Evolução

EPAS1 nos tibetanos: a variante de altitude veio de denisovanos ou de parentes próximos deles

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

A variante de EPAS1 comum em tibetanos, associada a menor hemoglobina em altitude, coincide com o haplótipo do genoma denisovano do Altai e, em 2014, só aparecia em tibetanos e, raramente, em han. Os autores a atribuem a mistura com denisovanos ou parentes próximos, estimada em cerca de 48 mil anos, com intervalo muito largo.

EPAS1 codifica um fator de transcrição ativado quando falta oxigênio. Em quem sobe de áreas baixas, a hemoglobina aumenta; em tibetanos esse aumento é limitado, e portadores do alelo derivado têm hemoglobina mais baixa. Um haplótipo é um bloco de variantes herdadas juntas. O de EPAS1 tem uma versão comum no Tibete e rara fora dele, igual à do genoma denisovano do Altai. Introgressão é a entrada de genes de uma linhagem na outra por cruzamento; denisovanos são uma linhagem humana arcaica, conhecida sobretudo pelo DNA.

Um fóssil a 3.280 m

A mandíbula de Xiahe, achada na caverna Baishiya, no Planalto Tibetano, foi atribuída a denisovanos. Segundo um estudo de 2021, indica que parentes dos denisovanos já viviam em altitude há pelo menos 160 mil anos.

Por que a hemoglobina entra na história

Quem sobe a grandes altitudes costuma responder ao ar rarefeito produzindo mais hemoglobina. Em tibetanos, esse aumento é limitado. Os autores do estudo de 2014 presumem que isso evita o excesso de viscosidade do sangue e o risco cardíaco ligado a ele, uma explicação adotada, não medida ali. O alelo derivado de EPAS1 aparece associado a hemoglobina mais baixa. É uma associação: ela não mostra, sozinha, todos os passos fisiológicos.

Como sabemos que o haplótipo é arcaico

Em 2014, a equipe sequenciou EPAS1 em 40 tibetanos e 40 han, com mais de 200 vezes de cobertura, e comparou com painéis de populações do mundo e com o genoma denisovano do Altai. Em cinco posições, o motivo tibetano coincide com o denisovano e não aparece nos demais grupos modernos, salvo raros han. O comprimento do bloco torna improvável a explicação por ancestral comum. É inferência estatística: depende de um único genoma denisovano de referência.

Quando e onde: o que é estimativa

Em 2021, uma análise de 78 tibetanos estimou a mistura em cerca de 48.700 anos atrás e o início da seleção em cerca de 9.000 anos atrás. Os intervalos são muito largos, de 16.000 a 59.500 e de 2.500 a 42.000 anos. Como a data é anterior à ocupação permanente do Planalto, os autores sugerem que a mistura ocorreu fora dele e que o alelo foi favorecido depois. Um estudo de 2024 lembra que EPAS1 explica só parte da adaptação fisiológica.

Como sabemos

A origem arcaica do haplótipo é bem sustentada; a data e o local da mistura são estimativas com intervalos largos.

Fontes

  1. Nature — Altitude adaptation in Tibetans caused by introgression of Denisovan-like DNA
    Huerta-Sánchez, E.; Jin, X.; et al. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/nature13408
  2. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) — The history and evolution of the Denisovan-EPAS1 haplotype in Tibetans
    Zhang, X.; Witt, K. E.; et al. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1073/pnas.2020803118
  3. eLife — Archaic introgression contributed to shape the adaptive modulation of angiogenesis and cardiovascular traits in human high-altitude populations from the Himalayas
    Ferraretti, G.; Abondio, P.; et al. · 2024 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.7554/elife.89815
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 8; conferência de trechos automatizada)

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