Genética

Denisovanos: descobertos pelo DNA de um osso de dedo, são conhecidos por poucos fósseis

Publicado em 14/10/2026 · Última alteração em 14/10/2026

Assuntos: Genética

Os denisovanos são um grupo de hominínios arcaicos revelado em 2010 pelo DNA de um osso de dedo achado em 2008 na caverna de Denisova, nas montanhas Altai, na Sibéria. O DNA mostrou uma linhagem distinta da dos neandertais e da dos humanos modernos, sem que o osso permitisse classificá-la pela forma. Fósseis mais informativos, como a mandíbula de Xiahe (2019) e o crânio de Harbin (2025), foram ligados a eles por proteínas e DNA.

Hominínios são os humanos modernos e os parentes extintos mais próximos deles; neste texto, os extintos aparecem também como humanos arcaicos. O DNA mitocondrial (mtDNA) fica nas mitocôndrias, fora do núcleo da célula, e é um trecho curto; o DNA nuclear guarda o restante do genoma. A falange (osso da ponta do dedo) de um jovem, escavada em 2008 em Denisova, estava numa camada datada de modo indireto entre 48 mil e 30 mil anos atrás. O mtDNA dela mostrou um ancestral comum com o de neandertais e humanos modernos há cerca de 1 milhão de anos, e o genoma nuclear apontou um grupo-irmão dos neandertais. Os neandertais e a extração de DNA antigo têm posts próprios; aqui o foco é a descoberta e o que se soube depois.

Um dedo com 70% de DNA próprio

A falange de Denisova tinha cerca de 70% de DNA do próprio indivíduo; em restos de neandertais, a fração fica abaixo de 5%. Um dente da mesma caverna tinha só 0,17%, típico de outros restos da época. Os autores não sabem por que o dedo se conservou tão bem.

Do osso de dedo ao nome “denisovanos”

Em março de 2010, a equipe de Svante Pääbo publicou o mtDNA completo do osso de Denisova: ele diferia do de humanos atuais em 385 posições, em média, contra 202 nos neandertais. Em dezembro, o genoma nuclear, lido a 1,9 vez de cobertura, mostrou um grupo de origem comum com os neandertais, batizado de denisovanos. Antes do nome havia dados, não um fóssil que se pudesse classificar pela forma. Um dente de Denisova, de grande tamanho, deu mtDNA quase igual ao do dedo.

Como sabemos: um genoma sem fóssil diagnóstico

O mtDNA do dedo foi lido duas vezes, com extratos diferentes, e deu a mesma sequência. O dente, de outro indivíduo, difere em só 2 posições do mtDNA do dedo, o que sugere uma mesma população. O genoma de 2012, a 30 vezes de cobertura, deu heterozigose de 0,022%, cerca de 20% da dos africanos atuais. As datas de separação são faixas largas (170 mil a 700 mil anos) e dependem da taxa de mutação adotada. Até 2019, tudo vinha de poucos indivíduos de um só sítio.

Mistura com humanos modernos

Reich e colegas estimaram em 2010 que denisovanos contribuíram com 4% a 6% do genoma de melanésios atuais; em 2012, um método estimou 6,0% em papuas, com ajuste admitidamente imperfeito. Papuas compartilham mais alelos denisovanos nos cromossomos não sexuais que no X, o que os autores explicam, como hipótese, por cruzamentos envolvendo sobretudo homens denisovanos. O Comitê Nobel lembra que a proporção varia entre grupos do Pacífico e que o gene EPAS1 de tibetanos tem versão derivada de denisovanos.

Fósseis ligados por moléculas: Xiahe e Harbin

Em 2019, uma mandíbula da caverna Baishiya Karst, em Xiahe, foi identificada como denisovana por análise de proteínas e datada em pelo menos 160 mil anos; o resumo a descreve como evidência direta de denisovanos fora das montanhas Altai. Em 2025, DNA mitocondrial de cálculo dentário e 95 proteínas do crânio de Harbin o ligaram a eles, sugerindo ampla área na Ásia. Esses resultados foram lidos só em resumos; atribuições por moléculas são indícios fortes, não classificação pela forma.

Como sabemos

A descoberta de 2010 e os genomas de 2010 e 2012 foram lidos em texto integral; Xiahe e Harbin só no resumo, e Harbin é resultado de 2025.

Fontes

  1. Nobel Assembly, Karolinska Institutet — Scientific background: Discoveries concerning the genomes of extinct hominins and human evolution
    Nobel Committee for Physiology or Medicine · 2022 · Documento institucional · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026
  2. Nature — The complete mitochondrial DNA genome of an unknown hominin from southern Siberia
    Krause, J.; Fu, Q.; Good, J. M.; Viola, B.; Shunkov, M. V.; Derevianko, A. P.; Pääbo, S. · 2010 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/nature08976
  3. Nature — Genetic history of an archaic hominin group from Denisova Cave in Siberia
    Reich, D. et al. · 2010 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/nature09710
  4. Science — A high-coverage genome sequence from an archaic Denisovan individual
    Meyer, M. et al. · 2012 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.1224344
  5. Nature — A late Middle Pleistocene Denisovan mandible from the Tibetan Plateau
    Chen, F.; Welker, F.; Shen, C.-C. et al. · 2019 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1038/s41586-019-1139-x
  6. Cell — Denisovan mitochondrial DNA from dental calculus of the >146,000-year-old Harbin cranium
    Fu, Q.; Cao, P.; Dai, Q. et al. · 2025 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1016/j.cell.2025.05.040
  7. Science — The proteome of the late Middle Pleistocene Harbin individual
    Fu, Q.; Bai, F.; Rao, H. et al. · 2025 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 13/10/2026 DOI 10.1126/science.adu9677
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 14/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 16; conferência de trechos automatizada)

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