Fenômenos naturais

El Niño e La Niña no Brasil: menos chuva na Amazônia e no Nordeste, mais no Sul, e onde essa regra falha

Publicado em 13/10/2026 · Última alteração em 13/10/2026

Assuntos: Tempo e clima

El Niño tende a reduzir a chuva na Amazônia e no Nordeste e a aumentá-la no Sul do Brasil, como em 2015 e na previsão para 2026; La Niña tende ao oposto no Nordeste. É tendência, não regra: o Atlântico tropical e o tipo de El Niño mudam o resultado, e em 2012, ano de La Niña, o Nordeste não teve chuva acima da média.

O Pacífico equatorial aquecido ou resfriado altera onde o ar sobe e chove, e essa mudança chega ao Brasil por teleconexão: um efeito à distância pela circulação da atmosfera. O mecanismo do ENSO está no artigo sobre El Niño e La Niña. Aqui entra o que ele faz sobre o território brasileiro. Duas ideias ajudam: a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), faixa de ventos convergentes e chuva perto do equador, que se desloca conforme a temperatura do Atlântico; e a diversidade do El Niño, pois o aquecimento máximo pode ficar no Pacífico central ou no leste, com efeitos diferentes. Por isso cada região responde de um jeito e cada evento, também.

Um El Niño, duas Amazônias

No El Niño de 2015/2016, só o leste da Amazônia teve a seca típica; no oeste choveu mais que o usual. Os autores ligam o contraste à posição do aquecimento máximo do Pacífico, no setor central.

Nordeste: o Pacífico não age sozinho

Em 1998–2018, os quatro anos de El Niño estudados tiveram chuva abaixo da média no Nordeste e os de La Niña, acima, exceto 2012. Só que o Atlântico tropical também move a ZCIT, a faixa de chuva da região, e o volume dos reservatórios subiu em 1998 e 2010 mesmo com chuva negativa. O padrão é real, mas com poucos eventos e várias causas ao mesmo tempo.

Amazônia: um mesmo El Niño, resultados opostos

Secas amazônicas ligam-se ao El Niño ou a águas quentes no Atlântico norte. Em 2015/2016 o leste secou como esperado, e o oeste teve mais chuva que o usual; os autores atribuem isso ao aquecimento máximo no Pacífico central. Para o nível do rio em Manaus, o Atlântico pesa mais que o Pacífico na escala de décadas, segundo outra análise.

Sul e o resto do país

No El Niño de 2015, o Sul do Brasil, o Uruguai e a Argentina tiveram cerca de 250 mm de chuva acima da média entre outubro e dezembro, enquanto o Nordeste ficou 72% abaixo. Em 2026, a previsão sazonal do CPTEC indica chuva acima do normal no Sul e abaixo no Norte e Nordeste, mas também chance de menos chuva em parte do Brasil Central e do Sudeste. É previsão com probabilidades; áreas em branco no mapa significam que nada pende para nenhum lado.

Como sabemos, e o limite do método

Esses padrões vêm de compostos (médias de anos de El Niño e de La Niña), de análises de um evento, como o de 2015, de simulações e de modelos de previsão. Compostos têm poucos eventos; o tipo de El Niño muda o sinal, e modelos podem superestimar efeitos, como avisam os autores sobre a seca amazônica. Por isso se fala em tendência, e a previsão trabalha com probabilidade, não com certeza para cada cidade.

Como sabemos

O padrão geral (seca no norte, chuva no sul) tem boa base, mas o Sul do Brasil se apoia em um evento observado (2015) e na previsão de 2026.

Fontes

  1. Scientific Reports — Global disease outbreaks associated with the 2015–2016 El Niño event
    Anyamba, A.; Chretien, J.-P.; Britch, S. C. et al. · 2019-02-12 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-018-38034-z
  2. Scientific Reports — Effects of atmospheric systems operating in the Northeast of Brazil on the volumes of artificial reservoirs
    Gomes, R. S.; Lima, K. C.; Medeiros, F. J. et al. · 2025-07-30 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/s41598-024-82858-x
  3. Scientific Reports — Record-breaking warming and extreme drought in the Amazon rainforest during the course of El Niño 2015–2016
    Jiménez-Muñoz, J. C. et al. · 2016-09-08 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1038/srep33130
  4. Science Advances — Recent intensification of Amazon flooding extremes driven by strengthened Walker circulation
    Barichivich, J.; Gloor, E.; Peylin, P. et al. · 2018-09-19 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/sciadv.aat8785
  5. Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE) — Previsão climática sazonal, nota técnica SON/2026
    CPTEC/INPE · 2026-08-24 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  6. npj Climate and Atmospheric Science — Future climate response to observed strong El Niño analogues
    Trascasa-Castro, P.; Ruprich-Robert, Y.; Maycock, A. C. et al. · 2025-03-21 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 13/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 7; conferência de trechos automatizada)

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