Biologia

Como descobrimos por que a planta se curva para a luz: a ponta de Darwin, a auxina e as fototropinas

Publicado em 12/10/2026 · Última alteração em 12/10/2026

Assuntos: Plantas em ação

Em 1880, Darwin mostrou que, em plântulas de alpiste, a luz lateral é percebida na ponta e algo transmite o efeito à parte de baixo, que é a que se curva: com a ponta coberta, a base iluminada ficava reta. A auxina entrou como a explicação provável, e o receptor de luz azul, a fototropina, só foi identificado nos anos 1990.

Fototropismo é o crescimento curvo de um órgão da planta em relação à luz. A curvatura vem de crescimento diferente nos dois lados do órgão: um lado se alonga mais que o outro. O problema que Darwin enfrentou é que, em plântulas de gramíneas, o ponto que detecta a luz e o ponto que se curva não coincidem. Hormônio vegetal, neste texto, é uma substância em pequena quantidade que altera o crescimento em outro lugar; fotorreceptor é a proteína que absorve a luz e inicia a resposta. A história vai da observação de 1880 ao hormônio e, depois, ao receptor.

O controle do tubo transparente

Para provar que a ponta coberta não curvava por causa de um dano, Darwin usou tubos de vidro transparentes como controle e, depois, retirou as coberturas: as plântulas que antes ficaram retas passaram a se curvar para a luz.

O que Darwin mostrou, e o que não mostrou

Darwin comparou plântulas com a ponta coberta, cortada ou livre, e usou tubos transparentes como controle. Sua conclusão foi cautelosa: existe, na parte de cima, algo que a luz atinge e que transmite o efeito para baixo. Ele não identificou uma substância, e escreveu que é extremamente duvidoso que em plantas adultas a iluminação de uma parte afete a curvatura de outra. O resultado vale para plântulas de poucas espécies.

Da ponta ao hormônio: Went e a auxina

Segundo a revisão de Enders e Strader, as ideias de Darwin foram refinadas por Boysen-Jensen e Paál e deram origem à hipótese de Cholodny e Went: a luz desloca uma substância promotora de crescimento para um lado do órgão. O teste da Avena, de Went (1928), tornou possível comparar substâncias. A história química teve idas e vindas: as auxinas a e b não foram isoladas por outros laboratórios, e o AIA passou a ser o preferido.

Onde a auxina se redistribui: uma pergunta ainda em estudo

A hipótese de Cholodny e Went foi apoiada por décadas de trabalho, e um estudo de 2011 em Arabidopsis a refinou: a redistribuição ocorre no ápice do hipocótilo e acima dele, e a fototropina phot1 fosforila o transportador ABCB19. Os autores dizem que, antes disso, não se sabia como a luz regula a auxina em dicotiledôneas. É o resultado de um grupo, em uma espécie; o quadro geral segue sendo montado.

O receptor: das mutantes às fototropinas

Nos anos 1990, mutantes de Arabidopsis sem fototropismo levaram ao gene NPH1, que codifica uma proteína que liga FMN e responde à luz azul. A coincidência entre o espectro dela e o espectro de ação do fototropismo sustentou a identificação como receptor. Hoje phot1 e phot2 são os sensores essenciais, mas a revisão de 2020 lembra que se sabe muito menos sobre como elas sinalizam adiante.

Como sabemos

Os experimentos de Darwin foram lidos no texto original; Went, Kögl e Boysen-Jensen vêm de revisões, e a etapa molecular é descrita como parcialmente em aberto.

Fontes

  1. John Murray, Londres; edição digital Project Gutenberg — The Power of Movement in Plants (edição digital do Projeto Gutenberg, texto do livro de 1880)
    Darwin, C. (com a assistência de Francis Darwin) · 1880 · Fonte histórica primária · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026
  2. American Journal of Botany — Auxin activity: Past, present, and future
    Enders, T. A.; Strader, L. C. · 2015 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.3732/ajb.1400285
  3. Journal of Experimental Botany — The continuing arc toward phototropic enlightenment
    Liscum, E.; Nittler, P.; Koskie, K. · 2020 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/jxb/eraa005
  4. Plant and Cell Physiology — Molecular genetic analysis of phototropism in Arabidopsis
    Sakai, T.; Haga, K. · 2012 · Revisão ou síntese científica · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1093/pcp/pcs111
  5. PLoS Biology — phot1 inhibition of ABCB19 primes lateral auxin fluxes in the shoot apex required for phototropism
    Christie, J. M. et al. · 2011 · Artigo científico original · lida na íntegra · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1371/journal.pbio.1001076
  6. Science — Arabidopsis NPH1: a flavoprotein with the properties of a photoreceptor for phototropism
    Christie, J. M.; Reymond, P.; Powell, G. K.; Bernasconi, P.; Raibekas, A. A.; Liscum, E.; Briggs, W. R. · 1998 · Artigo científico original · lido só o resumo · consultada em 12/10/2026 DOI 10.1126/science.282.5394.1698
Histórico de alterações
  • Versão 1 · 12/10/2026 — Primeira versão (produção 1.000, lote 6; conferência de trechos automatizada)

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