME vêm da reconexão magnética em regiões ativas. Segundo o NOAA, a reconexão em cordas de fluxo tensionadas pode liberar energia como erupção, que tipicamente acompanha a aceleração explosiva do plasma. A erupção é a parte que vira radiação; a CME é a parte que vira matéria em movimento. Por isso aparecem juntas com frequência, mas são medidas e observadas por instrumentos diferentes.

Por que a luz chega primeiro

A radiação de uma erupção atravessa o espaço à velocidade da luz e ioniza as camadas baixas da atmosfera do lado iluminado da Terra, o que pode degradar ou absorver sinais de rádio HF. O efeito ocorre ao mesmo tempo em que o evento é visto. A nuvem de plasma, em contraste, viaja a velocidades de centenas de km/s, bem abaixo da luz, e por isso o intervalo de aviso vai de horas a dias.

O que a nuvem faz ao chegar

Uma CME carrega seu próprio campo magnético. Quando ele interage com o campo da Terra, pode desencadear uma tempestade geomagnética. O NOAA observa que a tempestade é mais intensa quando o campo da CME se mantém voltado para o sul de modo pronunciado e prolongado. Os efeitos incluem falhas em GPS, interferência em redes elétricas e em comunicações por satélite.

Como se vê uma CME

Uma CME é observada por coronógrafos, que bloqueiam o disco do Sol para revelar a coroa. Quando vem direto para a Terra, aparece como um halo, um anel tênue ao redor do disco. Em janeiro de 1997, o LASCO registrou um halo e a nuvem foi detectada na Terra quatro dias depois, a cerca de 450 km/s. O halo ajuda a decidir quais ejeções merecem alerta.

Como sabemos

Definições e tempos conferidos em NASA e NOAA SWPC; só a frequência de erupções com CME vem de fonte divulgativa.

Fontes

  1. NASA — Solar Storms and Flares
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA Space Weather Prediction Center — Solar Flares / Radio Blackouts
    consultada em 06/10/2026
  3. NOAA Space Weather Prediction Center — Coronal Mass Ejections
    consultada em 06/10/2026
  4. SpaceWeatherLive — What are solar flares?
    consultada em 06/10/2026
  5. NASA/ISTP, SOHO LASCO — Halo CME press release (LASCO, janeiro de 1997)
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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