Zoologia
Elefantes puxam juntos as duas pontas de uma corda e esperam o parceiro: o que o teste de 2011 mostra
Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026
Assuntos: Inteligência animal
Em 2011, elefantes-asiáticos de um centro na Tailândia, em seis duplas, aprenderam a puxar ao mesmo tempo as duas pontas de uma corda e esperaram até 45 s por um parceiro atrasado. Sem acesso do parceiro à corda, quatro dos cinco analisados puxaram bem menos. Isso mostra atenção ao parceiro; se é entendimento ou aprendizado rápido, os próprios autores dizem ser difícil separar.
O teste usa uma mesa deslizante fora do alcance, com comida, e uma única corda passada em volta do aparelho. Só se as duas pontas fossem puxadas ao mesmo tempo a mesa vinha; se um elefante puxasse sozinho, a corda se soltava e a chance acabava. O desenho foi criado para chimpanzés e adaptado por Plotnik e colegas ao Thai Elephant Conservation Center, em Lampang, com 12 elefantes em seis duplas, cada um acompanhado por seu cuidador (mahout). Antes, os animais só aprenderam a puxar uma corda sozinhos. O que se mede não é inteligência em geral, mas se o animal leva em conta a presença e o acesso do parceiro.
A elefanta que pisou na corda
Uma jovem chamada NU chegou a 97% de sucesso pisando na sua ponta da corda, para não ser arrancada quando a parceira puxasse. Assim, a parceira fazia todo o esforço. Os autores a deixaram fora da análise dos puxões.
Como sabemos: o que cada condição testa
A liberação simultânea diz pouco: bastava ver a corda e puxar. Por isso veio a liberação com atraso: o primeiro elefante, solto 5 s antes e depois com intervalos maiores, tinha de esperar. Por fim, o controle sem corda deixava a ponta do parceiro fora de alcance. Se o animal puxasse do mesmo jeito, esperar não dependia do parceiro; se parasse, ele levava em conta o acesso do outro.
Os números do experimento
Os seis elefantes testados esperaram o parceiro em 88% a 97% dos 60 ensaios de atraso. Dos cinco analisados, todos puxaram mais depois da chegada do parceiro, e quatro, em número significativo de ensaios, não puxaram até o parceiro chegar. No controle sem corda, quatro puxaram bem menos. Um deles, WL, nunca puxou, e outro, PT, puxou uma vez. Quatro recuaram sozinhos pouco depois do parceiro, sem comando do mahout.
Entendimento ou aprendizado rápido
A explicação mais simples é que o elefante aprendeu que a corda só dá resultado se esticar. Os autores a discutem, mas lembram que quatro animais recuaram quando o parceiro não tinha corda e que sete usaram três estratégias distintas. Concluem que houve cooperação atenta ao parceiro, não que entenderam o aparelho. Isso conversa com o cânone de Morgan: preferir a explicação menos exigente que dê conta dos dados.
Limites e o que veio depois
Só 6 dos 12 elefantes foram testados nas três condições, as duplas foram escolhidas pela docilidade e os animais vivem sob cuidados humanos. Segundo o artigo, corvos-de-bico-claro sem treino de espera não esperaram o parceiro; golfinhos esperaram em outro estudo. Em 2021, com 9 elefantes semisselvagens em Mianmar, a cooperação passou de 80% e desabou quando a comida ficou monopolizável.
Como sabemos
Resultados e limites conferidos no texto integral de Plotnik et al. (2011), mas é um estudo com poucos animais treinados, de um só centro.
Em debate:
- Evidência forte: Elefantes-asiáticos aprenderam a coordenar-se com um parceiro numa tarefa em que as duas pontas da mesma corda precisavam ser puxadas ao mesmo tempo para obter recompensa. [1] Abstract
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Limitações: Amostra pequena (12 elefantes em seis duplas); só o primeiro elefante de cada dupla foi testado nas três condições. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Os elefantes inibiram o puxão por até 45 s quando o parceiro demorava a chegar. [1] Abstract
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Limitações: Atrasos de 26 a 45 s eram inéditos para os animais; o treino de espera tinha ido até 25 s. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Na liberação com atraso, os seis elefantes testados esperaram o parceiro em 88% a 97% dos 60 ensaios (média de 93,3%). [1] Results and Discussion, Delayed Release
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Limitações: Cada elefante fez 60 ensaios em 3 dias, com atrasos de 1 a 45 s, depois de um treino gradual em degraus de 5 s. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: No controle sem corda, em que a ponta do parceiro estava fora de alcance, quatro dos cinco elefantes analisados puxaram significativamente menos do que quando o parceiro tinha acesso à corda. [1] Results and Discussion, No-Rope Control
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Limitações: O quinto elefante (SS) mostrou só tendência, sem significância. Um dos seis (NU) ficou fora das análises de taxa de puxões por usar outra estratégia. O trecho original diz que puxaram mais com o parceiro ativo; é a mesma comparação, escrita ao contrário. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Os próprios autores admitem que o comportamento ainda poderia ser explicado por uma contingência aprendida ligada à corda: sentir a corda esticar quando o parceiro a segura ou puxa. [1] Results and Discussion, No-Rope Control
Contexto: Explicação alternativa que os autores discutem e tentam reduzir com a observação de que quatro elefantes recuavam logo após o parceiro. · Limitações: Contingência é a relação aprendida entre um sinal (corda tensa) e um resultado (recompensa). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Os autores escrevem que, como no caso de humanos e de outros primatas, é difícil traçar a linha entre aprendizado e entendimento. [1] Results and Discussion, penúltimo parágrafo
Contexto: Conclusão cautelosa dos autores, seguida da afirmação de que os resultados mostram atenção à presença e às ações do parceiro. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: O estudo não testou se os elefantes entendiam como a corda e o aparelho funcionavam; ele tratou apenas do aspecto social da cooperação. [1] Results and Discussion, No-Rope Control
Contexto: Frase dos autores sobre o alcance do experimento. · Limitações: A frase completa diz que a capacidade de aprender as regras da tarefa e o papel dos parceiros não implica nem exige entender como a corda e o aparelho funcionavam. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Uma jovem elefanta (NU) chegou a 97% de sucesso apoiando um pé na sua ponta da corda, o que impedia que fosse arrancada e deixava ao parceiro todo o trabalho de puxar. [1] Results and Discussion, Alternative Strategies
Contexto: Relato de um caso (N = 1), com vídeo no material suplementar do artigo. · Limitações: Caso isolado; os autores o usam como argumento de flexibilidade, mas não o testaram de modo controlado. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: Os autores registram três estratégias entre sete elefantes: aproximar, esperar e puxar (n = 5); pisar na corda e esperar (n = 1); esperar longe e só então se aproximar e puxar (n = 1). [1] Results and Discussion, Alternative Strategies
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Interpretação: Durante os ensaios os elefantes não vocalizaram nem olharam para o parceiro de modo visível; os autores consideram mais provável que usassem pistas de som e cheiro da aproximação do parceiro. [1] Results and Discussion, Tolerance trials
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Limitações: A interpretação sobre som e cheiro é dos autores ('most likely'); o estudo não a testou diretamente. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Fato estabelecido: As duplas foram escolhidas pela docilidade e pela qualidade da relação entre os elefantes, segundo os cuidadores, e nenhum ensaio de tolerância terminou em agressão. [1] Results and Discussion, Tolerance trials
Contexto: Elefantes-asiáticos (Elephas maximus) do Thai Elephant Conservation Center, Lampang, Tailândia, acompanhados por seus cuidadores (mahouts). · Limitações: Limita a generalização: duplas menos tolerantes não foram testadas por segurança. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Segundo o artigo de 2011, corvos-de-bico-claro (rooks) puxaram as duas pontas juntos quando elas eram apresentadas ao mesmo tempo, mas não esperaram um pelo outro na condição de liberação com atraso. [1] Results and Discussion, comparação com outras espécies
Contexto: Relato de Plotnik et al. sobre outro estudo (rooks); o estudo original não foi lido. · Limitações: Os autores apontam que os corvos não tiveram o treino de espera que os elefantes tiveram, o que dificulta a comparação direta. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Golfinhos-nariz-de-garrafa, numa tarefa de puxar corda em dupla, tendiam a esperar o parceiro chegar quando eram os primeiros a ser liberados, e o seguidor nadava mais rápido se o primeiro puxava sozinho. [3] Abstract
Contexto: Tursiops truncatus sob cuidados humanos, tarefa de puxar corda com atraso. · Limitações: Só o resumo foi lido; os autores atribuem o resultado a aprendizado por tentativa e erro. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: Em um estudo posterior, com 9 elefantes-asiáticos semisselvagens em Mianmar, a cooperação foi bem-sucedida em 1.451 de 1.795 ensaios, ao longo de 45 sessões. [2] Results, Overall cooperation
Contexto: Elefantes semisselvagens do acampamento Myaing Hay Wun, Mianmar, com duas bandejas de comida (uma em cada ponta da mesa). · Limitações: Outro grupo, outro aparelho (corda solta com acesso aberto); não é réplica direta do teste de 2011. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Evidência forte: No mesmo estudo de Mianmar, quando a comida foi concentrada numa só bandeja e passou a poder ser monopolizada, a cooperação caiu a zero; os autores atribuem isso ao abandono da tarefa pelos elefantes subordinados. [2] Results, Phase II
Contexto: Mesmo grupo de 9 elefantes semisselvagens; fase com bandeja única. · Limitações: A explicação é leitura dos autores a partir da observação de quem saía primeiro. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada - Incerto: Os autores de 2011 dizem que não era possível saber se os elefantes viam se a corda do parceiro estava disponível, porque a acuidade visual de elefantes recebeu pouca atenção da pesquisa. [1] Results and Discussion, No-Rope Control
Contexto: Limite apontado pelos autores em 2011; não verificamos se pesquisas posteriores o resolveram. · Afirmação sobre o estado da pesquisa em 2011; não conferimos o que mudou depois. · Conferida na fonte (texto integral), conferência automatizada
Fontes
- Proceedings of the National Academy of Sciences — Elephants know when they need a helping trunk in a cooperative task
Plotnik, J. M.; Lair, R.; Suphachoksahakun, W.; de Waal, F. B. M. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1073/pnas.1101765108 - PLOS Biology — Cooperating elephants mitigate competition until the stakes get too high
Li, L.-L.; Plotnik, J. M.; Xia, S.-W.; Meaux, E.; Quan, R.-C. · 2021 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.3001391 - PeerJ — Cooperation in bottlenose dolphins: bidirectional coordination in a rope-pulling task
Yamamoto, C.; Kashiwagi, N.; Otsuka, M.; Sakai, M.; et al. · 2019 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.7717/peerj.7826
Histórico de alterações
- Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 15; conferência de trechos automatizada)