Genética

Elefante-africano: o maior repertório de genes olfativos medido até 2014, mas gene a mais não é faro maior

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Um estudo de 2014 contou 1.948 genes intactos de receptores olfativos no genoma do elefante-africano, o maior repertório já identificado numa espécie, segundo os autores, e cerca de cinco vezes o humano. O número mede a variedade de receptores que o animal pode produzir, não a sensibilidade do faro. Em 20 mamíferos, a relação com o desempenho olfativo aparece no conjunto, mas quase some quando cada cheiro é analisado separadamente.

Receptores olfativos (OR, na sigla em inglês) são proteínas das células do nariz que se ligam a moléculas de cheiro. Cada receptor pode reconhecer vários odores, e cada odor ativa vários receptores: o cérebro lê a combinação. Os genes que fabricam esses receptores formam a maior família de genes dos mamíferos, e o número deles varia muito entre espécies. Genes classificados como intactos são presumidos funcionais pela sequência; pseudogenes são cópias que perderam a função. Contar genes é medir o repertório de receptores possíveis. Isso é diferente de medir o que o animal consegue farejar, que se testa com comportamento.

Mais pseudogenes também

O mesmo genoma de elefante-africano tem 2.230 pseudogenes de receptores olfativos, mais do que genes intactos. A fração de pseudogenes, porém, foi quase igual à humana: o que muda é a quantidade de genes funcionais.

O que se contou, e como

Os autores identificaram os genes de receptores olfativos nos genomas de 13 mamíferos e os classificaram em intactos, truncados ou pseudogenes. Um gene intacto é uma sequência completa, sem mutação que a interrompa, e é presumido funcional. A conta de 1.948 é, portanto, uma contagem de sequências no DNA, feita pelos autores a partir do genoma. Não mede quantos desses genes são lidos no nariz do animal vivo, nem quanto cada um contribui para o faro.

Como sabemos: do genoma ao 'maior já medido'

O genoma do elefante estava em mais de 2.000 fragmentos, o que cortou a maioria dos agrupamentos de genes olfativos nas pontas. Por isso os autores não afirmam que o elefante tem mais agrupamentos que o camundongo: estimaram cerca de 34 nos dois. A diferença está em agrupamentos maiores. O superlativo, ainda, vale para a época e para os genomas então disponíveis; os próprios autores o escrevem como 'o maior já identificado numa espécie'. Uma contagem futura pode mudá-lo.

Mais genes, melhor faro? O que os testes mostram

Há apoio parcial. Elefantes-asiáticos distinguiram todos os pares de odores de um teste e se saíram pelo menos tão bem quanto camundongos. Numa compilação de 20 mamíferos, o número de genes correlaciona com os dados de olfato no conjunto, mas isso quase desaparece cálculo a cálculo: apenas 5 de 44 odorantes e 0 de 74 relações de discriminação. Os autores de 2014 supunham que mais genes dariam mais resolução entre odores parecidos; é suposição, e o teste cobre poucas espécies.

O que o número não diz

Não diz quem tem o faro mais sensível. Dois repertórios do mesmo tamanho, como os de cães e porquinhos-da-índia, compartilham só cerca de 51% dos genes. Também não diz o que cada receptor faz: em 2014, a função de 84 receptores do grupo expandido no elefante era desconhecida. E o genoma sequenciado era do elefante-africano, enquanto os testes de discriminação de 2013 usaram elefantes-asiáticos. Em 2025, uma comparação direta entre as duas espécies, com 5 animais cada, apontou limiares de 50 e 100 ppm para um odor de folha.

Como sabemos

As contagens de genes vêm de um artigo lido por inteiro; a relação entre número de genes e capacidade olfativa depende de estudos de resumo e de testes com amostras pequenas.

Fontes

  1. Genome Research (Cold Spring Harbor Laboratory Press); Universidade de Tóquio — Extreme expansion of the olfactory receptor gene repertoire in African elephants and evolutionary dynamics of orthologous gene groups in 13 placental mammals
    Niimura, Y.; Matsui, A.; Touhara, K. · 2014 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1101/gr.169532.113
  2. Chemical Senses (Oxford University Press); Universidade de Linköping — Olfactory discrimination ability of Asian elephants (Elephas maximus) for structurally related odorants
    Rizvanovic, A.; Amundin, M.; Laska, M. · 2013 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1093/chemse/bjs097
  3. Journal of Evolutionary Biology (Oxford University Press); Museu Estatal de História Natural de Stuttgart; Universidade de Linköping — Does the number of functional olfactory receptor genes predict olfactory sensitivity and discrimination performance in mammals?
    Martinez, Q.; Amson, E.; Laska, M. · 2024 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1093/jeb/voae006
  4. Ecology and Evolution (British Ecological Society / Wiley) — Differences in Olfactory Discrimination, but Not Sensitivity, Between African Savanna and Asian Elephants
    Schmitt, M. H.; Plotnik, J. M. et al. · 2025 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 14/10/2026 DOI 10.1002/ece3.71896
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 18; conferência de trechos automatizada)

Encontrou um erro? Avise o WikiMundi · Como verificamos