Ciências da Terra

Efeito Coriolis: por que ciclones tropicais giram em sentidos opostos nos dois hemisférios

Publicado em 06/10/2026 · Última alteração em 06/10/2026

Furacões e outros ciclones tropicais giram no sentido anti-horário no Hemisfério Norte e no horário no Sul. A causa é a rotação da Terra: o vento que corre para o centro de uma baixa pressão é desviado para a direita no Norte e para a esquerda no Sul, e esse desvio organiza o giro. A força de Coriolis é zero no equador e cresce em direção aos polos. Em escala pequena, como a de uma pia ou um vaso sanitário, ela é fraca demais para decidir o sentido da água.

Quando uma área de baixa pressão se forma, o ar ao redor flui para ela para preencher o vazio. Se a Terra não girasse, esse ar iria direto ao centro. Como gira, o vento é desviado: para a direita no Hemisfério Norte e para a esquerda no Sul. O resultado é um redemoinho, anti-horário no Norte e horário no Sul. A força de Coriolis, descrita como aparente por servir ao observador na Terra em rotação, é zero no equador e máxima nos polos. Por isso os ciclones tropicais não nascem sobre o equador: formam-se numa faixa de cerca de 5° a 30° de latitude. A mesma força é desprezível em recipientes pequenos, e o mito do ralo que gira ao contrário no Sul não se sustenta.

O ralo da pia não obedece ao Coriolis

A NOAA diz que a força de Coriolis é pequena demais para afetar a água de pias e vasos. O sentido do giro depende do formato do recipiente e do movimento inicial da água, então os dois sentidos ocorrem em ambos os hemisférios.

Como o desvio vira giro

Uma baixa pressão atrai o vento de superfície para o centro. Sem rotação planetária, o ar iria em linha reta. Com ela, o vento é desviado para a direita no Hemisfério Norte e para a esquerda no Sul, o que inicia o giro anti-horário ou horário. A NOAA chama a força de Coriolis de aparente: ela surge porque o observador está sobre uma Terra que gira.

Por que não há ciclones no equador

A força de Coriolis é zero no equador e aumenta rumo aos polos. Segundo a NOAA, o ciclone precisa estar a pelo menos 300 milhas (cerca de 480 km) do equador para que o efeito crie o giro. Por isso os ciclones tropicais ocorrem numa faixa de cerca de 5° a 30° de latitude, e não sobre a linha do equador.

O mito do ralo

A força de Coriolis existe em toda parte, mas é minúscula em escala de pia. A NOAA afirma que ela é pequena demais para afetar a água de pias e vasos. O que decide o sentido é o formato do recipiente e o movimento inicial da água. Em ambos os hemisférios aparecem os dois sentidos, e a ideia de um giro invertido ao cruzar o equador é um mito.

Para onde vão depois de formados

Segundo o Met Office, os ciclones tropicais começam a viajar para oeste e depois derivam rumo aos polos. Em latitudes médias, os ventos de oeste os redirecionam para leste, o que permite acelerar e percorrer distâncias maiores. A rotação interna segue o mesmo sentido do hemisfério em que o sistema nasceu.

Como sabemos

Todos os fatos centrais constam em páginas da NOAA e do Met Office; o mecanismo está simplificado.

Fontes

  1. NOAA/AOML, Hurricane Research Division — Why do tropical cyclones' winds rotate counter-clockwise (clockwise) in the Northern (Southern) Hemisphere?
    consultada em 06/10/2026
  2. NOAA/AOML — Hurricane Research Division: Frequently Asked Questions
    consultada em 06/10/2026
  3. Met Office — Location of tropical cyclones
    consultada em 06/10/2026
  4. NOAA National Ocean Service — The Coriolis Effect (Currents tutorial)
    consultada em 06/10/2026
  5. NOAA National Hurricane Center — Tropical cyclone climatology
    consultada em 06/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 06/10/2026 — primeira versão

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