Astronomia

Hubble mostrou que Andrômeda é outra galáxia e que as galáxias se afastam, apoiado em Leavitt e Slipher

Publicado em 11/10/2026 · Última alteração em 11/10/2026

Em outubro de 1923, o astrônomo Edwin Hubble achou, em Andrômeda, uma estrela variável (V1) de 31,4 dias de período. Com a relação entre período e brilho das cefeidas, descoberta por Henrietta Leavitt, estimou que ela estava a cerca de 1 milhão de anos-luz: longe demais para pertencer à Via Láctea. Em 1929, juntando distâncias suas a velocidades medidas sobretudo por Vesto Slipher, apontou que as galáxias se afastam mais depressa quanto mais longe estão.

Até os anos 1920 não havia consenso sobre o que eram as "nebulosas espirais". Em 1920, no debate entre Harlow Shapley e Heber Curtis, Shapley defendia que elas eram parte da Via Láctea. Hubble usou o telescópio de 100 polegadas de Mount Wilson, o maior do mundo na época, e descobriu cefeidas em Andrômeda. Esse tipo de estrela pulsa com um período ligado ao brilho verdadeiro, relação que Henrietta Leavitt tirou de estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães; medir o período e o brilho aparente dá a distância. Em 1929 Hubble publicou a relação entre distância e velocidade de recessão de nebulosas. As velocidades vinham quase todas de espectros de Vesto Slipher, no Observatório Lowell, e o artigo não o cita pelo nome. Georges Lemaître já havia proposto a relação em 1927.

Quatro nomes numa lei só

Em outubro de 2018, a União Astronômica Internacional aprovou, com 78% dos votos, recomendar o nome lei de Hubble–Lemaître. Historiadores discutem se faltam também Slipher e Humason, e se a relação de 1929 já provava a expansão.

A régua de Henrietta Leavitt

Leavitt trabalhava no Observatório do Harvard College analisando placas fotográficas, como "computadora". Descobriu cerca de 2.400 estrelas variáveis e, em 1912, mostrou que cefeidas com períodos mais longos são intrinsecamente mais brilhantes. Como as estrelas da Pequena Nuvem de Magalhães estão praticamente à mesma distância, comparar o brilho delas revelava essa regra. Faltava o ponto zero, que outros astrônomos calibraram. Leavitt morreu em 1921, dois anos antes de Hubble usar a relação em Andrômeda.

A noite de V1

Na noite de 5 para 6 de outubro de 1923, Hubble fotografou Andrômeda com o telescópio Hooker. Achou três objetos que pareciam novas e, ao comparar com placas anteriores, viu que um variava devagar demais para ser nova comum. A curva de luz de V1 deu período de 31,4 dias. Com a relação de Leavitt, a distância ficou em cerca de 1 milhão de anos-luz, mais de três vezes o tamanho que Shapley dava à Via Láctea. Segundo a NASA, Shapley teria dito ao receber a carta: "aqui está a carta que destruiu meu universo".

Velocidades de Slipher, distâncias de Hubble

Desde 1912, Vesto Slipher, no Observatório Lowell, media deslocamentos nos espectros das espirais. Andrômeda se aproxima a cerca de 300 km/s; a maioria das outras se afasta. Em 1929, Hubble combinou distâncias que ele estimara com velocidades já publicadas, e algumas de Humason. O resultado foi uma relação aproximadamente linear, que Hubble apresentou com cautela, sem declarar que o universo se expande.

Lemaître e o nome da lei

Em 1927, o belga Georges Lemaître previu a proporcionalidade entre velocidade e distância no contexto de um universo em expansão e estimou a constante a partir de dados de Slipher e Hubble. O artigo, em francês, teve pouca circulação. Em 2018, a IAU recomendou o nome lei de Hubble–Lemaître. Historiadores lembram que a relação de 1929 só passou a ser tratada como base da cosmologia da expansão décadas depois.

Como sabemos

Fatos principais (V1, Leavitt, artigo de 1929, votação da IAU) estão em fontes abertas primárias ou da NASA; data de morte e a frase de Shapley ficam como pontos menos firmes.

Em debate: Lemaître publicou a relação em 1927 e Slipher mediu as velocidades; Hubble forneceu as distâncias e o gráfico de 1929. A IAU adotou Hubble–Lemaître em 2018 (78% dos votos), mas historiadores como Helge Kragh contestam argumentos do texto da resolução e observam que Hubble não via o resultado como prova da expansão.

Fontes

  1. NASA Science — Hubble Views the Star that Changed the Universe
    consultada em 11/10/2026
  2. E. Hubble, Observatório Mount Wilson — A Relation between Distance and Radial Velocity among Extra-Galactic Nebulae (Proc. Natl. Acad. Sci. 15, 168–173, 1929)
    consultada em 11/10/2026
  3. arXiv (M. J. Way) — The Contribution of V. M. Slipher to the Discovery of the Expanding Universe
    consultada em 11/10/2026
  4. União Astronômica Internacional — IAU members vote to recommend renaming the Hubble law as the Hubble–Lemaître law
    consultada em 11/10/2026
  5. arXiv (H. Kragh) — Hubble Law or Hubble-Lemaître Law? The IAU Resolution
    consultada em 11/10/2026
  6. Physics Today (AIP) — Henrietta Swan Leavitt
    consultada em 11/10/2026
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 11/10/2026 — primeira versão

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